Começar com entusiasmo: Caroline Durieux sobre o Movimento de Transição

20 Jul, 2018

Foi no meio dos prados do De Hoge Rielen, um parque de campismo na região flamenga de Tielen, que debatemos sobre uma transição justa para um mundo sustentável. Abrigados pela sombra da tenda de circo que nos protegia de um sol excecionalmente escaldante, todos os participantes do campo organizado pela Broederlijk Delen – pais, adolescentes e representantes das várias organizações que pertencem à CIDSE – se juntaram para esta conferência inaugural com Caroline Durieux.

Apresentação de Caroline na tenda principal do campo.

Caroline faz parte do movimento de transição na Bélgica e costuma falar em público sobre o movimento. Para além do movimento de transição, Caroline apela a uma sociedade diferente, mais criativa e aberta a novas soluções que possam contribuir para um mundo sustentável. Começando por evocar todos os discursos pessimistas que são difundidos nos meios de Comunicação, mas também nas conversas com os nossos amigos e familiares mais próximos – por exemplo, que é praticamente impossível reverter as alterações climáticas, que numa sociedade digital os nossos empregos já não têm sentido – a sua intervenção rapidamente passou para uma abordagem empolgante sobre como é que cada um de nós tem o poder de incutir a mudança de que o mundo precisa.

Uma ideia muito importante sublinhada pela Caroline foi que o medo reduz a criatividade: quando estamos alarmados, prevalecem os instintos básicos, e não a imaginação – que é precisamente o que precisamos nesta época atribulada. Uma transição justa, segundo a Caroline, exige a capacidade de ver diferentes formas de fazer a mesma coisa; isto é muito relevante em países como a Bélgica ou Portugal (o contexto que me é familiar), onde o uso da bicicleta e dos transportes públicos ainda é menosprezado por quase toda a gente. Assim, fomos desde o exercício tonto, mas cheio de significado, de perguntar “Quantas coisas consegues fazer com um copo?” até exemplos concretos de iniciativas do movimento de transição. O meu favorito foi um grupo de vizinhos do mesmo prédio que decidiram pagar um lugar de estacionamento em frente à sua porta, simplesmente para montar uma mesa, algumas cadeiras e um minibar, onde podiam confraternizar ao fim da tarde. A mensagem que eles transmitem é dupla: de que as pessoas devem ter mais meios, ocasiões e espaços para conhecer os seus vizinhos e, obviamente, de que é urgente reduzir o número de carros na cidade. A polícia não reagiu bem, mas acabou por reconhecer a legitimidade do grupo para dispor do seu lugar de estacionamento. Esta nítida provocação resultou.

Fiz uma pergunta à Caroline sobre a natureza política do movimento de transição.

O debate também foi muito enriquecedor. Respondendo a algum ceticismo do público, Caroline insistiu que as iniciativas do movimento de transição eram tão políticas como a ação do governo, principalmente porque elas implicam as próprias instituições e muitas vezes contradizem as suas premissas e abordagens, tal como esta iniciativa o fez. É uma espécie de revolução paciente. E justa. Dirigindo-se aos pais que participavam no campo e que não tinham tempo para se dedicar a um movimento organizado, ela sublinhou a importância de pequenos gestos, especialmente tendo em conta a urgência da proteção do ambiente.

Tanto quanto pude perceber, o entusiasmo da Caroline contagiou toda a gente. Com este entusiasmo, os cinco dias de discussão e preparação para a ação conjunta da CIDSE na COP24 foram muito para além dessa agenda: também nos voltaram a ligar com o lado humano da transição justa a que apelamos e reforçou o nosso sentimento de que fazemos parte de um panorama mais vasto. Com este entusiasmo, vamos mudar pelo planeta e cuidar das pessoas.

Pedro Franco

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