Vozes católicas desafiam os governos a subir a parada quanto às alterações climáticas

18 Nov, 2017

A rede católica CIDSE apela aos governos para que invistam no envolvimento necessário para garantir no sucesso do acordo climático de Paris e para responder ao desafio climático, como oportunidade de nos pôr no caminho certo para uma transição justa que não deixe ninguém para trás.

Um novo documento, Ação Climática para o Bem Comum, é lançado hoje na cimeira da ONU sobre o clima em Bona pela CIDSE, uma organização que reúne 18 organizações católicas de todo o mundo em prol da justiça social. A CIDSE quer encorajar os governos a responder ao desafio climático de uma forma que reflita o espírito da encíclica histórica do Papa Francisco, “Laudato Si”, que se considera ter tido um impacto significativo no sucesso de um acordo climático global em Paris.

Dois anos depois, os países representados no Acordo de Paris ainda não fizeram o suficiente para cumprir as suas responsabilidades em relação ao clima, e um agente importante como os Estados Unidos chegou até a abandonar o Acordo. Embora o Acordo de Paris tenha significado um acordo dos países em limitar os aumentos da temperatura global a 1,5 – 2 graus acima dos níveis pré-industriais, as previsões sugerem que as promessas atuais para limitar as emissões de carbono, com base nos nossos atuais modelos económicos e de desenvolvimento, vão ficar muito aquém deste objetivo.

Falando na COP23, o Padre Bruno Marie Duffé, secretário do Dicastério do Vaticano para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral, que representa a Sana Sé na cimeira, afirmou:

“Até agora, o elefante na sala nestas negociações climáticas tem sido como é que todos os países podem alcançar o tipo de futuro a que aspiram, ao mesmo tempo que se reconhece que é fisicamente impossível que o planeta aguente mais biliões de pessoas a viver segundo os padrões de consumo do Ocidente. Os países desenvolvidos não podem cumprir o acordo de Paris se continuarem a viver como têm vivido; a “Laudato Si” diz-nos que precisamos de uma mudança fundamental no coração das pessoas, em que precisamos de repensar radicalmente não apenas a forma como encaramos o desafio climático, mas aquilo que consideramos ser o progresso ou o desenvolvimento.

O Pe. Duffé acrescentou ainda: “Não devemos subestimar a importância do momento em que estamos. Estamos a meio do rio, e não podemos voltar para trás. Temos de estar juntos, e temos de ser fortes, mesmo que um estado decida recuar. Chegámos ao acordo de Paris e agora temos de passar das intenções éticas para as suas consequências políticas. Temos de fazer tudo o que seja preciso para criar um novo modelo de desenvolvimento que se baseie no diálogo e na solidariedade mútua, e que reconheça os talentos com que cada pode contribuir.”

O novo documento recorda aos governos a necessidade de uma enorme mudança transformadora para enfrentar as alterações climáticas – no plano cultural, económico, social e espiritual, e para as gerações futuras – e a urgência de o fazermos. A forma como as pessoas vivem e as suas escolhas de consumo têm um impacto direto sobre o clima, mas alterar a situação está nas suas mãos.

Josianne Gauthier, Secretária­-Geral da CIDSE, afirmou: “Através deste documento, queremos salientar a urgência do apelo do Papa à transformação na ‘Laudato Si’. Existem opções, existe criatividade e engenho humano e conhecimentos locais e indígenas. É altura de pôr as pessoas e as suas soluções no centro de uma ação climática urgente e ambiciosa.”

O documento Ação Climática para o Bem Comum defende que os governos devem questionar-se sobre os seus planos para enfrentar as alterações climáticas. Sugere que os países devem pensar na forma como a ação climática pode fazer face à pobreza e aos direitos humanos, para que a ambição demonstrada corresponda à escala do desafio, como é que os planos nacionais sobre o clima podem incentivar a participação de todas as pessoas, e como é que podemos fazer a transição para um mundo com zero emissões de carbono de uma maneira que não tenha um impacto negativo sobre os mais pobres e marginalizados da sociedade.

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