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VIII Encontro das Igrejas Lusófonas

VIII Encontro das Igrejas Lusófonas

 

Encontro em Macau iniciou em clima de partilha

sobre os principais desafios de hoje nestas Igrejas

 

Na sequência de uma deliberação tomada durante o VII ENCONTRO, em Fátima, em 2006, foi convocado e está a decorrer o VIII ENCONTRO na Diocese de Macau, por amável convite do seu Bispo, D. José Lai.

 

Após a apresentação dos delegados de cada Igreja de cada país lusófono, cujos nomes se anexam a esta INFORMAÇÃO, teve lugar uma sessão de boas vindas por parte do anfitrião, D. José Lai, tendo sido depois apreciada a proposta de agenda e os horários a que obedeceria o decorrer das várias sessões.

 

Como vem sendo hábito nestes ENCONTROS, a partilha entre as várias Igrejas ocupa sempre o primeiro lugar na agenda estabelecida, uma vez que, numa Igreja de Comunhão, ninguém ensina nada a ninguém, mas todos aprendem com a permuta de informações e análises de natureza religiosa, antropológica e sócio política dos seus Povos.

 

Durante os dias 24 e 25 foram detalhadamente apresentadas por cada Bispo representante de cada Conferência Episcopal dos vários países lusófonos os problemas e desafios que se colocam às suas Igrejas e algumas linhas de orientação pastoral que vão sendo ensaiadas para continuar a construir o Reino de Deus, através de uma nova Evangelização, em tempos que deixaram há muito de ser de Cristandade para se transformarem num novo ciclo de Evangelização em contextos sociais, antropológicos, políticos marcados já por uma acentuada descristianização, indiferença religiosa, e por um laicismo agressivo que perpassas por todos os países onde a Igreja continua a evangelizar.

 

A concentração de multidões de pessoas à volta das grandes cidades com todos os problemas que tal concentração significa são, por um lado, grandes desafios que se colocam à Igrejas, mas, por outro, constituem também oportunidades de intervenção pastoral que reclamam dos agentes evangelizadores criatividade, um grande discernimento dos sinais dos tempos e de uma atenta análise dos múltiplos e complexos problemas com que o seu rebanho se confronta, com especial destaque para os mais pobres, as vítimas de guerras, da corrupção, de injustiças e de gravíssimas situações ao nível da saúde e do analfabetismo.

 

Após a apresentação de cada Bispo da situação da sua Igreja em cada país, foi-se procedendo a um diálogo muito participado sobre vários problemas identificados, até porque, como resultou da partilha de informações realizada, muitas das situações cruzam-se em vários países, embora com características e expressões diferenciadas.

 

Da parte de várias Igrejas foi colocada à Conferência Episcopal Portuguesa uma interpelação no sentido perceber o porquê da forma desumana como está a ser conduzida, na Europa. a questão da imigração. Foi um tema que mereceu uma reflexão muito atenta e aprofundada e, através da qual se, por um lado, se manifestou compreensão pela complexidade que este fenómeno representa para os países de acolhimento, por outro, é também factor de descontentamento pela forma discriminatória como muitos imigrantes estão a ser tratados.

 

Foi também amplamente abordada a situação de muitas centenas de estudantes dos vários países lusófonos que, sobretudo em Portugal, Brasil e Cuba, buscam uma oportunidade para se formarem e que, frequentemente, se sentem desamparados por falta de cumprimento de promessas de apoio que depois não se verificam, deixando-os à mercê de exclusões, muitas vezes dolorosas, que deixam mal tanto os países de proveniência como o país de acolhimento!

 

Mereceu também uma atenção especial a situação verificada em Timor, atendendo às consequências do atentado ao Presidente da República, e de Angola, na sequência das eleições e das consequências que a manifestação do povo, através do voto livre, sempre significa.

Das explicações dadas, resulta uma razão para a esperança, embora sempre acompanhada de uma grande atenção e percepção do sentido da marcha que novos actores políticos podem imprimir aos seus Povos, de forma a que a Igreja se vá habituando a, sem renunciar aos seus PRINCIPIOS E VALORES, aprender a conviver com as diversidades culturais, religiosas, etnolinguísticos que cada vez mais vão convivendo com tradições religiosas e/ou de religiosidade popular, o que implica uma pedagogia pastoral atenta e de grande proximidade com as pessoas para as ajudar a discernir o que é e o que não é cristianismo autêntico.

 

Ainda no dia 25, foi introduzido o tema de fundo deste VIII ENCONTRO, a saber: “as questões sociais à luz da globalização”.

 

Em próxima INFORMAÇÃO, serão apresentadas as linhas estruturantes desta conferência, que esteve ao cuidado de D. Jorge Ortiga e D. Carlos Azevedo, em representação da Conferência Episcopal Portuguesa.

 

 

 

Lista de participantes:

 

- Angola: D. Damião António Franquelin

- Brasil: D. Luiz Soares Vieira e D. João Alves dos Santos

- Cabo Verde: D. Arlindo Gomes Furtado;

- Guinéu-Bissau: D. Pedro Carlos Zilli

- Moçambique:D. Francisco Chimoio

- Portugal: D. Jorge Ortiga e D. Carlos Azevedo

- S.Tomé e Príncipe: D. Manuel António Mendes dos Santos

- Timor: D. Alberto Ricardo da Silva

- Macau: D. José Lai.

 

Macau, 25 de Setembro de 2008

 

P’lo Secretariado do VIII Encontro das Igrejas Lusófonas



26/09/2008 | FEC | Igrejas Lusófonas
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