Formação Contínua em Cultura e Tradição da Guiné-Bissau

3 Ago, 2018

Professores e educadores do Setor Autónomo de Bissau concluíram dia 7 de julho a primeira edição do Curso de Formação Contínua em Cultura e Tradição da Guiné-Bissau de 48 horas, que visa reforçar competências na Organização, Gestão e Desenvolvimento de Áreas de Interesse da Criança. Na manhã de dia 9 de junho viveram um dos momentos mais altos deste percurso formativo no Museu Etnográfico, em Bissau. Um momento de “descoberta”, como muitos descreveram, relativamente às múltiplas etnias que compõem a Guiné-Bissau, mas também relativamente à própria etnia de cada um. Um desafio a levar para a sala de aula onde a convivência e a inclusão da diversidade edificam uma identidade comum e a base da paz.

Para o formador Lamine Sonco, este curso – que ainda não faz parte do currículo escolar – proporciona aos formandos “ferramentas com as quais irão trabalhar junto dos seus alunos”. “Estamos sempre atentos àquilo que eles podem trazer e ao que nós podemos também partilhar com eles… tudo o que tem a ver com cultura e tradição”, explicita entusiasmado. Hoje, no Museu Etnográfico, “eu próprio estou a apreciar coisas da minha etnia, aquela mandinga, que têm a ver com a música, com a religião… mas o que mais me surpreendeu nos mandingas foi a prática da tecelagem”, conta.

Também para o professor Dionísio Tavares, o ofício da tecelagem foi algo que o chamou à atenção nesta visita, desta vez relativamente aos mancanhas, o grupo étnico do qual faz parte: “na casa de cada mancanha havia um pé de algodão… agora é algo que se está a perder e que precisa de ser resgatado.” Para este professor de Ensino Básico na Escola Madre Serafina, “esta formação contínua vai ajudar e de que maneira” a “começarmos a vivenciar aquilo que é nosso, a valorizar a nossa cultura, a fazer as crianças começarem a ganhar consciência do que é a guinendade”. Uma consciência que irá permitir ao guineense “estar à altura de ajudar o seu país”, concretiza.

À saída do Museu, a Irmã Estela, educadora no Jardim de Infância Rainha da Paz, no Quelelé, pára para conversar e assegurar-nos que “é conhecendo que se pode transmitir conhecimento às crianças”, dai afirmar estar “muitíssimo contente” e “entusiasmada”. No que concerne à sua cultura de origem – balanta – descobriu, entre outras coisas, que na olaria “é preciso começar e acabar uma peça no mesmo dia, senão acaba estragando-se”. Num sorriso cúmplice, confessa ainda ter finalmente percebido que “Okinka Pampa”, já no seio da cultura bijagó, não significa “rainha” mas sim “rainha Pampa”. Uma mulher de tal forma singular que às rainhas/sacerdotisas na cultura bijagó se passou a associar muitas vezes a nobreza do espírito de Pampa.

O Curso de Formação Contínua em Cultura e Tradição da Guiné-Bissau ministrado na Universidade Católica da Guiné-Bissau insere-se no projeto “Cultura i nô balur“, desenvolvido pela FEC em parceria com a Universidade Católica da Guiné-Bissau, o Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, a ENGIM internazionale, a AEGUI e a Afectos Com Letras ONGD, com financiamento da União Europeia na Guiné-Bissau, da Misereor e do Instituto Camões – Cooperação Portuguesa Guiné-Bissau. O projeto Cultura i nô balur tem como objetivo contribuir para a promoção do património cultural guineense de um modo inclusivo e sustentável, favorecendo o acesso da população guineense a bens e serviços culturais.

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