"Dar vida” a bens com utilidade social
A ENTRAJUDA ajuda instituições de solidariedade social a quebrar ciclos de pobreza, dotando-as de conhecimento, ferramentas e bens que as tornam mais eficazes no apoio que prestam às populações carenciadas. Apoio à gestão, Bolsa do Voluntariado, distribuição de produtos não alimentares e de equipamentos, formação e promoção da saúde oral são alguns dos principais serviços disponibilizados com recurso a trabalho voluntário, sublinha Rui Botelho, responsável do Banco de Equipamentos.
No actual contexto, em que a sustentabilidade ambiental tem especial impacto na área social, já que “o consumo desenfreado e pouco racional de recursos origina um esgotamento das matérias-primas, tornando-as mais caras e dificultando, assim, o acesso a muitos bens pelas populações mais carenciadas”, a ENTRAJUDA luta contra o desperdício, promovendo a reutilização de equipamentos que, apesar de serem considerados em fim de vida por alguns utilizadores, ainda possuem as características necessárias para serem usados por outros. E fá-lo através do Banco de Equipamentos, que desde 2008 recupera bens com utilidade social - como equipamentos eléctricos (frigoríficos, torradeiras, ferros de engomar, etc.) e electrónicos (computadores, impressoras e outros) – colocando-os ao serviço do Terceiro Sector ou, quando já não estão totalmente operacionais, encaminhando-os para uma correcta reciclagem, reduzindo impactes ambientais. Recuperar, Reutilizar, Reciclar norteiam toda a actividade, explica Rui Botelho.
O envolvimento de diversos parceiros é fundamental para o desenvolvimento do projecto: pessoas e empresas doam equipamentos, apoios financeiros (caso da Fundação EDP ou a Caixa Geral de Depósitos) e serviços (AMB3e, Djomba, Variograma, APDSI). Para além disso, com a preocupação de disseminar boas práticas de utilização de produtos licenciados, ou seja, legais, a ENTRAJUDA aderiu à Comunidade MAR (Microsoft Authorized Refurbisher). Na área que considera mais relevante, a recuperação de equipamento informático, foram já entregues 579 computadores a 109 Instituições.
Em simultâneo, voluntários da organização ajudaram na definição e implementação das soluções técnicas para a concretização de vários projectos em instituições de solidariedade, soluções estas que contribuem para aumentar a sua capacitação, tornando-as mais eficientes através de ferramentas que não têm meios para adquirir. Segundo o seu responsável, o Banco de Equipamentos utiliza o canal de distribuição e outras estruturas do Banco de Bens Doados – o seu “irmão mais velho” -, responsável pela distribuição de roupa, detergentes, mobiliário e outros produtos com utilidade social. As necessidades das instituições candidatas a apoio são previamente avaliadas, seguindo-se visitas de acompanhamento.
A recuperação de equipamentos informáticos para doação a instituições é um projecto totalmente pioneiro em Portugal, garante: a ENTRAJUDA é o único Centro de Recolha de Resíduos de Equipamentos Eléctricos e Electrónicos que tem como primeira opção a reutilização, para a gestão de bens considerados em fim de vida. É também a única entidade em Portugal que beneficia das vantagens de integrar a Comunidade MAR.
Fiel à sua preocupação de inclusão social, a IPSS celebrou um protocolo com o Instituto do Emprego e da Formação Profissional, cujo objectivo é proporcionar um estágio prático no Banco de Equipamentos a formandos que frequentaram cursos de reparação de material informático. Este estágio permite aliar a vertente prática à teoria transmitida nos centros de formação. Os computadores entregues a instituições podem ser utilizados na sua gestão ou colocados ao serviço dos utentes permitindo, por exemplo, redigir um curriculum e responder a anúncios de emprego, ou, de um modo mais genérico, combater a infoexclusão. Como sugere Rui Botelho, “basta pensar na importância das Tecnologias da Informação e Comunicação no mundo em que vivemos, para perceber que a infoexclusão é uma forma de exclusão social para quem não tem meios para aceder a estes equipamentos”.
Face à presente crise, que “está a gerar preocupações nas empresas e nos particulares que procuram intervir para minorar os seus efeitos”, toda esta ajuda, para ser eficaz, “deve ter em conta o conhecimento real das situações, maioritariamente detido por quem já está no terreno há algum tempo, como é o caso das instituições de solidariedade social. Por outro lado, é fundamental que os projectos de inserção social atendam a duas premissas fundamentais: envolver e comprometer na mudança quem é ajudado; e gerar valor social. É assim que se faz a diferença entre combater a pobreza ou apenas transferir subsídios.
12/05/2009 - Suplemento "OJE Mais Responsável"