Coerência das Políticas para o Desenvolvimento: Relatório da CE
A expectativa em torno do relatório da Comissão Europeia (CE) sobre Coerência das Políticas para o Desenvolvimento era grande, uma vez que o último relatório publicado era de agosto de 2015.
O relatório de 2019 sobre CPD é o primeiro relatório publicado sobre o tema pela Comissão Europeia depois do compromisso global assumido em torno da Agenda 2030 – transformar o nosso Mundo.
No relatório a CE começa por abordar as diferenças entre Coerência das Políticas para o Desenvolvimento (CPD) e Coerência das Políticas para o Desenvolvimento Sustentável (CPDS), referindo que a CPD é uma obrigação legal nos tratados da UE, enquanto a CPDS decorre da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e da Agenda de Ação de Adis Abeba sobre financiamento para o desenvolvimento (FfD). Além disso, o relatório diz que, para a CPDS, os legisladores devem garantir coerência multidirecional, seguindo vários objetivos em todo o mundo, já que os ODS são universais, enquanto que para a CPD, a coerência é direcionada a uma única causa, que é do interesse dos países em desenvolvimento. Não se trata, portanto, apenas de semântica, é uma discussão intensa, com um impacto na análise que cada Estado-Membro e que a UE pode fazer sobre o tema.
Partilhamos as conclusões do relatório. Para ler o relatório na integra clique aqui.
CONCLUSÕES
“A Coerência das Políticas para o Desenvolvimento assume crescente importância no contexto da nova Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Formular políticas sólidas que tenham em conta, de início, o seu impacto sobre países em desenvolvimento será central para alcançar os novos objetivos globais.” – Comissário Neven Mimica
Nestes tempos marcados por crescentes desafios globais, expansão de movimentos populistas e pressões sobre o multilateralismo, a Agenda 2030 define um plano preciso de ação para o futuro sustentável. O caráter universal da Agenda e a forma como sublinha a importância de uma interdependência e de uma coerência entre políticas, modifica o trato negocial entre os Estados, visando criar soluções que a todos beneficiem. A nível global, um dos maiores dilemas que os governos hoje enfrentam é a convergência dos seus interesses nacionais com os objetivos de desenvolvimento de países terceiros.
Apesar dos desafios que se colocam à cooperação para o desenvolvimento, neste ambiente em constante mutação, a UE tem mantido o papel de líder na promoção da CPD. Contudo, existem ainda desafios significativos que obstam ao trabalho da CPD em certas áreas específicas, de crescente sensibilidade política, tais como a migração e a segurança. São nestes casos, de compromisso difícil, que medidas de mitigação se tornam essenciais.
A nível institucional, existem várias ferramentas e diferentes mecanismos que contribuem para assegurar o cumprimento da CPD no ato de desenvolvimento de novas políticas. A “Better Regulation Guidelines” foi um passo positivo nesta direção, particularmente quanto às orientações estabelecidas em matéria de avaliação e a ferramenta dedicada a países em desenvolvimento. As melhorias que se impõem nesta frente são o reforço dos métodos de trabalho e dos mecanismos de coordenação e a avaliação mais sistemática de políticas, de forma a abranger a sua totalidade.
Segundo ficou assinalado no início deste relatório, o conceito de CPDS, que resultou da adoção da Agenda 2030, criou algum tumulto em torno do conceito da CPD no Tratado da UE. Em alguns Estados Membros, a CPD tem sido parcial ou totalmente subordinada à PCDS. Nesses casos, é essencial que os governos se ocupem da questão, limitando os efeitos transfronteiriços negativos das suas políticas sobre países em desenvolvimento. Conforme reiterou o Novo Consenso Europeu sobre o Desenvolvimento, a CPD contribui de forma importante para os objetivos mais amplos da CPDS. Assim, teremos de continuar a maximizar o impacto positivo da ajuda ao desenvolvimento, assegurando a consideração dos objetivos ao desenvolvimento no momento da realização de novas políticas suscetíveis de afetar países em desenvolvimento. Mecanismos sólidos de coordenação são essenciais para monitorizar a UE e os Estados Membros, a nível de escrutínio de políticas e de promoção da CPD, numa agenda mais alargada.
A CPD constitui um elemento chave na prossecução da Agenda 2030. Seja na implementação dos objetivos da CPD como mais amplamente na CPDS, podemos apoiar de formar efetiva a implementação da Agenda 2030 se considerarmos e reduzirmos ao máximo possível os efeitos negativos que as nossas políticas poderão ter sobre países em desenvolvimento, honrando assim o nosso compromisso de “não deixar ninguém para trás”.
(tradução por Carlota Jesus)
Últimas notícias…
Europa, sê fiel à nossa Casa Comum
Enquanto a crise energética e os conflitos globais destacam, mais uma vez, a vulnerabilidade do nosso continente, apelamos à União Europeia (UE) para que seja fiel aos seus valores fundadores da dignidade humana e do respeito aos direitos humanos, e estabeleça metas...
Formadores do ensino primário do sul de angola reforçam competências pedagógicas em matemática e português
Vieram dos nove municípios da província do Namibe, no sul de Angola, para participar em duas semanas intensivas de formação de formadores de professores, organizadas pela FEC no âmbito do projeto Twetu. O objetivo é reforçar as competências científicas, pedagógicas e...

