Dar à luz

23 Dez, 2017

Dar à luz

by Rosa Kalembe e João Paulo Nunes

Nesta época em que nos juntamos para festejar o nascimento de Jesus, vamos falar sobre os profissionais que ajudam naquele momento decisivo em que uma mãe dá à luz e nos primeiros tempos do bebé. Em Angola, a Fundação Fé e Cooperação, a Cáritas de Angola e um conjunto de parceiros dão formação a enfermeiras para que os cuidados de saúde para mães e bebés sejam cada vez mais seguros, num país que tem ainda uma taxa de mortalidade materno-infantil elevada. Contamos com o testemunho de Rosa Kalembe, enfermeira de cuidados materno-infantis em Angola, e João Paulo Nunes, professor na Escola Superior de Enfermagem São Francisco das Misericórdias.

Na opinião do P. Tony Neves – ‘Nasce uma Criança!’

“‘Nasceu o nosso filho, estamos babados, é bonito porque sai à mãe’… esta é apenas uma das muitas mensagens que anunciam nascimentos. Não foi mandada só para mim, embora tenha um significado especial pois sou muito amigo dos pais e presidi à Missa do seu Casamento. A alegria na hora do Natal é contagiante quando o filho que nasce foi querido e amado desde a concepção. É muito bonito ver imagens de mães com o recém-nascido ao colo: estão com ar cansado de um parto (ou cesariana) que fez doer, mas em nada apagou a felicidade extrema de abraçar um filho pela primeira vez. E o mesmo se diz do primeiro abraço de um pai.

Celebrar o Natal de Cristo deve ter este mesmo sabor, trazer esta profunda alegria de ver a humanidade mais rica. Há dois mil e tal anos, como hoje, o Natal provoca o nosso sentido de responsabilidade. Sendo a grande festa da vida, contesta frontalmente todas as formas de morte que andam por aí à solta e fazem milhões de vítimas por esse mundo além. Tenho, nas minhas visitas missionárias fora de portas, contactado com situações dramáticas que me deixam mal disposto. Conversar com crianças que nunca souberam quem eram os pais, ajudar a distribuir uma refeição quente a crianças de rua, perceber que as crianças que estão a falar comigo nunca foram à escola, saber que a refeição distribuída é a única quente que estas crianças comem durante a semana toda… enfim, tomar consciência destas realidades, como tomei no mercado abastecedor de Assunção, no Paraguai, dói muito e mostra-nos como o mundo ainda é tão injusto!

O Natal potencia a solidariedade, mas não tem conseguido resolver as desigualdades sociais gritantes que marcam o mundo e o seu ritmo de caminho. É bonito ver a participação forte das populações em campanhas de Natal, lançadas pelos meios de comunicação ou por grandes organizações humanitárias. Tudo em nome da sensibilidade que o Menino do Presépio gera. Mas era tão bom que os problemas se resolvessem lá no fundo e, de uma vez por todas, a injustiça fosse enterrada!

Fernando Pessoa escreveu que ‘o melhor do mundo são as crianças’. Mas a verdade dos factos contesta esta convicção do nosso poeta porque não é normal que ‘o melhor do mundo’ seja, em muitos contextos, maltratado e abusado. A tolerância zero ao abuso de menores tem de manter-se firme e vigilante. E não olhemos só à questão sexual, mas a todos os âmbitos e ambientes onde os direitos humanos das crianças são completamente espezinhados.

É Natal. Compram-se prendas e pessoas. Atam-se lacinhos e compromissos. Doam-se ajudas e limpam-se consciências. Mas há que ir mais longe e mais fundo, olhando para a mensagem do Menino de Belém. Há que tomar a sério o ‘Glória a Deus nas Alturas e Paz na Terra às Pessoas que Deus Ama’.

Desejo a todas as pessoas um Santo e Feliz Natal com todas as Bênçãos do Cristo que nasce.”

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