Direito à Alimentação Adequada

21 Out, 2017

Direito à Alimentação Adequada

by Francisco Sarmento

Este Luso Fonias é dedicado ao direito à alimentação adequada. Na passada segunda-feira, assinalou-se o Dia Mundial da Alimentação, com o Papa Francisco a visitar a sede da FAO – a agência das Nações Unidas para a agricultura e alimentação. Neste programa contamos com o testemunho do representante da FAO em Portugal e junto da CPLP, Francisco Sarmento, para nos explicar quais são os desafios do combate à fome e à insegurança alimentar no espaço lusófono.

Na opinião do P. Tony Neves – ‘Mais barriga ou mais jantar?’

“Conta-se que um Nobel da economia dividia o mundo em duas partes: os que têm mais jantar do que barriga e os que têm mais barriga do que jantar! É uma forma bem humorada de chamar a atenção para as desigualdades gritantes que marcam o mundo em que vivemos. O Papa Francisco, com a sabedoria que todos lhe atribuímos, repete com insistência o facto de que o mundo produz alimentação suficiente para todos, mas há muita fome. Concluiu-se facilmente (e o Papa o diz no documento ecológico ‘Laudato Si’) que o problema não está na produção: está na injusta distribuição das enormes colheitas de bens alimentares no nosso mundo. Não há uma questão agrícola, mas de fraternidade. Não faz sentido deitar comida fora às toneladas para equilibrar economias e, com esta atitude que salva contas, condenam-se à fome milhões de pessoas por esse mundo além.

Nos últimos anos, em Portugal como no resto do mundo, a tragédia da fome abala a consciência e obriga a agir. Nem sempre se consegue ir à base dos problemas para – como diz o nosso povo – cortar o mal pela raiz! Mas há iniciativas que ajudam a dar pão a quem tem fome, cumprindo esta primeira obra de misericórdia, como nos ensinam o Evangelho e os Catecismos. Assim, nunca é demais referir a importância do Banco Alimentar contra a Fome que, em Portugal, alimenta milhares de pessoas. Tentam-se recuperar bens alimentares, por doações de produtores, distribuidores, lojas comerciais, mas também por ofertas individuais, recolhidas em supermercados. A ideia que a publicidade tentar introduzir na cabeça e no coração das pessoas, é simples: não podes fazer o milagre da multiplicação dos pães, faz então o milagre da sua divisão!

Nos últimos tempos, tenta-se, um pouco por todo o mundo, combater o desperdício alimentar dos restaurantes. Os números são arrasadores: há toneladas e toneladas de comida que foram confeccionadas nas estruturas de restauração que, no fim do dia, ninguém comprou e, segundo as leis da segurança alimentar, têm de ser deitadas ao lixo! Isto é um atentado contra os milhões de pessoas que passam fome ou estão mal nutridos. Como reação, surgiu a onda do ’Refood’: pessoas que vão aos restaurantes e bares recuperar esta comida que sobra para, depois, distribuir por quem precisa. O aproveitamento alimentar deste desperdício de luxo já vai em toneladas que saciam a fome a muitos milhares de pessoas.

Haja criatividade, criem-se leis que gerem justiça e, sobretudo, construamos um mundo mais humano em que os irmãos partilhem o pão de cada dia.”

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