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Expectativas e preocupações dos Bispos Lusófonos

“O amor é universal – dentro e fora da Igreja. A parábola do Bom Samaritano é paradigmática. Mas, ressalvada esta universalidade do mandamento do amor, existe também uma exigência especificamente eclesial – precisamente a exigência de que, na própria Igreja enquanto família, nenhum membro sofra por passar necessidade” (D.C.E. 25). Este encontro das Igrejas Lusófonas tem esta motivação. Tornar o amor força para um desenvolvimento integral – de todo o homem e do homem todo. A língua pode ser um pretexto, não para separar dos dramas universais, mas por fortalecer os laços dum amor visível entre nós. Com o amor o desenvolvimento apressa-se e a paz e a harmonia permitem um alento especial para partirmos, como Igreja dum país ou colegialmente, ao encontro das coisas incompreensíveis do mundo hodierno”.

D. Jorge Ferreira da Costa Ortiga,
Arcebispo Primaz de Braga Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa

DECLARAÇÕES DOS BISPOS PARTICIPANTES D. JOSÉ LAI (MACAU)

Expectativas: Para a Diocese de Macau será a primeira participação nestes encontros das Igrejas Lusófonas e por esta razão será um encontro marcado pela abertura e pela escuta das outras Igrejas Lusófonas.
Preocupações: Salienta como principal preocupação a ser abordada a falta de recursos humanos e de missionários que falem português para o apoio à comunidade católica portuguesa residente em Macau. Por isso, a delegação de Macau será composta pelo P.e Luís Xavier, vigário episcopal responsável pela pastoral da comunidade portuguesa.

D. ARLINDO GOMES FURTADO (CABO VERDE):

Expectativas: É a primeira oportunidade de participar como Bispo por isso este Encontro reveste-se também de uma importância pessoal. Tratando-se provavelmente da Igreja da Lusofonia mais jovem, a Igreja em Cabo Verde espera sentir as Igrejas mais próximas, tendo em conta que o contacto humano, visível neste Encontro pela presença de delegações representantes de 9 Igrejas da Lusofonia, é já um sinal real do espírito de Comunhão e de Cooperação que as une.
Preocupações: Dentro da Igreja são três as grandes áreas que o preocupam: a Formação (em particular a sensibilização/formação vocacional e a sua sustentação, tendo em conta que na sua maioria, os seminaristas estudam fora de Cabo Verde, em Portugal designadamente); a área das infra-estruturas (falta de meios de apoio e de infra-estruturas que suportem a actividade pastoral, nomeadamente a reconstrução de Igrejas que põem em causa os próprios cristãos mas também de infra-estruturas de apoio às actividades sociais como estruturas de formação de leigos, de centros de apoio social, e que permitam melhorar as condições de trabalho prestado às populações); e a área logística com a falta de meios de acção (tão simples como os meios de transporte).

No âmbito da inserção da Igreja na Sociedade, é preocupante a emergência de tantos grupos religiosos ligados a seitas, sediados em bairros pobres. Por outro lado, a preocupação com os jovens que têm perspectivas de emprego baixas, com falta de uma formação técnico-profissional e pouca formação de base. Associada a este factor de instabilidade social prende-se a emergência rápida do turismo e o consequente confronto das pessoas com outros níveis de vida ao mesmo tempo que são exigidas condições indevidas de trabalho, em particular às mulheres. Estes factores desequilibram e desorganizam a sociedade e o trabalho pastoral.

D. JOSE CAMNATE (GUINE-BISSAU)

Expectativas: Sobretudo o reforço da Cooperação entre as Igrejas Lusófonas e a partilha de preocupações e de soluções;
Preocupações: Guiné-Bissau é um país marcado pela instabilidade política e há uma preocupação com o aumento da pobreza. Assim, são necessários mais recursos de qualidade para colaborar na luta contra a pobreza para tornar a população mais autónoma, em particular nas áreas da Educação, Saúde e Comunicação Social.

D. TOMÉ MAKHWELIHA (MOÇAMBIQUE)

Expectativas: Maior colaboração entre as Igrejas Lusófonas, em particular em recursos humanos e missionários na pastoral, e uma abordagem concreta de solidariedade em certas situações políticas de alguns países, apoio recíproco para questões problemáticas do nosso tempo: aborto, HIV-Sida, casamentos homossexuais, democracia, e apoio recíproco a determinadas necessidades de cada país (Seminários, Universidades e Faculdades Católicas, Conferências Episcopais).
Preocupações: Problemas actuais da Igreja de Moçambique: 1. A questão da Democracia e da Justiça Social, do reconhecimento do estatuto jurídico da Igreja e das Dioceses, o combate à fome e à pobreza e a novas formas de exploração de pessoas e de recursos. 2. O Seminário Maior de Santo Atanásio que não foi ainda concretizado, as questões da Faculdade de Teologia e de Filosofia da Universidade Católica e da sede da Conferência Episcopal que os Bispos desejam, mas para as quais não temos nem dinheiro, nem pessoal para as realizar.

D. BASÍLIO DE NASCIMENTO (TIMOR-LESTE)

Expectativas: Tenho as expectativas de um curioso. Por uma razão ou por outra nunca foi possível acompanhar o acontecimento por dentro. Por isso, vou para ver, ouvir, escutar, aprender, partilhar alguma coisa que porventura possa ser partilhada da minha parte, mas pretendo sobretudo observar e aprender com a experiência de quem já anda nisso há um certo tempo. Só tenho a ganhar porque certamente vai haver muita riqueza de experiência.
Preocupações: Resumidamente, hoje a Igreja é o motor de tudo em Timor; é um motor na formação, na criação de infra-estruturas, na educação, no urbanismo, na saúde, na assistência social, é a instituição de maior credibilidade, tanto assim é que o Estado e várias organizações internacionais pretendem tê-la como a parceira prioritária e ideal para a implementação dos seus planos. Com toda a solicitação do desenvolvimento e do social, receia-se que a Igreja descure um tanto ou quanto aquela que é a sua missão prioritária, que é a Evangelização.

D. ODILO PEDRO SCHERER (BRASIL)

Expectativas: Partilha de informações sobre a situação eclesial, social e política de cada um dos nossos países, conhecimento de experiências de vida eclesial que marcam as Igrejas locais dos nossos países, discussão sobre alguma proposta concreta e viável de solidariedade missionária entre as nossas Igrejas locais e a alegria do reencontro em Portugal, especialmente no Santuário de Fátima.
Preocupações: A situação religiosa brasileira marcada por fortes mudanças e que tem levado à saída de muitos fiéis da Igreja Católica e ao crescimento dos grupos neo-pentecostais, a promoção de uma “nova evangelização” em profundidade, mediante o despertar de uma nova missionariedade em toda a nossa Igreja, a preparação da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, que será realizada em Maio de 2007 em Aparecida, no Brasil e a situação social, política e económica, marcada pela persistência da pobreza e de graves situações de injustiça social, pela violência e pela degradação do tecido social, pelos escândalos e factos de corrupção que deixam muitas pessoas decepcionadas com a política e o político.



10/10/2006 | FEC | Igrejas Lusófonas
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