Voluntariado Misisonário a Crescer
Acção do Voluntariado Missionário reforçada em 2009
Nos últimos anos, muitos jovens portugueses têm optado por dedicar gratuitamente parte do seu tempo e dos seus conhecimentos em benefício do desenvolvimento dos povos, através da participação em projectos de Voluntariado Missionário, principalmente em Países de Língua Oficial Portuguesa. Este gesto de doação gratuita e voluntária tem permitido fortalecer o trabalho que muitos missionários desenvolvem no terreno, desde há vários anos, sendo um forte contributo na ajuda ao desenvolvimento de comunidades locais. Em 2009 serão 381 voluntários a tomar parte deste dinamismo missionário, aumentando em 35% o número das partidas para o estrangeiro, relativamente ao ano passado. Efectivamente, são cada vez mais os que encontram no Voluntariado Missionário uma forma de tomar parte de uma dinâmica de solidariedade global, constituindo uma resposta concreta a necessidades específicas.
Em Portugal, existem cerca de 50 entidades que enviam voluntários em missão. Destas entidades fazem parte Grupos de Acção Social, ligados a Universidades, ONGD, IPSS, Associações, Institutos/Congregações Religiosas, Paróquias e Dioceses.
Nascido há 21 anos, o Voluntariado Missionário é hoje uma realidade consolidada, que assume uma forte expressão em Portugal.
Número de voluntários em missão
Segundo os dados que chegaram à Fundação Evangelização e Culturas (FEC) até ao dia 29 de Junho, este ano partirão 381 voluntários em missão para Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Brasil, Timor-Leste, República Centro Africana, Taiwan e Tailândia. Moçambique, à semelhança dos anos anteriores, é o país para onde parte o maior número de voluntários – 208, o que equivale a 55% das partidas. Angola ocupa o segundo lugar na tabela das partidas, recebendo este ano 59 voluntários (16%). Cabo Verde contará com 41 voluntários (11%). A Guiné-Bissau receberá 21 (6%). São Tomé e Príncipe e Brasil contarão com 18 e 19 voluntários, respectivamente, o que equivale a 4% em cada país. Timor-Leste receberá 12 voluntários (3%) e República Centro-Africana, Taiwan e Tailândia receberão um voluntário, o que corresponde a 0,3% do total para cada um.
Os voluntários partirão em missões de curta duração (de 15 dias a 6 meses) ou de longa duração (mais de 1 ano). Este ano 321 voluntários (84%) entregarão à missão entre 15 dias e 6 meses da sua vida e 60 (16%) ficarão nos países em desenvolvimento por um período superior a 1 ano.
A maioria dos voluntários que partirá este ano tem entre 16 e 25 anos (241, o que corresponde a 63%); 82 têm entre 26 e 35 anos, o que equivale a 22% do total; 30 têm entre 36 e 50 anos, correspondendo a 8%; e 20, ou seja, 5% têm mais de 51 anos.
[1]
Distribuição por género
Tal como nos anos anteriores, todos os países receberão um maior número de mulheres do que homens. Excepção feita a Taiwan, para onde partirá apenas um voluntário do sexo masculino, e a Cabo Verde, para onde partirão dois voluntários. No total, partirão em missão 277 mulheres e 104 homens, o que, em termos percentuais, significa que 73% dos voluntários missionários são mulheres e 27% são homens.
Dados a reter
É de salientar que 70 voluntários (18%) partirão em missão pela segunda ou terceira vez, repetindo a experiência de anos anteriores, sublinhando a importância que este tipo de projectos ocupa na vida de quem os realiza. Há a reter também que um número significativo de voluntários realiza experiências missionárias em Portugal, sobretudo nos meses de Verão e, principalmente, em regiões do interior do País.
Realça-se ainda que o perfil dos voluntários tem vindo, gradualmente, a sofrer algumas alterações. Até há muito poucos anos o Voluntariado Missionário era realizado, sobretudo, por jovens universitários ou recém-licenciados. Hoje, sendo ainda maioritário o número de voluntários com este perfil (56%), há um número crescente de pessoas em idade adulta que opta por doar parte do seu tempo à vida missionária (44%).
[2] Dentro destes, encontram-se jovens e adultos que, ocupando lugar na vida activa, realizam experiências missionárias durante o período de férias (52%); jovens e adultos que deixam o seu percurso profissional para partir em missão, pedindo licença sem vencimento (13%) ou despedindo-se dos seus empregos (16%); e, finalmente, adultos na idade da reforma, que optam por colocar os seus conhecimentos ao serviço das populações, mesmo depois de se retirarem do mercado de trabalho (10%). É de acentuar ainda que o número de desempregados a partir em missões é muito residual (6%) e que 3% dos voluntários não respondeu a esta questão.
Desde 2003 que a Fundação Evangelização e Culturas, ao funcionar como Plataforma do Voluntariado Missionário, reúne os dados que contribuem para as estatísticas desta realidade que se tem vindo a consolidar ao longo dos últimos 21 anos em Portugal. João Paulo II lançou o apelo “Portugal, convoco-te para a Missão” quando visitou o nosso país em 1998. Nestas duas últimas décadas, Portugal correspondeu com 3447 respostas positivas no que concerne ao voluntariado em missão Ad Gentes, sendo que, destas, 2070 aconteceram nos últimos 7 anos.
|
Ano |
Nº total de voluntários |
Nº Entidades envolvidas |
Partidas por
1 a 2 meses |
Partidas por
1 a 2 anos |
|
2003 |
290 |
26 |
227 |
63 |
|
2004 |
301 |
29 |
202 |
99 |
|
2005 |
291 |
33 |
223 |
68 |
|
2006 |
261 |
30 |
214 |
47 |
|
2007 |
263 |
32 |
198 |
65 |
|
2008 |
283 |
37 |
220 |
63 |
|
2009 |
381 |
44 |
321 |
60 |
Embora se verifiquem pequenas variações, é evidente que o número de voluntários e entidades envolvidas em projectos missionários tem vindo a crescer. Este aumento significa que são cada vez mais aqueles que, anualmente, investem grande parte do seu tempo com o objectivo de partir para terras distantes com o intuito de construir um mundo onde todos os homens possam viver com dignidade. São muitas as horas de formação para uma preparação que se quer cada vez mais exigente; são muitas as mangas que se arregaçam para angariar os fundos necessários; mas são, sobretudo, muitos os sonhos de quem sente no seu coração este apelo para a missão.
O número crescente de entidades envolvidas tem dado mostras de capacidade para a continuidade dos projectos e para a consolidação da identidade de cada uma.
60 Voluntários portugueses
partem com compromisso de 1 a 2 anos