Balanço da visita do Papa Francisco a Fátima
Balanço da visita do Papa Francisco a Fátima
Neste Luso Fonias fazemos o balanço da visita do Papa Francisco a Fátima. No passado fim-de-semana, milhares de peregrinos encheram o Santuário de Fátima para comemorar os 100 anos das aparições. O Papa Francisco foi um peregrino especial, que a nossa convidada acompanhou bem de perto. Joana Haderer, jornalista da Agência Lusa, fez as duas viagens de avião com o Papa Francisco e conta-nos como foi esta experiência.
Na opinião do P. Tony Neves – ‘Francisco, o Peregrino da Paz’
“Chegou aclamado em festa, rezou em silêncio, falou da paz e da justiça, canonizou a Jacinta e o Francisco, fez apelos a um mundo mais fraterno, despediu-se da multidão e fez a viagem de regresso a Roma. O Papa Francisco presidiu à celebração do Centenário das Aparições em Fátima, evento que congregou muitos milhares de pessoas, idos a pé, de bicicleta, de carro, de autocarro, naqueles 12 e 13 de Maio em que todos os caminhos de Portugal iam dar à Cova da Iria.
Dias antes, o Papa foi ao Egipto dizer que não se podem justificar com o nome de Deus guerras e violência. Francisco foi ao Cairo pedir mais formação aos jovens sobre o diálogo e denunciar o martírio de tantos cristãos, vítimas de atentados e perseguições. A visita seguinte estava já no roteiro papal: Fátima!
O Papa Francisco visitou Fátima como peregrino da esperança e da paz. O que ele disse vai continuar a falar alto e calar fundo no coração de quantos o quiseram ouvir. Destaco algumas das frases que ficam para a nossa história:
‘Percorreremos todas as rotas, seremos peregrinos de todos os caminhos, derrubaremos todos os muros e venceremos todas as fronteiras, saindo em direção a todas as periferias, aí revelando a justiça e a paz de Deus. Seremos, na alegria do Evangelho, a Igreja vestida de branco, da alvura branqueada no sangue do Cordeiro derramado ainda em todas as guerras que destroem o mundo em que vivemos’ – visita à Capelinha das Aparições.
‘Que Ela, Mãe doce e solícita de todos os necessitados, lhes obtenha a bênção do Senhor! Sobre cada um dos deserdados e infelizes a quem roubaram o presente, dos excluídos e abandonados a quem negam o futuro, dos órfãos e injustiçados a quem não se permite ter um passado, desça a bênção de Deus encarnada em Jesus Cristo’. ‘Sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do carinho. Nela vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos mas dos fortes, que não precisam de maltratar os outros para se sentirem importantes’ – antes da Recitação do Rosário.
‘Temos Mãe! Uma ‘Senhora tão bonita’ – comentavam entre si os videntes a caminho de casa, há cem anos atrás’. Para o Papa, ‘no crer e sentir de muitos peregrinos, senão mesmo de todos, Fátima é sobretudo este manto de luz que nos cobre’. Citando uma visão de Jacinta, disse o Papa: ‘Não vês tanta estrada, tantos caminhos e campos cheios de gente, a chorar com fome, e não tem nada para comer?’ – referiu o Papa na homilia da Missa, após canonização de Jacinta e Francisco Marto.
‘Na sua paixão, Cristo tomou sobre si todos os nossos sofrimentos. Jesus sabe o que significa o sofrimento, compreende-nos, consola-nos e dá-nos força, como fez a S. Francisco e a S. Jacinta, aos santos de todos os tempos e lugares’. (…). ‘Vivei a vossa vida como um dom e dizei a Nossa Senhora, como os Pastorinhos, que vos quereis oferecer a Deus de todo o coração’ – na saudação aos doentes.
A multidão reunida em Fátima, despediu-se em apoteose do Papa Francisco que percorreu o recinto saudando e abençoando o povo peregrino.
Na hora de partir, Francisco lança um desafio à Igreja: ela só brilha quando é ‘missionária, acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica no amor’.
Regressou a Roma com ar cansado, mas feliz. Deixou Fátima com apelos claros a um compromisso por mais justiça, paz, amor e alegria, os valores do reino de Deus que se torna urgente viver com coerência e intensidade.”


