Património do Norte de Portugal
Património do Norte de Portugal
Este Luso Fonias é dedicado ao norte de Portugal. Em tempo de férias para muitos, vamos partir à descoberta do Porto, do Minho e de Trás-os-Montes, numa conversa com o Dr. António Ponte, director geral da Cultura do Norte. Queremos dar-lhe ideias para bons passeios por uma região com séculos de história e com um património único.
Na opinião do P. Tony Neves – ‘Portugal, a norte’
“Portugal continental é um território muito pequeno, se quisermos comparar com a dimensão de uma França ou Alemanha, isto já para não falar do Brasil, dos Estados Unidos, da China, da Índia ou da República Democrática do Congo, apenas para dar alguns exemplos. E, se Portugal continental é pequeno, o que devemos dizer do norte de Portugal, apenas! Pequeníssimo! Mas o tamanho não é critério para a maioria dos indicadores usados para qualificar o desenvolvimento, a capacidade de atrair turistas, a arte e culturas presentes, etc. Assim, podemos falar do norte de Portugal como um território muito diversificado na geografia, nos costumes e usos das pessoas, nas tradições, no património rico destas terras e destas gentes.
Nasci e cresci no norte de Portugal. Por isso – fica feita a minha declaração de interesses – sempre que falo da minha terra e do meu povo, não consigo ser isento. Pelo contrário, esforço-me por convencer toda a gente acerca da riqueza de um património construído ao longo de milénios. Encontramos muitos vestígios multimilenares como são as citânias (Briteiros e outras) e as estradas e outras construções romanas, como a Domus Municipalis em Bragança.
Se contarmos só com o património construído após a independência (1143), temos numerosos castelos e fortalezas, quer para proteger vilas e cidades, quer para enfrentar os perigos que vinham do mar, quer ainda para evitar que invasores entrassem em Portugal vindos de Espanha. São muitos e belos esses castelos, construções de granito que tornam o edifício resistente ao tempo e às tempestades. Há muitos percursos culturais e turísticos que nos fazem conhecer ou relembrar grandes momentos gravados nas páginas da história deste pequeno país à beira-mar plantado.
Há outra fonte geradora de património: a fé cristã do povo. O norte tem uma matriz cristã muito forte. Braga é diocese desde os primeiros séculos do cristianismo. Ali foram construídos muitos mosteiros e Igrejas paroquiais. Tarouca, em Lamego, Tibães em Braga são dois dos exemplos mais marcantes pela cultura gerada e difundida e pela agricultura incentivada. Graças às devoções e tradições populares, foram edificados muitos santuários e ermidas, muitos nos altos dos montes, outros em descampados, tornando-se centros de peregrinação e romaria, como são os casos da Sra da Lapa em Sernancelhe, do S. Bento da Porta Aberta e da Sra da Abadia no Gerês, para apenas citar alguns. Ao falar de romarias populares que mobilizam milhares de pessoas, podemos referir a Senhora dos Remédios em Lamego ou a Senhora da Agonia, em Viana do Castelo, citando romarias em cidades.
Com o desenvolvimento das cidades, surgiram as catedrais e outras Igrejas de grande valor arquitectónico e cultural. Mais do que edifícios, geraram-se dinâmicas de cultura e de fé que estão na raiz das maiores cidades do norte do país. Não é por acaso que todas as velhas catedrais estão nos centros históricos das cidades.
Claro que também vale a pena visitar as belezas da natureza que são muitas e diversificadas. Mas o património construído mostra a alma e a cultura de um povo que convém conhecer melhor para que o desenvolvimento integral possa continuar a fazer o seu caminho e gerar mais felicidade, justiça e paz para todos.”


