Reinventar-se em tempo de pandemia: para que ninguém fique para trás

27 Ago, 2020

O voluntariado missionário assumiu uma expressão ainda mais forte no contexto da Pandemia Covid-19. Esta pandemia que chegou sem aviso, apanhou todos desprevenidos. Os voluntários missionários não foram exceção. Alguns, em formação, ansiosos por partir, viram a sua data de partida adiada. Outros, no terreno, tiveram de regressar mais cedo. E outros, ainda, permaneceram em missão, alterando muitas das suas rotinas e atividades.

Como habitualmente, a FEC – Fundação Fé e Cooperação lançou o seu inquérito anual às organizações membro da Rede de Voluntariado Missionário para perceber que impacto teve a pandemia nos projetos e nas vidas dos voluntários: uns partiram antes da pandemia, outros adiaram a data de partida e outros regressaram mais cedo, tendo integrado projetos em Portugal, não deixando de ser e de viver missão.

Os exemplos de readaptação e de resiliência vistos ao longo deste tempo que vivemos, e que se estenderá até ao final do presente ano, são imensos e, por essa razão, este ano não queremos apenas lançar números. Este ano queremos partilhar os exemplos e as vidas que se transformaram para que ninguém ficasse para trás.” – Catarina António, coordenadora da Rede de Voluntariado Missionário.

Fotografia: Marlene Monteiro | Voluntariado Passionista

 Permanecer no terreno e ser semente de esperança

Alguns voluntários decidiram permanecer no terreno. Os seus dias tiveram de ser reorganizados, o encontro presencial teve de ser suspenso e o foco passou a ser o apoio às comunidades, não só no combate à COVID-19 (produzindo e distribuindo máscaras, demonstrando cuidados básicos de higiene, etc.), mas também na ajuda direta às populações que enfrentaram ‘pandemias’ igualmente graves como a fome ou o combate armado em alguns locais.

Salientamos alguns exemplos:
Os voluntários do Centro Missionário Arquidiocesano de Braga (CMAB), que se mantiveram no terreno, em Cabo Delgado, centro de conflitos armados, sem nunca “desarmar” em esperança e em caridade, e que afirmam “ora há mais angústia, medo, incerteza,…  não muito diferente ao de outras vidas e realidades; ora há mais confiança e esperança de alcançar o final desta estranha forma de estar… que ainda assim não retira o entusiasmo deste ser Missão”.

Os missionários do Voluntariado Espiritano, que se reorganizaram e que apoiaram a comunidade local no combate às várias pandemias que enfrenta, sendo também sinal de esperança na comunidade em que estão inseridos e que referem que a missão, hoje, “vai muito mais além do que sair da zona de conforto. É necessário reinventar, redefinir os espaços onde nos movemos e tentar continuar o percurso que foi começado; mais do que nunca a missão não é só fora de portas… é a oportunidade de nos concentrarmos em atividades que fomos protelando anteriormente, aprofundar laços e fazermo-nos ainda mais família da família que nos acolhe”.

Os missionários do Grupo Missionário Ondjoyetu, que permaneceram em Angola, com todos os desafios que lhes foram apresentados, e que nos dizem “é muito estranho, porém há que criar alternativas e estratégias para lidar com esta realidade que a pandemia da Covid-19 nos traz, pondo-nos à prova enquanto cidadãos e desafiando-nos a ter reflexões mais profundas e que com fé e resiliência consigamos ultrapassar estes tempos”.

Na Etiópia, permaneceu um voluntário dos Leigos Missionários Combonianos, também forçado a permanecer em casa e a adiar o encontro com o povo, mas que ainda assim retira deste tempo esta mensagem: “A missão não está no muito fazer, senão no muito amar!”.

Voluntários que regressam e continuam em missão

Alguns dos voluntários que, no final do ano passado, haviam partido em missão, foram forçados a regressar a Portugal devido à pandemia e a questões de segurança e saúde pública. Ainda assim, regressaram, mas continuaram em missão.

Na Procura – Missões Claretianas, um voluntário regressou de São Tomé e Príncipe e integrou atividades de resposta concreta à pandemia (apoio a pessoas sem-abrigo, visitas a centros sociais, preparação e envio de materiais, etc.); No CMAB, uma voluntária regressou de Moçambique, integrando um projeto de voluntariado de apoio alimentar de emergência, em Braga; Nos Leigos Para o Desenvolvimento, 7 voluntários regressaram mais cedo de São Tomé e Príncipe e 3 de Angola, mas mantiveram-se em missão, integrando projetos com parceiros Jesuítas e, além destes projetos, a organização desenvolveu ainda a distribuição de cabazes a famílias desfavorecidas e afetadas pela Pandemia. Muitas organizações desenvolveram também projetos concretos face à pandemia COVID-19: a União das Misericórdias Portuguesas organizou-se para dar apoio às Misericórdias e outras instituições; a Associação Equipa d’África desenvolveu uma angariação de fundos para preparação e entrega de cabazes alimentares junto dos seus parceiros; os Irmãos Maristas desenvolveram projetos de apoio a crianças em risco. Estes são apenas alguns dos muitos exemplos dentro da Rede de Voluntariado Missionário.

Apesar da pandemia, voluntários continuam a partir

Este ano, no período compreendido entre janeiro e dezembro de 2020, os voluntários das entidades da Rede de Voluntariado Missionário vão partir em missões de curta e longa duração, sobretudo para AngolaGuiné-BissauMoçambique e São Tomé e Príncipe. Os voluntários partem principalmente para missões nas áreas de Educação e formaçãoPastoralSaúdeAnimação SocioculturalAgriculturaConstrução de infraestruturas, Dinamização e organização comunitáriaEmpreendedorismo e Empregabilidade, e Capacitação de Agentes Locais, trabalhando com JovensCriançasFamíliasIdososMulheresHomens, Técnicos de Associaçõesentre outros.

As principais marcas que os projetos de voluntariado Ad Gentes deixam nos voluntários(as) continuam a ser: aprendizagem de novas formas de ser/estar,  continuação do apoio aos projetos locais a partir de Portugal, maior sensibilização para a interculturalidade, maior valorização dos recursos naturais (ex.: água), desejo de voltar para o país de missão para trabalhar em ONGD, empresas ou associações e maior consciência das interdependências globais.

Em Portugal, a missão também continua, sobretudo em missão ao longo do ano em projetos com periodicidade diária, quinzenal, anual (que vai desde uma vez por ano, a uma semana por ano, uma quinzena ou um mês por ano), atuando de norte a sul de Portugal Continental e também nos Arquipélagos da Madeira e dos Açores, sobretudo em projetos de Ambiente, Animação Sociocultural, Pastoral, Educação e Saúde, com Famílias, Idosos, Crianças, Jovens, Mulheres, Homens, Técnicos de Associações, Professores e a população em geral.

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