Testemunhos da Guiné-Bissau

22 Mai, 2020

Ancelminho Fernandes, Técnico Formador de Língu Portuguesa, Bafatá

Neste momento, a formação e todas as atividades a ela relacionadas estão suspensas (como o acompanhamento e supervisão,…). No meu caso, como Técnico Formador de Língua Portuguesa, as formações estão quase concluídas. Quase porque ainda há turmas que não fizeram “Aperfeiçoamento de Língua Portuguesa III”. No entanto, também preparei o Mapa Geral de notas, informações que serão analisadas, comparadas e compiladas pela FEC.

A situação relativa à Covid-19 na Guiné-Bissau é preocupante. Os números estão a aumentar a um ritmo alarmante. Uma coisa que podemos e estamos a fazer, eu e alguns colegas, alguns também formadores de Língua Portuguesa, é contribuir na sensibilização para que as pessoas possam respeitar as medidas de prevenção sugeridas pelas autoridades competentes. Medidas como o confinamento, o uso da máscara e lavar sempre as mãos. Parece simples, mas é muito trabalho, tendo em conta a situação socioeconómica… Muitas pessoas têm que ir à procura de alimento todos os dias porque não têm outra forma, outras porque têm o hábito de se sentar em grupos de amigos e parece impossível convencê-las a fazer o contrário… No pior dos casos, há outras pessoas que nem acreditam que há casos da doença na Guiné-Bissau… Segundo elas, é uma estratégia do governo para conseguir financiamento. Em diferentes grupos de WhatsApp, temos falado e sugerido métodos para uma sensibilização mais eficaz.

Everton Dalmann, Assessor Pedagógico, Bissau

Atualmente a Guiné-Bissau entrou na terceira extensão do Estado de Emergência, com medidas mais rigorosas, sobretudo no recolher e uso das máscaras, que agora são obrigatórios. Ações importantes considerando que já somamos mais de 1000 casos confirmados de coronavírus, concentrados sobretudo em Bissau. Diante disto, tenho autonomamente assumido as medidas de prevenção individual através do uso frequente de máscaras e higienização das mãos e superfícies com álcool.

Estas medidas vêm ao encontro das minhas atividades no terreno. Neste momento, além de dar continuidade às várias atividades do projeto que já estavam previstas: redação, em parceria com a Reitora da Universidade Católica da Guiné-Bissau (UCGB), de um capítulo do livro acerca do I Colóquio entre Universidades da Guiné-Bissau (que realizamos em julho do ano passado), revisão dos artigos submetidos ao Boletim do Centro de Estudos de Educação e Cultura, apoio e revisão de documentos à UCGB, orientações presenciais aos alunos em fase de Trabalhos de Conclusão de Cursos das licenciaturas da Faculdade de Ciências da Educação da UCGB, orientações presenciais aos alunos do Mestrado em Educação do IE-UL em fase de dissertações, relatórios, feedbacks e reuniões com o gestor de projeto. Também iniciei, este mês, com os animadores da Toca-Teca, a elaboração de contos guineenses de prevenção ao coronavírus e à Covid-19. Pretendemos, com o apoio do gestor de projeto do Cultura e da técnica de comunicação, divulgar 12 contos em forma de textos, vídeos e áudios, nas rádios e plataformas online da FEC e eventualmente na publicação de um livro, abordando as diferentes nuances desta pandemia: importância da quarentena, medidas de prevenção, incentivo à solidariedade, respeito às condições do Estado de Emergência, etc….

 Nuno Tavares, Responsável de área de Educação de Infância e Ensino Básico, Bissau

Vivemos momentos de incerteza face à pandemia COVID-19 que se propaga por todo o mundo e que não conseguimos dimensionar futuramente, ao nível do seu impacto global e dos desafios que teremos pela frente, desafios individuais, profissionais, organizacionais, políticos, sociais e económicos. Incertezas que são comuns a todos/as, independentemente da nacionalidade, condição económica, estatuto, orientação, religião, cultura ou etnia.

Estas incertezas levam-nos a repensarmos os modelos e as estratégias como nos relacionamos, como convivemos e como trabalhamos. Leva-nos a refletirmos acerca do individual e do coletivo e desta relação dependente. É nesta relação que me centro e que acredito que possamos enquanto humanidade crescer juntos no atual contexto: Relações entre uns e outros e o meio e nos impactos das nossas ações entre uns e outros e o meio, nas aprendizagens e crescimento que fazemos uns e outros e o meio, no trabalho que fazemos entre uns e outros e o meio, na responsabilidade e compromisso que temos uns e outros e o meio, aqui e lá – Nós. Estamos juntos.

Victorino Cá, Assessor em Capacitação Institucional, Gabú

A Guiné-Bissau é um país débil, mesmo em situação normal a todos os níveis e excecionalmente a nível social, sanitário e a nível de ensino. Perante esta nova realidade sanitária com grandes repercussões a nível social, diria que o sistema de teletrabalho ora instituído, está sendo uma experiência positiva, tirando os aspetos de falta de interação social, como foi habitual no meu dia-a-dia laboral, como técnico que divide o seu trabalho entre escritório e trabalho de terreno.

Mas como é evidente, e dada a situação de confinamento social e medidas sanitárias prioritárias, é preciso adotar e adaptar a situação usando novas tecnologias para continuar a trabalhar em aspetos possíveis o que acho muito positivo, não só para a nossa rotina, mas também para cumprir a missão da nossa organização.