Mês da Criança pelo quarto ano consecutivo reúne parceiros na Guiné-Bissau

3 Ago, 2018

O Mês da Criança, promovido em junho pelo quarto ano consecutivo pela FEC e parceiros, foi rico em eventos e em participação. Um mês onde se convidaram crianças, seus familiares e amigos a percorrerem histórias, brincarem e sonharem, entre feiras do livro, ateliês infanto-juvenis e feiras de artesanato. Também a entrega de kits pedagógicos adaptados a crianças com necessidades educativas especiais, no âmbito do projeto Educação Inclusiva da Humanité & Inclusion, e ações de sensibilização comunitárias em todas as regiões da Guiné-Bissau conduzidas pelos Centros de Recuperação Nutricional da Caritas e com a Rede Ajuda, levaram mensagens a diferentes públicos, rumo à proteção social da criança.

Abertura do Mês da Criança

Dia 1 de junho, na abertura do Mês da Criança 2018, estiveram reunidos diferentes parceiros da iniciativa – FEC, Caritas da Guiné-Bissau, Rede Ajuda, Universidade Católica da Guiné-Bissau, Humanité & Inclusion, União Europeia, Cooperação Portuguesa, Instituto da Mulher e da Criança – para a apresentação do programa de atividades e renovação do compromisso de cada entidade na sua missão de promoção dos Direitos da Criança.

Para Sofia Alves, representante da FEC na Guiné-Bissau, “neste ano de 2018, indiretamente ou diretamente”, foi estreitada uma rede de parceiros com um mesmo objetivo: “promoção do desenvolvimento através e com a criança”. Para Sofia Alves, neste momento de abertura ficou precisamente visível esse ponto, ao ver-se que, quase todos os dias, “há uma atividade feita por um parceiro, numa região, numa comunidade, junto de uma família, que tem o objetivo de toda uma rede de parcerias que é a promoção do desenvolvimento centrado e olhando os direitos da criança”.

Feiras do Livro, Ateliês Infantis e Feiras de Artesanato

Nos dias 1 e 27 de junho realizaram-se duas feiras do livro na Universidade Católica em Bôr, no dia 5 de junho no escritório da Rede Ajuda, em Buba, dia 7 de junho na Escolha de Engenharia, em Gabú, e dia 16 de junho na Praça di Pindjiguiti, em Bissau. Iniciativas que, a preços simbólicos, procuraram tornar o universo da leitura mais acessível aos guineenses e revelaram a necessidade de se ir, cada vez mais, ao encontro da grande procura por parte do público de livros, tanto técnicos, infanto-juvenis como de outros géneros. Susana Chaves, assessora pedagógica da Universidade Católica da Guiné-Bissau e organizadora das diferentes feiras pelo país, partilha a história de uma criança de Buba que, apesar de restar no final da feira apenas um livro de mais complexa leitura, afirmou convicta: “eu levo esse livro mesmo… o que eu quero é ler”. E, tal como esta pequena leitora surpreendeu Susana, muitos outros perguntaram-lhe quando era a próxima feira e prometeram rumar a Gabú.

No Dia da Criança Africana, a 16 de junho, a Feira do Livro foi mais longe ao unir-se a iniciativas como a Feira de Artesanato organizada com a ARGUIB (de 15 a 16 de junho). Com propostas de jogos lúdico-pedagógicos e artigos a pensar nas crianças, a Feira de Artesanato organizada pela ARGUIB – Artesanato di Guiné-Bissau, foi um agradável encontro para Alma, cooperante espanhola: “a gente aqui está a encontrar coisas diferentes, com mais qualidade, que não estamos a encontrar noutro lugar e gostámos muito de passar por aqui”.

Ao longo do dia, a festa contou com a participação de uma rede de educadores de infância que, juntamente com a Escola Nacional de Surdos da Guiné-Bissau, permitiu que diferentes crianças – independentemente da sua limitação auditiva – interagissem e brincassem umas com as outras, aprendendo mesmo o alfabeto bem como algumas palavras e expressões em Língua Gestual Guineense. No final da tarde, espaço ainda para uma peça de teatro infantil inclusiva produzida pelos Netos de Bandim, em colaboração com a Humanité & Inclusion, que fez transbordar a Praça di Pindjiguiti.

Para Ester, estudante da Universidade Católica, que acompanhou algumas crianças aos ateliês infantis que decorreram paralelamente à Feira do Livro, “a feira foi importante, sobretudo os desenhos das nossas crianças, para desenvolverem as suas capacidades”. Entretanto, Neuza e Fatumata exibem orgulhosas junto à banca da feira a “Alice no país das maravilhas” e “Um dia em cheio” e garantem: “Gostamos de ler. Temos o hábito de comprar livros porque às vezes, em casa, ficamos a ver televisão mas não mostram histórias de livros, então vamos comprar livros para ler…” Este ano, juntaram-se às feiras do livro diferentes editoras, tais como DinaLivro, Animediações, Orfeu Negro, Lema D’Origem, Qual Albatroz e Pato Lógico, às quais a FEC, também em nome de todos os parceiros, muito agradece a doação de centenas de livros.

 Entrega de Kits Pedagógicos Adaptados

No dia 11 de junho, foi feita a entrega de kits pedagógicos adaptados na Escola Básica Armando de Sousa, no Alto de Bandim, fruto de uma parceira entre a Humanité & Inclusion e a FEC, no âmbito do projeto Educação Inclusiva da H&I. Para Almeida Quadé, diretor da escola, “este projeto de Educação Inclusiva tem estado a dar um enorme apoio à Guiné-Bissau, sobretudo para os professores que trabalham para o dia-a-dia dos alunos”. Jandira Monteiro, chefe de projetos na Humanitè & Inclusion, explica, por um lado, que os baús pedagógicos destinados a 7 escolas de Bissau resultaram de uma ação formativa a 65 professores que ajudaram a planear materiais passíveis de se adaptarem à realidade educativa de todos, inclusive crianças com necessidades educativas especiais: “Havia necessidade de capacitar os professores a trabalhar com as crianças que apresentam algumas limitações, quer do ponto de vista visual, auditivo, motor ou intelectual.” Por outro lado, “na linha da melhoria da acessibilidade nas escolas, realizámos trabalho noutras sete escolas onde construímos rampas e fizemos reabilitação de espaços como pisos, latrinas ou salas de aula”, concretiza.

A FEC conduziu a formação realizada junto do grupo de 65 professores, ajudando-os a pensar e desenhar jogos inclusivos a que, por fim, um grupo de artesãos integrados no projeto Cultura i nô balur deu vida. Cada baú pedagógico contemplará, para além dos jogos desenvolvidos, um guião pedagógico.

Ações de sensibilização comunitárias

Ao longo do mês de junho, foram ainda realizadas nas diferentes regiões do país, campanhas de sensibilização comunitárias, conduzidas pelos parceiros Caritas da Guiné-Bissau – através dos Centros de Recuperação Nutricional – e da Rede Ajuda. Iniciativas que visaram dar a conhecer os diferentes direitos da criança de forma lúdico-pedagógica, tanto junto das próprias crianças como dos seus familiares e restantes membros da comunidade.

Segundo Ibraima Jalo, chefe de tabanca de Quebo, região de Tombali, as ações de sensibilização levadas a cabo em escolas a respeito de temas como a Educação, Saúde e Género, são importantes porque “com estas atividades as crianças passam a conhecer e exigir aos pais o cumprimento dos seus direitos, principalmente as meninas”. Já Maria, diretora da Escola Básica de Nhala, região de Quínara, revela-se “impressionada” com o impacto deste tipo de ação, pois “as crianças ganharam novos conhecimentos e agora já sabem o que significa ter direitos e deveres e qual a importância dos seus direitos e deveres”.

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