Comunicar a Missão
Comunicar a Missão
Neste Luso Fonias contamos com mais um testemunho missionário, neste final de Outubro, mês das missões. O nosso convidado é parte da casa: é o Padre Tony Neves, que todas as semanas nos acompanha no Luso Fonias, e que este mês lançou o livro “Lusofonia com Missão”, que reúne alguns dos seus comentários no programa. Procuramos conhecer melhor o seu percurso de missionário e a sua congregação, os Missionários do Espírito Santo.
Na opinião do P. Tony Neves – ‘Vidas com sentido’
“Não sei porquê (ou até sei!), mas esta época dos Santos (e dos fiéis defuntos) faz-me lembrar sempre o meu pai. E agora, a minha mãe. O meu pai, agricultor simples do norte, era um homem de uma fé à prova de tudo. Trabalhou muito, garantiu educação superior aos quatro filhos e, sobretudo, nunca deixou de pôr a sua Fé em Cristo antes e acima de tudo. Quando a morte se aproximava, sempre muito lúcido, repetia uma frase que guardarei para sempre: ‘de morrer, nem tenho medo nem tenho pressa!’. Que sabedoria! De facto, ele não tinha medo da morte porque a sua fé era mais forte que ela! Não tinha pressa de morrer porque se sentia feliz e bem entre os seus! A mãe, falecida no ano passado, viveu à sombra dos mesmos princípios e valores e também não entrava em pânico com aproximação da hora da chamada de Deus. Tudo muito sereno…
A morte para os cristãos é passo de vida. Dói a partida dos queridos, questionam-nos os acontecimentos de injustiça que matam. Sim, fomos criados para a vida e a morte não tem quadro de explicação humana. Mas faz sentido numa caminhada da eternidade, esse ‘mundo’ em que entramos no dia em que somos gerados para a vida.
Costumo brincar acerca do meu aniversário dizendo que é no cemitério que recebo a maior dose de parabéns! Isto é tanto mais verdade quando passo o 2 de Novembro na minha aldeia natal. Todos me conhecem, todos (ou quase) vão ao cemitério neste dia e é lá que as pessoas me encontram e me saúdam. Não estranho nada tal saudação em tal espaço. A vida faz-nos passar por muitos espaços e este (o cemitério) é apenas mais um. Ali estão sepultadas as pessoas que partiram antes de nós e que merecem ser recordadas e sufragadas (como diz o nosso povo).
O problema que mais nos dói, enquanto humanos, é o do sentido. O que é que andamos a fazer por aqui, nesta terra, enquanto vivemos? Diz a teologia mais simples que é urgente saber dar respostas sérias ás grandes perguntas que se colocam ás pessoas: ‘donde vim? Para onde vou? O que ando aqui a fazer?’. Como cristãos, as respostas não são difíceis de dar. Difícil e duro é ser coerente com o teor de tais respostas. Assim, acreditamos que vimos de Deus, do seu coração, amados por Ele. Somos frutos do Amor de Deus, uma ternura sem limites nem fronteiras. Depois, também acreditamos que caminhamos em direcção a Ele. Um dia (esse dia a que chamamos ‘morte’) vamos vê-Lo face a face, abraça-lo, confiar na Sua imensa Misericórdia. Tão simples, afinal… Finalmente ( e é o mais difícil),há que responder á pergunta sobre a nossa Missão aqui na terra, neste espaço de peregrinação. Sim, a nossa Missão é a de construir o Reino de Deus que Cristo explica através de valores: justiça, paz, amor e alegria! É difícil construir este projecto de felicidade, mas é tão bem viver com estas características!
Assim, cruzar o dia 1 com o dia 2 de Novembro, ajuda-nos a focar na santidade como razão e expressão da felicidade, da bem-aventurança.”


