Líderes religiosos apresentam uma poderosa declaração na COP28 sobre a necessidade de ação moral em matéria de perdas e danos
Líderes religiosos lançaram um forte apelo à ação na 28ª Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (COP 28), no Dubai, para um esforço contínuo sobre Perdas e Danos, na sequência da operacionalização do Fundo de Perdas e Danos no primeiro dia da conferência.
Ao entregarem a declaração intitulada “Perdas e Danos: O Caso Moral para Ação” no Pavilhão da Fé na COP28, os signatários sublinharam que os progressos alcançados podem ser uma falsa vitória que não se concretize em ações concretas.
A declaração foi assinada por mais de 600 líderes religiosos de todo o mundo e de todos os continentes, incluindo Bispos, Arcebispos, Cardeais, Sacerdotes, Irmãos, Diáconos, Diretores Executivos de organizações religiosas, Professores, Estudantes e quase 200 Irmãs. O documento estabeleceu uma série de critérios a cumprir pelo Fundo de Perdas e Danos, muitos dos quais, segundo os líderes religiosos, ainda estão pendentes e requerem mais atenção antes do final da COP28.
Alistair Dutton, Secretário-Geral da Caritas Internationalis, afirmou “Chegar a acordo sobre o Fundo para Perdas e Danos tão cedo na COP28 é um feito notável. Mas não podemos descansar sobre os nossos louros. O fundo tem de ser capitalizado rapidamente com milhões para responder à escala da necessidade. Trata-se de um financiamento novo e adicional, e não de roubar a Pedro para pagar a Paulo. Só com um financiamento acrescido é que o Fundo para Perdas e Danos poderá cumprir verdadeiramente o seu objetivo e reparar as injustiças“.
Já Josianne Gauthier, Secretária-Geral da CIDSE, acrescenta: “Perdas e danos são, em última análise, uma questão moral. Trata-se de abordar a profunda injustiça que está no cerne da crise climática, onde aqueles que menos contribuíram são os que mais sofrem. A responsabilidade pelo financiamento das Perdas e Danos deve caber aos países com responsabilidade histórica. A COP28 tem de tornar isto absolutamente claro“.
“O Papa Francisco convida-nos a ouvir o grito da terra junto ao grito dos pobres. A COP28 deve fazer as duas coisas. Ao criar um Fundo de Perdas e Danos eficaz, estamos a responder às necessidades dos pobres, que já estão a sofrer os impactos climáticos. Mas também temos de ouvir o grito da Terra, tomando medidas que nos coloquem rapidamente no caminho certo para alcançar os objetivos do Acordo de Paris. Cada grau de aquecimento global significa mais perdas e danos”, afirmou o Cardeal Fridolin Ambongo Besungu, Presidente do SECAM e Arcebispo de Kinshasa.
A Ir. Susan Nchubiri, representante das Irmãs Maryknoll na COP28, recorda que “(…) as perdas e danos não são apenas económicos. Podemos calcular o custo dos danos nas casas ou nas infra-estruturas, mas nunca podemos calcular o custo da perda de culturas, de património, da terra ou da perda de entes queridos. O novo conselho de administração do Fundo de Perdas e Danos deve garantir que as perdas e danos não económicos sejam uma prioridade transversal e que as comunidades possam ter acesso a soluções que contribuam para a recuperação de perdas e danos de valor incalculável“.
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