(d)efeitos do plástico

12 Jun, 2018

O plástico é quase indissociável do nosso estilo de vida moderno. Ao longo dos últimos 150 anos, este extraordinário material conseguiu mudar radicalmente a sociedade em que vivemos. No entanto, a sua durabilidade e resistência são uma ameaça ao ambiente: cada pedaço de plástico produzido até hoje, que não foi recolhido e tratado, ainda existe, algures perdido na natureza. A produção global de plásticos aumentou de 2 milhões de toneladas em 1950 para 400 milhões em 2015 e os cientistas estimam que, se a atual tendência de produção continuar, cerca de 12 mil milhões de toneladas de plástico usado vai acabar em aterros ou no ambiente em 2050.

Todos os anos são produzidos perto de 100 milhões de sacos de plástico, a que somamos os recipientes e brinquedos passando pelas microesferas presentes nas pastas de levar os dentes ou nos produtos de cosmética, que se diluem e se perdem nos sistemas de esgotos. A falta de resposta adequada à reutilização, ou reciclagem deste material (sabia que 91% do plástico que fabricamos não se recicla?) origina que, anualmente, mais de 10 milhões de toneladas de plástico acabam no mar.

É este plástico que mata mais de um milhão de aves e animais marinhos por ano, por ingestão de detritos plásticos ou por ficarem presos neles. É este o plástico que também afeta as comunidades piscatórias. Logo, se o peixe que pescam está contaminado, então o peixe que comemos também está.

Com mais de 200 mil toneladas à tona nos oceanos, e a descoberta de oceanos de plástico, a UE, “apoiada “ nas campanhas de sensibilização promovidas pela National Geographic, Friends of the Earth, Green Peace, WWF, a Zero em Portugal, entre outras, e depois de em janeiro ter aprovado a Primeira Estratégia Europeia para os Plástico, prepara-se agora para criar novas regras para reduzir o lixo marinho e atuar para garantir que os 10 produtos de plástico descartáveis mais frequentemente encontrados nas praias europeias e no mar, bem como para as artes de pesca perdidas ou abandonadas, são eliminados ou reduzidos.

“As novas regras introduzirão:

• Uma proibição de utilização de plásticos em determinados produtos: Nos casos em que existem alternativas facilmente disponíveis e acessíveis em termos de preço, os produtos de plástico descartáveis serão banidos do mercado. A proibição será aplicável aos cotonetes, talheres, pratos, palhinhas, agitadores de bebidas e paus para balões em plástico, que terão de ser todos fabricados exclusivamente a partir de matérias-primas mais sustentáveis. As embalagens de bebidas descartáveis feitas de plástico só serão autorizadas no mercado se as respetivas tampas se mantiverem agarradas à embalagem;
• Objetivos de redução do consumo: Os Estados-Membros terão de reduzir a utilização de plásticos em recipientes descartáveis para alimentos e bebidas.
• Obrigações para os produtores: Os produtores contribuirão para cobrir os custos da gestão dos resíduos e da limpeza, bem como de medidas de sensibilização para o problema dos recipientes para alimentos, dos pacotes e embalagens), dos recipientes para bebidas, dos produtos de tabaco, dos toalhetes húmidos, dos balões e dos sacos de plástico leves. Serão também dados incentivos à indústria para desenvolver alternativas menos poluentes para esses produtos;
• Objetivos de recolha: os Estados-Membros serão obrigados a recolher 90 % das garrafas de bebidas de plástico descartáveis até 2025, por exemplo através de regimes de restituição de depósitos;
• Requisitos de rotulagem: certos produtos exigirão uma rotulagem clara e normalizada indicando a forma como os resíduos devem ser eliminados, o impacto ambiental negativo do produto e a presença de plásticos nos produtos. Essa rotulagem aplicar-se-á aos pensos higiénicos, toalhetes húmidos e balões.
• Medidas de sensibilização: os Estados-Membros serão obrigados a sensibilizar os consumidores quanto ao impacto negativo do lixo resultante dos plásticos descartáveis e das artes de pesca, bem como sobre os sistemas de reutilização disponíveis e as opções de gestão dos resíduos para todos estes produtos.

A Comissão visa completar o quadro de ação existente no que respeita às artes de pesca, que representam 27 % de todos os resíduos das praias, com regimes de responsabilização dos produtores de artes de pesca que contenham plástico“.
(Boletim informativo “Plásticos descartáveis: novas regras da UE para reduzir o lixo marinho, 28 de maio de 2018”)

Últimas notícias…

Oportunidades criadas em tempos de covid

Oportunidades criadas em tempos de covid

A pandemia lançou-nos diversos desafios organizacionais e na implementação dos projectos que desenvolvemos. Obrigou-nos a pensar e definir planos de contingência, a cuidar da relação com parceiros e mesmo com comunidades à distância, a promover uma proximidade...

read more