Arquitetura na Guiné-Bissau

29 Set, 2018

Arquitetura na Guiné-Bissau

by Ana Baptista e Hugo Dourado

Este Luso Fonias é dedicado à arquitetura na Guiné-Bissau. Ana Baptista e Hugo Dourado  são arquitetos e fundadores do ColectivoMEL. Há três anos, numa visita à Guiné-Bissau, foram desafiados a desenhar 5 jardins de infância, num projeto desenvolvido pela FEC – Fundação Fé e Cooperação e financiado pelo Camões, I.P.. Dias depois de a Guiné-Bissau ter celebrado o dia da sua independência, a 24 de setembro, e assinalando também o Dia Mundial da Arquitetura, que se celebra a 1 de outubro, juntámos estes dois temas numa conversa com os dois convidados.

Na opinião do P. Tony Neves – África no Coração

“A Guiné-Bissau faz 44 anos de independência. Foi a primeira ‘colónia’ lusófona a gritar alto a liberdade. Mas o país continua muito pobre, com muitas dificuldades na governação, com a diversidade étnica a ser mais problema que riqueza. Há, contudo, que confiar no futuro, abrindo novos caminhos de paz, justiça e mais progresso solidário.

Estou, em Roma, no Encontro dos Novos Superiores Provinciais da Congregação do Espírito Santo. São doze, os eleitos em 2017, vindos de três continentes. Mas, a nota mais saliente é que apenas um não tem sangue africano a correr-lhe nas veias: o da Polónia. De resto, mesmo os Provinciais do Canadá, da Amazónia, da Holanda e da Espanha são de origem africana! Assim se cumpre o grande projecto do segundo fundador Espiritano, o P. Francisco Libermann (francês de origem judaica) que disse um dia: ‘o meu coração é dos africanos!’.

África tornou-se o continente de maior expansão da Igreja católica. Mas quem acompanha bem as notícias sabe que neste continente se vão cometendo grandes atrocidades contra as comunidades cristãs: todos os dias vemos, ouvimos e lemos narrativas de arrepiar os cabelos de atentados contra cristãos na Nigéria, no Sudão do Sul, na República Centro-Africana, na República Democrática do Congo, etc. Os grupos a que chamamos de ‘fundamentalistas islâmicos’ atacam noite e dia, muitas vezes perante a passividade (e, nalguns casos, a cumplicidade) das autoridades locais. Apesar de tudo isto, a Igreja cresce em número e em serviço à comunidade, sobretudo nas áreas da educação, da saúde e do desenvolvimento integral.

Este Encontro de novos líderes Espiritanos permite uma visão do mundo com os olhos de África, vendo futuro onde muitos analistas não vêem. Assim, basta olhar as estatísticas desta Congregação Missionária: há presença em mais de 60 países, mas dos 1045 jovens em formação, 957 são africanos. Ou seja, o futuro está neste continente.

Os primeiros dias do Encontro foram de apresentação dos projectos missionários em curso nos países dos líderes aqui presentes. Impressiona ver tanta criança e jovem em escolas e universidades dirigidas pelos Espiritanos. Marca o coração perceber os milhares de pessoas que são apoiados, na sua busca de cura, pelos hospitais e centros de saúde. São muitos os projectos de desenvolvimento e solidariedade que dão água potável às populações, ajudam a fazer uma agricultura mais rentável, capacitam as pessoas em muitas matérias ligadas à cidadania responsável e aos direitos humanos. São imensos os investimentos feitos na reconciliação das pessoas e na busca e cimentação de caminhos de paz, em contextos de muita violência e pobreza.

O futuro está na saúde, na educação, no trabalho, na habitação… em vidas dignas assentes na justiça, paz e respeito pelos direitos humanos. E, nestes âmbitos, a Igreja católica em África tem e terá uma palavra a dizer porque se compromete com os mais pobres.”

Tony Neves

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