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“É na diversidade que se podem construir sinergias”

Depois de nove anos de colaboração “providencial” com a FEC, Sandra Lemos deixa aqui o seu testemunho de regozijo por ter “contribuído para a lógica de comunhão” que a FEC promove, através do trabalho em rede. E sublinha a sua admiração pelos missionários, pelo exemplo de “ entrega de toda uma vida ao serviço da missão”.

A oportunidade de trabalhar na FEC surgiu após um período de dois anos de voluntariado missionário em Moçambique. Já no final da licenciatura em Relações Internacionais tinha sentido o apelo de colocar o curso ao serviço da cooperação para o desenvolvimento, da solidariedade internacional e contribuir para uma nova forma de olhar o Mundo e as relações entre países e comunidades com diferenças de oportunidades tão grandes. Ainda pude trabalhar noutra ONGD durante um ano e meio, antes de me lançar na aventura de partir para Moçambique através dos Leigos para o Desenvolvimento.

@ Sandra LemosA experiência de terreno, para além de permitir crescer na dimensão da interculturalidade, da aculturação e de ter sido muito rica nos relacionamentos que foram nascendo com a comunidade local, foi também muito marcante no contacto com os missionários. O seu testemunho de entrega de toda uma vida ao serviço da missão e a amizade que necessariamente acontece entre leigos e religiosos, deixou em mim uma grande admiração por estas pessoas e uma saudade grande da comunhão ali vivida, tão intensamente, ao longo de dois anos.

Neste sentido, poder integrar uma organização como a FEC - uma ONGD instituída pela Igreja e com uma vocação muito concreta para potenciar a ligação entre Portugal e os países lusófonos no âmbito de diversos tipos de laços de cooperação -, contando com um forte contacto com os missionários, foi para mim algo providencial, pois permitia de algum modo dar continuidade ao trabalho que havia desenvolvido no terreno: a promoção do desenvolvimento integral das populações, com o apoio e a colaboração de inúmeras estruturas da Igreja.

A minha colaboração na FEC iniciou-se nas áreas da geminação de paróquias, do voluntariado missionário, da Antena Fé e Justiça África-Europa e na implementação do PAEIGB (Projecto de Apoio à Educação no interior da Guiné-Bissau), que no início previa o envio de doze técnicos voluntários para colaborar na área da educação no interior da Guiné-Bissau, contando também com o apoio e a parceria dos missionários. Por vezes era difícil reunir capacidades para realizar tudo o que se gostaria mas, ainda assim, alguma coisa foi sendo construída e nesse aspecto foi gratificante contribuir para o crescimento da FEC.

Com o passar do tempo as minhas funções foram-se alterando. Outras ideias, projectos e necessidades foram surgindo, a equipa foi crescendo e tornou-se importante desenvolver uma vertente de sensibilização e uma vertente de comunicação. No primeiro caso, o objectivo era contribuir para a formação de uma opinião pública em Portugal mais conhecedora e próxima da realidade dos países lusófonos e mais comprometida com o papel e a importância da cooperação missionária, da cooperação para o desenvolvimento. No segundo, dar mais a conhecer o trabalho da FEC e, por essa via, continuar a apoiar a difusão de informação sobre os desafios que o Mundo enfrenta hoje no âmbito da interdependência global e de um Desenvolvimento que seja sustentável para todos. São aspectos bastantes interligados, por isso a FEC foi procurando promover sinergias entre várias áreas. Fomos vários os que colaborámos nestas dimensões de trabalho.

No meu caso, a passagem pela FEC correspondeu, assim, a nove anos de um trabalho bastante variado e desafiante que, naturalmente, umas vezes correu melhor, outras vezes correu pior. Com a ajuda das novas tecnologias, a FEC tem promovido uma forma de trabalho em rede entre vários interlocutores – voluntários, dioceses, congregações religiosas, outras entidades civis – e, pessoalmente, sinto-me contente por ter contribuído para essa lógica de uma crescente comunhão, pois não há dúvida que é na riqueza da diversidade que se podem construir diversas plataformas de sinergias e enriquecimento mútuo. Acredito que essa forma de trabalhar, pelo modo como nos interpela a sair da nossa pequena realidade, ajuda-nos também a ser pessoas melhores e, consequentemente, a tornar o Mundo um lugar melhor!

Sandra Lemos
Agosto de 2009



27/08/2009 | Sandra Lemos | FEC
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