A «aventura» de partir como Leigo Voluntário Missionário
Porquê a missão?
Ir para missão permite-nos sair da «acomodação» a que estamos habituados, vontade de partilhar as nossas experiências pessoais com outros; talvez seja uma forma que Deus «escolheu para nos mostrar o caminho a seguir» pois pode ser um caminho diferente de viver a Fé com que fomos “escolhidos” pelo baptismo.
Porquê eu?
A resposta mais provável será um «não sei», mas uma coisa é certa: a resposta encontra-se «dentro» de cada um de nós e muitas vezes o simples escutar dos testemunhos daqueles que já vivenciaram uma experiência de voluntariado laical missionário ainda «reaviva» mais esse sentimento interior de partir. Sente-se «algo» que é inexplicável por palavras, como que um «chamamento»… É nesta altura que se deve «colocar as coisas» nas mãos de Deus e ele se encarregará de despertar ainda mais «o bichinho» que sentimos de partir em missão. Como temos a certeza de que Deus nos ama, é como que nos «sintamos obrigados» e com o «dever» de partilhar esse amor que se pode manifestar na participação de um projecto de voluntariado laical missionário. A partir desta altura, já o nosso coração fala mais alto, com a natural vontade de ajudar os outros, dar e repartir aquilo que de melhor temos. No fundo, a resposta ao «porquê eu?» passa por um diálogo profundo e íntimo que mantemos com Deus, muitas das vezes guardado no nosso coração.
Onde e com quem foi feita a formação
Depois de sentir o tal «chamamento», é necessário adquirir formação para o trabalho que se vai desenvolver. Frequentei os encontros de preparação e formação dos Leigos Boa Nova (LBN), desde Março de 2004 até Janeiro de 2005, onde fui sendo preparado para partir em missão para Pemba (Moçambique). A frequência no programa de formação nos LBN, que também foi acompanhada e complementada pelo Frei Joaquim Teixeira, da Ordem dos Padres Carmelitas Descalços, foi «encarada» como mais um passo na minha caminhada de fé, ao mesmo tempo que me ia permitindo tomar contacto com pessoas que viveram de perto a temática do desenvolvimento humano e participaram em projectos de missão.
O que me leva a partir?
É sempre difícil mencionar quais os motivos que me levaram a querer partir mas, talvez como qualquer pessoa seja levada a pensar (e eu não sou diferente), um dos factores tenha sido tentar dar o meu modesto contributo para poder «ver» um Mundo mais igualitário, procurando «mudar algo – ainda que muito pouco - » e outro talvez tenha sido procurar que as pessoas com que me irei encontrar se possam sentir um pouco «mais realizadas» nas suas vidas.
De que forma o vou fazer?
É muito “fácil” deixarmo-nos apaixonar por Jesus Cristo e pela sua missão de evangelização. Essa «paixão» acaba por se amadurecer e ganhar uma forma concreta, que no meu caso pessoal se traduziu numa vocação missionária que também procuro ter sempre presente na minha vida pessoal. Por isso, fiz uma opção de vida, como leigo voluntário missionário, pela missão «ad gentes», bem como pela evangelização dos mais pobres e dos que mais necessitam de apoio. Posso dizer que não sinto «medo», mas sim uma serenidade de quem pensa estar a cumprir uma missão a que foi chamado e respondeu afirmativamente. Se verificarmos com atenção o mundo que nos rodeia, todo o cristão é chamado a trabalhar na e com a Igreja para procurar levar a Boa Nova a todos os cantos do mundo, levando também o amor de Cristo a toda a gente. Encontrei no serviço de voluntariado laical missionário a forma para realizar essa missão.
O que posso fazer em concreto no Projecto «Solidários com Pemba»?
Em concreto no projecto, espero contribuir para a melhoria da qualidade de ensino leccionado no Colégio D.Bosco (ou em outros locais onde possa vir a leccionar) e ajudar em actividades relacionadas com a dinamização social das comunidades (que abrangem crianças, jovens, adultos, idosos…). Estou certo de que irei encontrar situações difíceis que me poderão causar alguma «revolta interior», mas estou certo de que com a motivação, sensibilidade, abertura e espírito comunicativo que levo na «bagagem» irei ultrapassar os «problemas» que se me deparem para poder continuar o meu caminho de missão. Acima de tudo, o testemunho que procurarei levar em todas as acções que efectuarei serão suportadas pela minha fé em Deus e Jesus Cristo, que no fundo fazem mover a vida de qualquer cristão. Não posso nem quero dar «garantias» pelo trabalho que irei prestar mas espero que toda a boa vontade, esforço e dedicação que colocarei nas tarefas a desempenhar possa trazer «algo» de positivo à comunidade com que vou trabalhar, contribuindo assim para que esta também possa ser, para mim, uma «experiência» positiva.
Aproxima-se a hora da «partida»…
Aproxima-se a «passos largos» a data da partida (28 de Janeiro) e vai aumentando a motivação e o entusiasmo, acompanhados de uma boa «dose» de esperança de poder partilhar aquilo que sou, o que tenho, o que sei, enfim, tentar dar o meu melhor, com as pessoas com as quais trabalharei e me encontrarei, sem nunca esquecer que tenho a noção de que será muito provável que venha a receber muito mais pois vou ter a (feliz) oportunidade de poder «experienciar» uma outra cultura, aprender a descobrir novos caminhos e trilhos de vida, lidar e «confrontar-me» com diferentes maneiras de pensar e sobretudo tenho a certeza de que vou «crescer» muito na minha vivência humana.
Nuno Óscar
Leigo Boa Nova - Pemba, Moçambique