Histórias de aviões

2 Set, 2017

Histórias de aviões

by José Correia Guedes

Este Luso Fonias é dedicado aos aviões, ao prazer de voar e também ao medo que alguns têm de usar este meio de transporte. O convidado deste programa é o comandante José Correia Guedes e foi piloto da TAP durante 30 anos.

Na opinião do P. Tony Neves – ‘Voar para encontrar’

“Sempre me fascinou o voo rasante de algumas aves. A elegância, o domínio dos ventos, a aterragem serena no local previamente escolhido. Há também os voos das aves de rapina que vêem as presas e picam na direcção que permite capturar o animal que vai, de seguida, nutrir toda a ninhada. Mas também gosto de voar, de avião, partindo ao encontro de situações missionárias que continuam a chamar por mais missionários que se queiram dedicar às pessoas que mais precisam de atenção, coragem e apoio.

Como Provincial, tenho voado muito. Algumas vezes, os voos são dentro da Europa, para participar em reuniões. Não são os mais agradáveis pois, após chegada ao aeroporto, alguém me apanha e me ‘fecha’ numa casa onde decorrem reuniões sem fim, até me colocarem, novamente, dentro de um avião que me traga de regresso a Portugal. E a vida continua…

Mas há viagens que rasgam novos horizontes por permitem ver , no local, a excelência do trabalho missionário feito por muita gente. Visitei Angola onde, de norte a sul do país, os missionários passam por muitas dificuldades para anunciar o Evangelho numa terra onde há injustiças sociais gritantes e uma liberdade de expressão muito condicionada. Estive em Cabo Verde onde a Igreja rema ao lado do povo para dar condições de vida digna a populações que habitam Ilhas muito desérticas e historicamente abandonadas. Ali senti o palpitar da fé de um povo que não desiste. Fui até ao Brasil, começando pelas periferias pobres e violentas do Rio de Janeiro e de S. Paulo onde os missionários têm todos os dias a cabeça a prémio, dada a insegurança e instabilidade em que vivem. Depois, rumei em direção á Amazónia, esse povo que anda de barco no meio de densas florestas. Ali vive-se o isolamento e a sensação de abandono das autoridades, mas é forte e persistente a presença e intervenção da Igreja junto dos povos indígenas e ribeirinhos. Estive nas periferias de Santa Cruz de la Sierra, no sul da Bolívia, onde o povo é pobre, os poderes civis não resolvem os problemas e a Igreja é tábua de salvação para os mais pobres. Fui até ao Paraguai, visitando os Espiritanos que trabalham nas periferias da capital, mas também no mundo guarani, lá nos interiores pobres e abandonados do país.

Estas visitas ás periferias do mundo mostram-me as desigualdades sociais gritantes que tantas vezes e de tantas maneiras o Papa Francisco tem denunciado. O mundo tem alimentação suficiente para todas as bocas, mas há milhões de famintos! É que há produção suficiente de bens alimentares, mas a distribuição é extremamente injusta.

Continuemos a voar para levar o Evangelho da justiça e da paz a todos os povos. Lutemos para que os mais pobres e abandonados deixem de o ser. Façamos do mundo um espaço de fraternidade, assente na justiça e no amor. É assim que o futuro da humanidade se tem de construir.”

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