Voluntariado Missionário
Voluntariado Missionário
Este Luso Fonias é dedicado aos voluntários em Missão. Em 2017, há 1403 portugueses que partem para projetos de voluntariado missionário em países em desenvolvimento, sobretudo no espaço lusófono. São na sua maioria jovens, entre os 18 e os 30 anos, e muitos deles repetem a experiência de missão. Neste programa falamos com Catarina António, da Plataforma do Voluntariado Missionário da Fundação Fé e Cooperação.
Na opinião do P. Tony Neves – ‘A revolução do voluntariado missionário’
“Essa ideia antiga de que só padres, irmãs e irmãos de Institutos missionários podem partir em Missão está completamente ultrapassada. E ainda bem, para bem de todos! Assim, os números que, ano após ano, a Plataforma do Voluntariado Missionário, gerida pela Fundação Fé e Cooperação (FEC), publicam, dão-nos a alegria de saber que há milhares de leigos que partem em Missão. Claro que a maioria delas e deles partem para Missões cá dentro de Portugal, de norte a sul do país, do continente às Ilhas. Mas há um número significativo de jovens e menos jovens que rumam às Áfricas, Américas, Ásias e até Oceanias. São números que falam alto e calam fundo, pois expressam o sentido missionário das nossas comunidades cristãs que ousam escutar o convite insistente do papa Francisco para que sejamos uma Igreja em saída, sempre na direcção das periferias e margens do nosso mundo, onde se torna urgente anunciar um Evangelho que traga às sociedades e pessoas os valores do Reino de Deus: a justiça, a paz, o amor e a alegria.
Tenho estado atento às notícias que dizem respeito ao voluntariado missionário, sobretudo ouvindo quem parte e quem chega. Há partilhas que se repetem: os jovens e menos jovens partem porque sentem o apelo da Missão, escutam o grito dos mais pobres, percebem que têm muito para dar …Depois, na hora do regresso, a confissão é sempre a mesma: gostamos muito, foi uma experiência que marcou a vida, demos tudo o que somos, mas recebemos muito mais do que o que demos. Sempre vem ao de cima esta convicção experimentada de que o dar potencia o receber. Ou seja, traduzindo para hoje as palavras de S. Francisco de Assis: ‘é dando que se recebe!’.
Esta onda do voluntariado missionário, que já tem uma crista alta, ainda precisa de mais ‘surfistas’. A Missão será sempre um espaço sem fronteiras e as palavras de Cristo nunca perderão actualidade: ‘a messe é grande e os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande mais trabalhadores para a sua seara!’.
Há um outro dado relevante a não perder de vista. As missões dos voluntários acontecem sempre no quadro de missões de consagrados ou de paróquias confiadas a padres diocesanos. Ou seja: a consistência e a viabilidade destes projectos pressupõem uma Igreja com Padres, Irmãs e Irmãos que, a tempo inteiro e coração inteiro entreguem à Igreja e ao povo toda a vida. Estas vocações estão a falhar muito na nossa Europa, embora estejam a crescer noutros quadrantes do mundo. O Voluntariado Missionário em Portugal tem de ajudar a Igreja aqui a redescobrir a importância capital dos padres, Irmãs e Irmãos para a Missão da Igreja. Até porque as entidades que motivam, formam e enviam em Missão são, regra geral, Institutos Missionários.
Uma palavra final sobre o regresso a casa. Muitos dos Voluntários regressam às suas comunidades de origem com uma enorme vontade de ali continuar a Missão realizada fora de portas. Só que muitas comunidades estão fechadas á novidade ou muito envelhecidas para poder capitalizar a riqueza das experiências dos voluntários. É, em muitos casos, uma perda irreparável para as comunidades e uma frustração para os voluntários missionários. Também aqui há um longo caminho a percorrer e os departamentos missionários e juvenis das dioceses devem tomar mais a peito esta missão de abrir portas a quem recebeu muito numa linha da frente da Igreja e, de regresso a casa, tem uma vontade enorme de continuar a ser testemunha do Evangelho.”


