XIII Encontro dos Bispos Lusófonos em Cabo Verde

30 Abr, 2018

Entre os dias 27 e 29 de abril de 2018, decorreu na Cidade de Praia, em Cabo Verde, o XIII Encontro de Bispos dos Países Lusófonos (EBPL), que contou com a presença de D. Filomeno Vieira Dias, Arcebispo de Luanda e D. António Jaca, Bispo nomeado de Benguela; Cardeal D. Sérgio da Rocha, Arcebispo de Brasília e D. Murilo Sebastião Krieger, Arcebispo de São Salvador da Bahia; Cardeal D. Arlindo Gomes Furtado, Bispo de Santiago, D. Ildo Fortes, Bispo de Mindelo, e padres João Augusto Mendes Martins e Edson Bettencourt, respetivamente Vigário Geral e Chanceler da Diocese de Santiago; D. Pedro Carlos Zilli, Bispo de Bafatá, e D. José Lampra Cá, Bispo auxiliar de Bissau; D. Francisco Chimoio, Arcebispo de Maputo; Cardeal D. Manuel Clemente, Patriarca de Lisboa, P. Manuel Barbosa, Secretário da Conferência Episcopal Portuguesa e Dr. Jorge Líbano Monteiro, Presidente da FEC – Fundação Fé e Cooperação; e D. Manuel António dos Santos, Bispo de S. Tomé e Príncipe.

No Comunicado Final deste encontro, onde a FEC esteve presente, os bispos destacaram os seguintes desafios e constatações:

  • A Igreja manteve-se fiel à sua missão profética de procura de caminhos comuns através do diálogo e da afirmação pública das suas convicções, contribuindo para uma sociedade democrática que defenda a dignidade humana, a paz e o bem comum.
  • Há uma denuncia da mentalidade individualista e consumista que contraria perspetivas de futuro para os jovens como a falta de emprego e incentivo a projetos que apoiem de modo criativo a sua integração no mundo empresarial e laboral.
  • Valorização da simplificação da concessão de vistos nalguns países, que facilite a livre circulação de pessoas e bens, esperando que esse processo se possa estender a todos os países lusófonos, promovendo assim uma verdadeira comunidade de pessoas.
  • Constatação da dificuldade das famílias viverem a sua vocação cristã e a sua decisiva importância para a sociedade e para a construção da comunidade cristã
  • Reforço da importância da liberdade de imprensa para a consolidação de uma sociedade plural e democrática
  • Verificam-se significativos aumentos de vocações sacerdotais nas diferentes Igrejas lusófonas, como sinal da sua vitalidade.

No seguimento do último encontro, foram partilhadas as implicações, aprendizagens e ações pastorais da Encíclica Laudato Si’ do Papa Francisco sobre a ecologia e o cuidado pela nossa casa comum, verificando-se uma maior consciência das comunidades pela ecologia integral e a existência de inúmeros projetos em curso. Foi dado o exemplo da Floresta Laudato Si’, uma iniciativa da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé.

Um dos principais tempos de reflexão foi dedicado aos jovens – «os Jovens na Igreja: presença efetiva e transformadora», em ligação com o processo de preparação da próxima Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos sobre «os jovens, a fé e o discernimento vocacional», onde foram partilhadas as realidades dos jovens nos diferentes países, salientando as boas práticas pastorais com os jovens, a realização de jornadas mundiais, diocesanas e nacionais de juventude, as iniciativas de voluntariado missionário, campos de férias e movimentos que acompanhem os jovens nas suas realidades quotidianas. Foi reforçada a importância decisiva das famílias para o desenvolvimento dos jovens e a necessidade de potenciar a comunidade cristã como família de famílias.

Ainda relacionado com as Assembleias Gerais do Sínodo dos Bispos, os bispos dos países lusófonos propuseram, unanimemente, que a língua portuguesa, a quinta língua do mundo, falada por 260 milhões de pessoas, fosse utilizada como língua oficial nestas iniciativas.

Numa das sessões, Martin Brockelman Simon, apresentou a realidade e as propostas da Misereor, na luta contra a pobreza em África, na Ásia e América Latina, focando particularmente as problemáticas dos refugiados, migrantes e tráfico de pessoas.

«Os desafios da Igreja à Sociedade» foi o tema da sessão pública que decorreu no salão do centro paroquial Nossa Senhora da Graça e teve D. Manuel Clemente, D. Sérgio Rocha e D. António Jaca como intervenientes.

Nesta sessão, os intervenientes alertaram para a necessidade de uma atitude de reciprocidade da Igreja, sobretudo nas seguintes áreas: o estilo de vida dos jovens cristãos, o cuidado da ecologia e da casa comum, a convivência respeitosa e pacífica entre as pessoas, a defesa intransigente da vida, da dignidade humana e da família, a luta contra a corrupção, o tráfico e a escravatura de pessoas, a ideologia do género, a eutanásia e tudo quanto não dignifica a pessoa e a promoção da presença da mulher na Igreja e na sociedade.

“Estamos nas instâncias de governação, vivemos nos nossos países essas necessidades e quando observamos situações que não correspondem a estes valores não podemos ser indiferentes porque calar-se numa situação de injustiça significa comprometer-se com a injustiça. Um dos males que temos no nosso continente é ficarmos calados, não dizermos nada, não nos comprometermos com a justiça, com o bem comum, com as causas sociais e continuamos sempre a atirar a culpa para os outros”, disse D. António Jaca

O XIV Encontro de Bispos dos Países Lusófonos decorrerá na Guiné-Bissau, de 16 a 19 de janeiro de 2020, cabendo desde já aos Bispos deste país assegurar a presidência do EBPL até à sua realização, em coordenação com a FEC.

Fotografias: D. Ildo Fortes, Bispo do Mindelo

 

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