Pobreza Escondida
Convidado Celestino Cunha
17 de Outubro de 2009
Programa n.º 502
A 17 de Outubro comemora-se o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. Uma data que serve para reflectirmos sobre o que se passa à nossa volta, porque a pobreza pode estar mesmo na casa ao nosso lado, no nosso colega de trabalho, no nosso melhor amigo, naquela pessoa que aparentemente não tem qualquer tipo de problema.
“Pobreza Escondida” é o tema do Luso Fonias desta semana. Não perca a entrevista a Celestino Cunha da Comunidade Vida e Paz. 
Na opinião do P. Tony Neves:
«O mundo, com todas as bênçãos da ONU, celebra, a 17 de Outubro, o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. Falta saber se é pura demagogia ou há mesmo vontade, da parte de quem pode, de investir numa luta sem tréguas para esta grande mancha da humanidade: a miséria a que estão submetidos milhões e milhões de pessoas. Por isso se compreendem campanhas como a que tem mobilizado muita gente: ‘Levanta-te e actua contra a pobreza’. Até Bento XVI convidou os crentes a unirem-se ao Dia Mundial da Luta contra a Pobreza.
Mas esta crise global gerou novas formas de pobreza, sendo a mais badalada a dita ‘pobreza escondida’ ou ‘pobreza envergonhada’. Ela chama-se assim porque afecta gente que, outrora, vivia bem e, por isso, nunca se habituará à ideia de que tem de estender a mão á generosidade dos outros, atitude que é humilhante e para a qual estas pessoas não estavam nem estão preparadas. Algumas preferirão morrer á fome a ter que pedir pão para comer. Talvez por isso, a par dos fenómenos dos bancos alimentares contra a fome, a Europa está a inventar modalidades que combatam, de forma discreta, esta pobreza escondida. A título de exemplo, no fim de Setembro, a Cáritas Portuguesa lançou o projecto de entrega de senhas de restaurante, a fim de fornecer gratuitamente refeições a quem, vitimados de surpresa pela crise, não tem dinheiro para comprar bens alimentares e também não se sente à vontade para ir buscar alimentos ao banco alimentar contra a fome ou às conferências vicentinas.
Escondida ou escandalosamente à vista, a pobreza tem de ser combatida por todos os meios, em nome dos direitos humanos. Quando os líderes de todo o mundo se reuniram na Cimeira do Milénio, a grande decisão que tomaram foi a dar as mãos e reduzir a pobreza do mundo para metade, até 2015. Assim nasceram os famosos Objectivos para o desenvolvimento do Milénio (ODM) que têm feito correr tanta tinta, mas nem por isso têm feito reduzir os índices de pobreza na maior parte do mundo. E tudo isto porque há muita hipocrisia na maneira como o mundo é governado. Enquanto a lógica do poder assentar sobre interesses, não iremos a lado nenhum. Desafio os governantes deste mundo a olharem mais para as pessoas do que para os interesses. Nessa altura, a pobreza descerá a pique e a fraternidade tomará conta de nós. Para bem de todos.»