“Falta vontade política”
No âmbito da segunda edição da iniciativa “Os Dias do Desenvolvimento”, promovida pelo IPAD nos dias 28 e 29 de Abril, a FEC fez o lançamento da campanha “Vamos Criar um Clima para a Justiça”, promovida pela CIDSE (Coopération Internationale pour le Développment et la Solidarité) e pela Cáritas Internacional. A Fundação trouxe a Portugal Cliona Sharkey, responsável pela política da CIDSE para as alterações climáticas que, na tarde de 29 de Abril, conduziu um workshop onde explicou a relação entre as alterações climáticas e o seu efeito particularmente grave nos países em desenvolvimento.
“Falta vontade política para um acordo internacional que altere o comportamento dos países em matérias ambientais”. É partindo desta denúncia que a responsável da organização católica internacional para o desenvolvimento avalia o processo político global sobre esta matéria, que irá culminar na conferência das Nações Unidas sobre as alterações climáticas agendada para Dezembro de 2009, em Copenhaga. O caminho para esta conferência será uma oportunidade para pressionar os governos a assumir um compromisso justo e efectivo para um acordo pós-2012, conclui a especialista.
Na sua opinião, "os governos têm de perceber que não podemos lidar com a crise económica e depois querer lidar com as alterações climáticas”. Em declarações à Agência Ecclesia, Sharkey recordou que, face à crise económica e financeira global, os líderes internacionais mobilizaram milhões de euros, “num curto espaço de tempo, com vista a estimular as economias, simplesmente porque havia vontade política para o fazer”. As alterações climáticas “estão na maioria das agendas políticas internacionais, o que é positivo”, reconhece, mas existe o risco de os governos se focarem apenas no emprego e na recuperação económica e relegar as alterações climáticas para segundo plano, avisa: “devemos reconhecer que a quantia monetária gasta para travar as alterações climáticas é bem menor quando comparada com o dinheiro gasto nos estímulos económicos e em despesas militares”.
Parcerias locais para uma consciencialização global
Aos presentes no workshop organizado pela FEC, Cliona Sharkey deixou exemplos de algumas acções que têm sido realizadas pelos membros da CIDSE, explicando que, noutros países onde a campanha foi já lançada, decorrem parcerias políticas e sociais para a consciencialização deste problema. Para além do trabalho desenvolvido junto das populações para mitigar os efeitos dos desastres naturais, a CIDSE pretende intervir no processo internacional que decorre nas Nações Unidas para se chegar a um acordo internacional sobre alterações climáticas, o qual irá “estabelecer a agenda dos políticos nesta área, a nível global, durante os próximos anos”, sublinha Sharkey.
Através da campanha “Vamos Criar um Clima para a Justiça”, a CIDSE e os seus parceiros querem que seja estabelecido um acordo internacional que reconheça a defesa e o direito ao desenvolvimento sustentável das populações nos países em desenvolvimento e o compromisso dos países industrializados em apoiar de forma adicional, segura e acessível, a adaptação dos países em desenvolvimento ao impacto das alterações climáticas.
A organização pede ainda a redução, em pelo menos trinta a quarenta por cento, das emissões de gás com efeito de estufa pelos países industrializados, até 2020, avançou à Ecclesia a especialista. Como defendem vários cientistas e economistas proeminentes, Cliona Sharkey alerta para o facto de que “quanto mais tarde agirmos, mais vidas vamos perder”, pois o preço a pagar pelas alterações climáticas será tanto maior quanto mais se adiar a adopção de uma solução global.
Afinal, o ambiente depende de todos nós e, por isso, nunca é demais discutir a sua defesa. Foi talvez por isso que os participantes do workshop realizado no decursos da iniciativa “ Os Dias do Desenvolvimento” discutiram em grupos que acções podem ser promovidas em Portugal durante a campanha “Let’s Create a Climate for Justice», e que meios e canais devem ser utilizados, a favor de um acordo globalmente justo sobre as alterações climáticas.
Estas ideias serão exploradas pela FEC, que está responsável por dinamizar a campanha em Portugal nos próximos meses, na qualidade de membro (desde 2008) da CIDSE, coligação internacional para o desenvolvimento, com sede em Bruxelas, que actua em toda a Europa e no Norte da América.
Cooperação “por um mundo sustentável”
A FEC marcou presença na iniciativa “ Os Dias do Desenvolvimento” com um stand, no qual disponibilizou materiais sobre a sua actividade e divulgou a Campanha Internacional dedicada às alterações climáticas e à pobreza, “Let’s Create a Climate for Justice”.
Sob a temática “Por um Mundo Sustentável – Desenvolvimento e Recursos”, a iniciativa reuniu, no Centro de Congressos de Lisboa, 57 instituições que realizam trabalho de cooperação, nomeadamente associações empresariais, escolas, universidades, fundações, câmaras municipais e organizações da sociedade civil.