Copenhaga 2015 - Diário - 11 de Dezembro
Sexta, 11 Dezembro 2009
À entrada do Bella Centre foi preciso passar por um sistema de segurança igual ao dos aeroportos; durante a Conferência, o centro de congressos é território sob a jurisdição das Nações Unidas. Fiz depois a acreditação, como um dos 80 membros da delegação da CIDSE e da Caritas Internationalis. Na fila, um grupo de 65 japoneses vindos de Quioto entretinham-se a tirar fotografias e ofereceram-me duas construções em origami.
Já com o cartão ao pescoço, entrei no espaço da Conferência e dirigi-me ao stand da CIDSE-Caritas. Os expositores são pequenos, apenas uma bancada, mas fiz questão de lá pôr, junto dos documentos de posicionamento político da CIDSE e da Caritas, o boletim da FEC dedicado às alterações climáticas.
Estão 15.000 participantes e 5.000 jornalistas no Bella Centre. Há várias bancas de organizações não governamentais, salas para eventos paralelos, debates a decorrer, pequenas manifestações – um frenesim permanente de gente de um lado para o outro . A zona de computadores é enorme; foi aí que me encontrei com Francisco Ferreira e Rita Antunes, da Quercus, que integram a delegação oficial portuguesa. O Francisco estava a dar uma entrevista para a SIC via Skype.
À saída do Bella Centre, um grupo de senhoras chinesas distribuíam propaganda ao vegetarianismo, com imagens de vários animais comestíveis a pedir clemência aos humanos: vacas, porcos, galinhas e... cães!
A delegação CIDSE-Caritas reuniu-se no salão da paróquia de Saint Ansgar, a catedral católica de Copenhaga. A meio da tarde tivemos um encontro, para que todos se conhecessem, e teve também alguns testemunhos – por exemplo, de um padre do Kiribati, um Estado do Pacífico que tem assistido à subida do nível do mar nas suas ilhas. Tive a oportunidade para travar conhecimento com outras organizações presentes, em particular com os directores da Caritas de Espanha e Chile, e com outros membros da CIDSE – Manos Unidas de Espanha, CAFOD da Inglaterra, Fastenopfer da Suíça.
Em seguida houve uma missa na catedral, presidida pelo Arcebispo Cyprian Lwanga, de Kampala (Uganda) e concelebrada pelos Bispos João Silota (Moçambique), Theotonius Gomes (Bangladesh), Gustavo Vega (México) e Martinus Situmorang (Indonésia). Foi o momento para contextualizarmos a nossa campanha na responsabilidade de preservamos a Criação divina e de zelarmos pelos direitos dos mais pobres, que são os mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas.
A noite terminou com uma ceia oferecida pela Caritas Dinamarca. A Secretária-Geral da Caritas Internationalis, Lesley-Anne Knight, deu as boas-vindas e lembrou que estamos todos aqui em nome dos mais pobres, para quem trabalhamos, e sublinhou ainda que podemos trazer a mais-valia da visão moral cristã ao debate do ambiente.
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