Clima extremo contribui para recorde de pessoas deslocadas no mundo

21 Jun, 2021

Não existem margens para dúvida de que estamos a falhar na luta contra as alterações climáticas. Cerca de 75% dos deslocamentos internos ocorridos em 2020 foram resultado de fenómenos climatéricos extremos, de acordo com o estudo do IDMC (Centro de Monitorização de Deslocamento Interno)

O total de pessoas que vivem como refugiadas no seu próprio país chega a recorde de 55 milhões.

Às tempestades, inundações, incêndios florestais e secas, a guerras e a violência resultaram em 40,5 milhões de novos deslocamentos internos em 2020, de acordo com o IDMC. É o maior número de novos deslocamentos registados em dez anos

De acordo com os investigadores o clima extremo irá provocar o deslocamento de cada vez mais pessoas, não só pela violência dos fenómenos climatéricos, mas também pelo seu impato direto na agricultura, a título de exemplo.  Os investigadores chamam também a atenção para as falsas narrativas “”A ideia de que as mudanças climáticas irão desencadear uma migração em massa para os países ricos é uma distração para o facto de a maior parte do deslocamento é interno”, afirma Bina Desai, chefe de programas do IDMC. “É uma obrigação moral investir realmente no apoio às pessoas onde elas estão, ao invés de apenas pensar no risco de elas chegarem às fronteiras”, alerta.

O relatório anual revela que mais de 80% das pessoas forçadas a deixar suas casas em 2020 estavam na Ásia e em África.

Na Ásia em países como China, Índia, Bangladesh, Vietnam, Filipinas e Indonésia – onde centenas de milhões de pessoas vivem em litorais e deltas – uma combinação de crescimento populacional e urbanização deixou mais pessoas expostas a inundações que se tornaram mais fortes à medida que o nível do mar vem subindo.

Em África, a maior parte dos deslocamentos em 2020 devem-se a conflitos. A violência persistente expulsou as pessoas de suas casas em países como Burkina Faso e Moçambique, enquanto novas guerras surgiram em outros países, como a Etiópia.

Sobre as interligações entre clima e migrações, os autores do relatório são claros ao afirmar de que existe uma falta de compreensão sobre esta interdependência, sublinhando a falta de dados sobre quantas pessoas deixam suas casas por causa de crises ambientais de desenvolvimento mais lento, como o aumento da temperatura e do nível do mar.

Neste contexto, a análise do Centro de Análise de Política Económica da Universidade de Potsdam revelou que os desastres que perduram, como ondas de calor e secas, têm mais probabilidade de aumentar a migração do que desastres repentinos, como cheias e furacões. Os investigadores sugerem que isso ocorre porque as pessoas precisam de dinheiro para migrar, o que geralmente falta após choques climáticos repentinos, embora eles causem deslocamento imediato em distâncias mais curtas.

Aqueles que ficam onde estão – geralmente sem dinheiro para reconstruir suas casas ou seus meios de subsistência – podem ficar presos em um ciclo de clima extremo que os impede de partir, embora outros possam escolher ficar por outros motivos.

O que hoje sabemos é que as alterações climáticas tornam todos os países mais suscetíveis a grandes desafios.  E é perante uma situação de alerta global que é pedido aos governos cortem rapidamente as emissões de gases de efeito estufa, se adaptem às mudanças climáticas e continuem a apoiar as comunidades deslocadas assim que o perigo imediato passar.

Sem justiça climática é impossível assegurar um processo de desenvolvimento mais inclusivo e sustentável.  É assim necessário reforçar a adoção de políticas coerentes   reforçando as medidas de luta contra as alterações climáticas e garantir que o cumprimento de metas climáticas e ambientais não seja conseguido à custa de uma externalização dos custos e impactos para países em desenvolvimento.

Saiba mais sobre este tema através do estudo Desenvolvimento e alterações climáticas e ative a sua cidadania em : https://www.fecongd.org/coerencia/atividades/postais-digitais/.

Fonte: https://www.dw.com/

@ Alexis Huguet / AFP / Getty Images

Últimas notícias…

Termina a formação de docentes na ilha de Bolama

Termina a formação de docentes na ilha de Bolama

No passado dia 18 de julho de 2021 realizou-se a última sessão de formação (em sala) em Educação para a Cidadania e Direitos Humanos para os diretores e corpo docente das 14 escolas da ilha de Bolama, do pré-escolar até ao ensino secundário, bem como para 11 professores da Escola Normal Amílcar Cabral (ENAC) e 6 inspetores escolares.

read more