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Escravos do Século XXI

Convidado Pedro Krupenski, Amnistia Internacional
22 de Agosto de 2009
Programa nº 494




Dr. Pedro Krupenski, Amnistia Internacional em PortugalEm pleno século XXI, são muitas as pessoas que não sabem o que é a liberdade e continuam a viver sob o drama da escravatura. Já com 60 anos de existência, a Declaração Universal dos Direitos do Homem continua a ser um projecto por realizar, também ele preso por interesses que violam a dignidade do ser humano.

Para nos falar sobre a escravatura nos dias de hoje, o LusoFonias conta com a participação do Director Executivo da Amnistia Internacional em Portugal, Dr. Pedro Krupenski.
 

Na opinião do P. Tony Neves:
«A escravatura, por esse mundo além, continua a fazer vítimas. Dizemos nós que ele já foi abolido há muito tempo, mas refinou-se e ganhou novas formas, algumas delas muito bem disfarçadas.
Aproveitando a onda da oportunidade, vou referir algumas citações do último documento social do Papa Bento XVI, ‘Caridade na Verdade’, onde ele apresenta algumas situações que constituem uma escravatura e exigir imediata libertação.
‘O desenvolvimento humano tem por objectivo fazer sair os povos da fome, da miséria, das doenças endémicas e do analfabetismo’ (CV, 21). Mais adiante, Bento XVI denuncia: ‘cresce a riqueza mundial em termos absolutos, mas aumentam as desigualdades. Nos países ricos, novas categorias sociais empobrecem e nascem novas pobrezas. Em áreas mais pobres, alguns grupos gozam de uma espécie de superdesenvolvimento dissipador e consumista que contrasta, de modo inadmissível, com perduráveis situações de miséria desumanizadora. Continua o escândalo das desproporções revoltantes’ (CV, nº22).
O Papa ainda ataca a exagerada mobilidade e desregulamentação do trabalho que faz com que muitas pessoas vivam a angústia da insegurança do seu emprego e, como consequência, o risco permanente de não poder reunir as condições mínimas para sustentar a sua família, criando enorme instabilidade.
Diz o Papa mais à frente: ‘Em muitos países pobres, continua – com o risco de aumentar – uma insegurança extrema de vida, que deriva da carência da alimentação. A fome ceifa ainda inúmeras vítimas’ (CV, 27).
Sobre a violência, que gera morte, pobreza, insegurança e instabilidade, o Papa afirma: ‘As violências refreiam o desenvolvimento autêntico e impedem a evolução dos povos para um bem-estar sócio-económico e espiritual maior’. Há ainda uma condenação clara do terrorismo e do fanatismo religioso.
Voltando ao problema da pobreza, o Papa alerta para o facto dela minar a coesão social e pôr em risco da democracia, onde ela já existe.
Enfim, em pleno século XXI, a escravatura mantém-se com outros nomes: pobreza, injustiça, fome, terrorismo, doenças endémicas, analfabetismo, subdesenvolvimento, trabalho precário…. Estas e outras formas de escravatura exigem luta por uma libertação. Há que trabalhar pelas pessoas e pelo direito que têm a ver a sua dignidade respeitada.»



24/08/2009 | Adelaide Elias Mesquita | Direitos humanos
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