Encontro de Ativistas – Querida Casa Comum
O encontro de ativistas “Querida Casa Comum!“ decorreu de 29 a 31 de maio, no contexto do projeto Juntos Pela Mudança II. Inicialmente previsto para acontecer na Casa Velha, assumiu-se o desafio de, tirando partido do espaço online, de facto formar uma pequena comunidade constituída por 18 jovens participantes e oradores vindos de Bruxelas, Rio de Janeiro, Filipinas e diferentes lugares de Portugal.
O mote do encontro indicava ao mesmo tempo uma finalidade e um modo de viver, de agir, de cuidar, de forma a enraizar o nosso atvismo. Cuidar da Casa Comum põe-nos em marcha, em ação. Mas Cuidar (do latim cogitare) pressupõe um movimento prévio, um passo atrás, de conhecer o que cuido, de me ligar, para cuidar como resposta ao que me implica, de ter um olhar mais amplo e integrado. Quem ama, cuida.
Na sexta-feira os participantes tiveram a oportunidade de se conhecer. Escutaram ainda Giorgio Gotra, assistente de campanhas por estilos de vida sustentáveis na Coopération Internationale pour le Développement et la Solidarité (CIDSE), a partilhar o seu processo nestes últimos tempos da epidemia.
O dia de sábado passou por três momentos. Primeiro foi lançada uma proposta de reflexão para que cada um reconhecesse a forma como tem sido cuidado, os frutos da sua experiência de pertença à Casa Comum: o que sonha então ver cuidado na sua realidade pessoal? Que caminhos de ação são possíveis?
De seguida falou a antropóloga brasileira Moema de Miranda que, a partir da sua noção e conflitos socioambientais, e da sua proximidade à situação de mau trato socioambiental da Amazónia, apontou para o ensinamento urgente e essencial que nos têm a dar os povos indígenas. Os mais vulneráveis, devido à sua situação frágil, que os torna ao mesmo tempo embaixadores da resiliência, pois vivem a partir da interdependência, responsabilidade, cuidado e partilha. A discussão apelou muito à coragem de assumir o nosso impacto e que mudar é possível, necessário e diz respeito a todos. Assumir este tempo como decisivo para nos apercebermos de que somos terra e não parte da terra. Após este momento houve então uma partilha em que cada um trouxe um registo de um gesto que simboliza o seu sonho e sua forma de ação. A alegria de pôr estes sonhos em comum e compreender que estão ligados uns aos outros, cuidado da mesma terra, reforça o compromisso e amplia os sonhos.
O programa culminou com uma conferência aberta no domingo, em que falou, a partir da sua experiência nas Filipinas, o Coordenador da Plataforma EcoJesuit e da rede Reconciliação com a Criação Pedro Walpole, sj, da importância de uma vida mais comunitária, mais próxima à terra, para ser mais ligada ao outro e a esta, mais enraizada no sentido de fragilidade e interdependência.
Ainda, Chiara Martinelli (CIDSE) falou-nos do seu desafio pessoal e profissional em fazer da rede CIDSE, onde trabalha como consultora, uma família reunida em torno de uma partilhada conversão ecológica, guiada pela encíclica Laudato Si’. Da discussão reteve-se que nenhuma estrutura (inter)nacional económica, política, ambiental basta por si mesma, mas tem que ter na base indivíduos em conversão pessoal, que façam a estrutura caminhar.
No fim do programa, vários participantes manifestaram interesse em continuar a poder ser acompanhados e inspirados, esperando encontrar-se fisicamente, em proximidade e conexão com a natureza. Nesse sentido, a equipa do projeto transcreverá as conferências e irá promovendo este caminho conjunto, em especial neste ano de celebração Laudato Si’ que teve agora início.
O projeto Juntos Pela Mudança II é promovido pela FEC, em parceria com a Associação Casa Velha e a CIDSE com o cofinanciamento do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua.
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