A FEC divulgou os relatórios de monitorização dos seus projectos em Angola e na Guiné-Bissau, onde desenvolve projectos de desenvolvimento, investindo significativamente nos sectores de educação, formação em zonas isoladas e rurais. A alfabetização e a formação de professores e directores de escolas nestes dois países lusófonos é uma realidade.
Na Guiné-Bissau, o «+ Escola» é um projecto-piloto de dois anos que encerra em Agosto de 2009. Conta com o co-financiamento do IPAD, Plan, Comissão Interdiocesana de Educação e Ensino Cáritas da Guiné-Bissau, SNV para melhorar a educação básica através da formação em serviço de professores e directores de escolas, de membros da comunidade e das associações, responsáveis pela sustentabilidade financeira da escola. O projecto desenvolve-se essencialmente nas regiões de Bafatá, Cacheu, Tombali e Quínara.
O primeiro semestre do «+ Escola» foi marcado por diversos incidentes sócio-políticos na Guiné-Bissau, dos quais se destacam as repercussões da queda do Governo, em Agosto, as eleições e movimentações militares em Novembro e Dezembro de 2008, os assassinatos ao Chefe Maior General das Forças Armadas e do Presidente da República, em Março de 2009.
Apesar deste contexto pouco estável, o progresso do «+ Escola» evidencia que as escolas, a maior parte de forte envolvimento comunitário, registam globalmente um desempenho elevado. A participação dos directores tem rondado os cem por cento, o mesmo não se verificando em relação aos professores. O contexto do país continua a ser contrário à presença de raparigas como alunas e consequentemente de mulheres na qualidade de professoras e directoras. O trabalho da FEC nesta matéria tem incidido na sensibilização realizada junto dos decisores da comunidade e da escola. A gestão escolar trabalhada junto de directores e associações constitui um dos pontos forte destacado pelas escolas, reflectido na elaboração de orçamentos e na preocupação em pagar o subsídio para os professores de modo a que não façam greves.
Educação Para Todos em Angola
Em Angola, a FEC trabalha em parceria com a Diocese de Lwena, os Salesianos e o IPAD desde Novembro de 2008. O projecto «Educação em Movimento na província do Moxico» pretende ser um contributo para uma Educação Para Todos através de um programa de alfabetização em oito municípios da maior província do país: Alto do Zambeze, Bundas, Camanongue, Léua, Luacano, Luau, Lumeje, Moxico.
A correlação entre educação/alfabetização e pobreza foi traduzida por Amartya Sen naquele que virá a ser assumido como o lema da Década das Nações Unidas para a Alfabetização (2003-2012): «alfabetização como liberdade». Por esta razão, a alfabetização de adultos e jovens com mais de quinze anos de idade, idade considerada produtiva no país, constitui uma das estratégias do Governo de Angola para a política de estratégia de consolidação da paz e na redução da pobreza.
O regresso de refugiados e deslocados às suas comunidades natais, acompanhado de infra-estruturas degradadas ou inexistentes, exigem um esforço de construção e integração por parte de entidades estatais angolanas e entidades financiadoras no quadro de uma cooperação eficaz. O Relatório de Monitorização (Novembro 2008 – Abril 2009) lança conclusões e recomendações para o Governo de Angola, sem o qual as metas a alcançar até 2015 de uma Educação Para Todos é impossível de alcançar, a Diocese de Lwena, entidades não governamentais, nomeadamente a própria FEC, promotora deste projecto de alfabetização seguindo o Método Dom Bosco premiado pelas autoridades angolanas.