Terminou a COP 24: É preciso mais solidariedade e equidade para enfrentar as alterações climáticas

3 Jan, 2019

Por CDISE

A COP 24 – Conferência das Nações Unidas sobre o clima – em Katowice, Polónia, termina hoje, ao fim de duas semanas. Os negociadores na conferência tiveram a tarefa de delinear o “Livro de Regras de Paris”, próxima etapa crítica na implementação do Acordo de Paris adoptado há 3 anos.

No relatório de referência do IPCC (Outubro de 2018), os cientistas do mundo alertaram-nos para a urgência em pôr em prática todas as medidas possíveis para manter o aquecimento global abaixo de 1,5º C, se quisermos evitar consequências catastróficas. Apontaram claramente que estamos em tempo de emergência climática e que, para salvar o planeta, precisamos de fazer mudanças drásticas nas nossas políticas e estilos de vida. O fim destas conversações e o Livro de Regras de Paris que foi adoptado não reflectem adequadamente a urgência e muito ainda tem que ser feito para implementar medidas mais fortes que possam permitir ficar dentro do limite de temperatura de 1,5º C. A falta de mecanismos fortes para estimular a ambição de reduzir as emissões de GEE, assim como compromissos financeiros sólidos e a exclusão da referência a direitos humanos e a segurança alimentar mostram claramente que os governos estão a desistir da sua responsabilidade em agir para a completa implementação dos compromissos dos acordos de Paris.

Ontem a sociedade civil, incluindo a CDISE, respondendo à aparente falta de compromissos fortes oriundos das negociações, realizaram um enorme protesto dentro da COP 24, lembrando aos leaders políticos as “reivindicações dos Povos”, que coincidem com a evidência científica irrefutável. Junto com muitas outras organizações, sublinhámos que precisamos de acção imediata e ambiciosa; e que deve começar agora uma mudança drástica nos nossos sistemas de produção agrícola e energética; e que a finança deve suportar essa mudança transformacional assim como ajudar os que já estão a lidar com desastres climáticos. Repetimos que, para ser eficientes de verdade, devemos fazer isto de forma justa para as comunidades rurais e da linha da frente, assegurando que a factura não caia mais uma vez em cima dos pobres e dos que são mais afectados – e menos responsáveis – pela presente crise climática. Nesta COP os povos pediram aos governos para pôr em prática acções transformativas: “Ninguém esperava que uma conferência resolvesse sòzinha a crise climática. Mas esperávamos – e merecíamos – melhor que isto” afirmou o povo na acção de ontem.

“Para a CIDSE, o fundamento das políticas climáticas deve ser a solidariedade, pois a justiça climática é um imperativo moral e a solidariedade não pode existir sem humildade.  Os políticos das nações ricas devem ser suficientemente humildes para reconhecer o seu dever de pôr os interesse dos outros em primeiro lugar, para compreender que partilhamos um lar comum e para proteger-nos a todos como uma só família humana” disse Josianne Gauthier, Secretária Geral da CIDSE. A solidariedade deve também estar no centro do nosso sistema económico, exigindo reformas estruturais ambiciosas e profundas, apelando à nossa sociedade para se fixar em novas abordagens e novas políticas: um novo regime comercial para uma economia social e solidária, um diferente sistema bancário e financeiro – uma completa mudança de paradigma.

Os últimos dias passados na COP 24 mostraram-nos de novo que uma tal mudança deve ser fortemente imposta pelas vozes e acções dos cidadãos. Voluntários da rede da CIDSE em grande número juntaram-se em Katowice e comprometeram-se com mudanças radicais do estilo de vida e com acções pelo clima, tornando-se embaixadores para a mudança nas suas comunidades de origem (ver campanha “Change for the Planet – Care for the People” https://changeandcare.atavist.com/). Eles sabem que o seu compromisso – em conjunto com o de vários agentes da sociedade civil – contribuirá para o despertar que vão criar à sua volta, através do poder das suas acções e testemunhos. A CIDSE enquanto rede também se compromete a apoiar este compromisso. Um tal impulso baseia-se no compromisso da Igreja Católica pelo clima, incluindo o comunicado da Santa Sé “Urgent Action and urgent need for a new solidarity” nas conversações sobre o clima.

Documentos adicionais:

A Igreja em todo o mundo apela a uma acção ambiciosa e urgente pelo clima

Os Leaders de Agências Católicas para o desenvovimento apelam a uma urgente acção climática e a uma economia do post-crescimento

A Urgência Climática: Rumo a um Novo Paradigma

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