Papa Francisco leva mensagem de Paz, Esperança e Reconciliação a Moçambique

1 Out, 2019

Entre 4 e 6 de setembro o Papa Francisco esteve de visita a  Maputo, em Moçambique, no âmbito de um périplo pelo continente africano que o levou ainda a Madagáscar e às Ilhas Maurícias. No país lusófono – que este ano teve grande visibilidade internacional pela passagem do Ciclone Idai e pela assinatura dos Acordos de Paz entre Frelimo e Renamo – o Santo Padre foi recebido com grande felicidade, como dá conta Joana Peixoto, técnica formadora da FEC no Niassa, que esteve presente na missa celebrada pelo Papa no Estádio Nacional do Zimpeto

 

e-NCONTROS – Como foi participar na missa celebrada pelo Papa Francisco no Estádio Nacional do Zimpeto?

Foi um grande privilégio. Na verdade eu não esperava. Soube que o Papa Francisco vinha a Moçambique, mas percebi que a visita ia ser em Maputo e eu trabalho no Niassa, que é muito distante. Portanto, não me parecia possível ou provável que eu estivesse presente. Entretanto, as datas alinharam-se e foi possível participar e foi uma alegria muito grande. As pessoas estavam mesmo muito felizes. O momento em que o Papa entra no estádio foi muito especial, porque desde que ele entrou parece que a missa durou uns cinco minutos, porque foi tão rápido e as pessoas estavam tão felizes. Para mim foi mesmo uma alegria muito grande poder partilhar isto com os moçambicanos. Foi muito especial, porque Moçambique também é a minha casa agora. Foi muito bonito.

 

e-NCONTROS – Qual o ambiente que se vivia?

Mesmo antes da missa havia muitas pessoas na entrada do estádio, mas o ambiente estava muito calmo. As pessoas estavam mesmo a querer que as coisas corressem bem e, por isso, tudo estava muito tranquilo. No início havia uma grande confusão da organização, apesar de depois esta ter mostrado que tudo estava muito bem pensado e muito bem estruturado. Notava-se que as pessoas estavam ansiosas por começar, porque todas queriam descobrir o seu lugar para conseguir ver bem. E no momento em que o Papa Francisco entra no estádio eu nem consegui ver muito bem porque havia muita chuva, havia muita confusão ali no centro. Mas eu conseguia ver muito bem a expressão das pessoas que estavam nas bancadas atrás e cada vez que ele se aproximava de uma secção via-se uma felicidade muito grande nas pessoas, uma alegria ao abanar os lenços que as delegações fizeram. Foi mesmo de arrepiar. Ver esta esperança e esta alegria nas pessoas por terem a oportunidade de estar ali, foi muito bonito. Às tantas eu sentia-me mais feliz por ver as pessoas tão felizes do que propriamente por também estar a ver o Papa, apesar de para mim também ser um privilégio.

 

e-NCONTROS – Que mensagem, que sentimento, tiraste desta experiência?

Eu fiquei com esta mensagem que era o tema da visita Papal a Moçambique: Paz, Esperança e Reconciliação. Era também a mensagem que o Papa levava, muito forte, na homilia. Sabemos que este ano o povo de Moçambique tem sido muito afetado pelo ciclone. Toda a gente conhece alguém, toda a gente tem família, amigos, que, mesmo não tendo passado pelo ciclone ou não tendo vivido o ciclone, foi afetado pelas chuvas noutras zonas. Esta esperança vinha mesmo a calhar. Não só por esta situação dos Acordos de Paz e do ciclone, mas esta esperança de que tudo tem sempre uma nova forma e todos devemos ter as mesmas oportunidades. E, quando eu vi o Papa ali, quando vi aquele o estádio cheio, fiquei com este sentimento de felicidade de saber que os moçambicanos estavam a ter aquela oportunidade de ali estar. A oportunidade de viver e partilhar aqueles momentos com o Papa e de também rezar por eles mesmos e pelas suas famílias. E então guardo muito esta ideia de esperança para tudo e de esperança para todos.

Outra ideia que ficou a partir da missa é que quando começou a chover viu-se claramente a resiliência e a vontade das pessoas em estar ali. Ninguém se moveu sequer um milímetro para o lado. Uns arranjaram caixas de cartão, outros taparam-se com panos, mas não houve sequer uma agitação por ter começado a chover e por não ter mais parado até a missa terminar. Depois acabou a missa, o Papa termina a celebração, sai do estádio e a festa continua. As pessoas continuam a dançar, os jovens continuam a cantar e a chuva não incomodou em nada a fé e a vontade das pessoas de estarem juntas e de rezarem juntas naquele momento. Então isso também me ficou muito, por mostrar daquilo que os moçambicanos são e a forma como vivem as coisas.

 

e-NCONTROS – Que efeitos é que a visita do Papa pode ter no país?

Em especial em Moçambique, onde há muitas crianças diversas, muitas culturas e muitas religiões diversas e que coexistem e onde o respeito e a convivência com todos é necessária e os moçambicanos sabem fazê-lo muito bem, eu acho que aquilo que o Papa trouxe também foi muito esta ideia de: “conseguirmos fazê-lo ainda melhor”. Conseguirmos estar juntos e respeitar e viver em comunhão ainda melhor depois desta visita.

 

e-NCONTROS – E nas ruas de Maputo? Como estava o ambiente?

Espantosamente, estava tudo muito sereno. Eu esperava que nesse dia tudo fosse um pouco mais complicado – claroque o trânsito estava um pouco mais complicado do que o normal, porque havia ruas fechadas – masas pessoas faziam tudo muito pacificamente. Eu estive no momento em que o Papa entrou na Sé Catedral de Maputo para o encontro com os religiosos e quem estava cá fora fez realmente uma grande festa quando ele chegou, mas não havia um grande perímetro de segurança. Havia, sim, alguns polícias, alguns voluntários a demarcar o sítio onde as pessoas podiam estar, mas toda a gente respeitou muito isso e notava-se que muitas pessoas saiam do trabalho e do escritório nos minutos em que sabiam que o Papa ia passar na rua e depois voltavam aos seus trabalhos. As pessoas diziam mesmo “no escritório a essa hora não está ninguém. Todos vimos ver o Papa”. Por isso, acho que foi um momento muito sereno.

 

e-NCONTROS – Para finalizar, fala-nos um pouco do teu trabalho no Niassa. Como está a correr o projeto Othukumana/Juntos II?

O projecto está a correr bem. Começou agora em setembro o último ano de projeto, que dura até agosto de 2020. A parte mais teórica do projeto – as formações – têm corrido bem. Agora é um momento mais de acompanhamento e consolidação daquilo que já foi feito, para garantir a sustentabilidade e as mudanças que se pretendiam nos jardins-de-infância e nas escolhinhas, mas o desafio continua. Tenho visitas aos jardins-de-infância para tutoria presencial na área pedagógica; tenho também acompanhamentos das coordenações dos jardins-de-infância e das escolhinhas comunitárias na parte da gestão e administração escolar, porque estamos a terminar muitos dos elementos que são necessários para estar tudo bem estruturado e segundo as normas moçambicanas; e, na última fase do projeto, vai haver uma componente de formação de formadores, para ficarem pessoas capacitadas para depois darem continuidade às formações. O projeto trabalha com nove escolhinhas comunitárias, dez jardins-de-infância privados e um jardim-de-infância público.

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