O número de refugiados e deslocados internos atingiu um valor recorde: 82,4 milhões

21 Jun, 2021

Pelo 9º ano consecutivo aumenta o número de refugiados e deslocados internos – após serem forçados a fugir das suas regiões devido a perseguições, conflitos, violência e violações dos direitos humanos – aumentou para 82,4 milhões no ano passado, segundo o último relatório Global Trends, do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR).

Entre aqueles que foram obrigados a fugir do seu país, os sírios continuam a ser o maior contingente, com cerca de 6,8 milhões de deslocados internacionais em resultado da guerra, seguidos pelos palestinianos, com cerca de 5,7 milhões.

Os venezuelanos constituem o terceiro maior grupo, com cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo os números do ACNUR.

Em termos de países de acolhimento, a Turquia continua a ser o ‘número um’, com quase quatro milhões de refugiados e requerentes de asilo, a maioria provenientes da Síria.

Aliás, a maioria dos refugiados em todo o mundo está abrigada em países de rendimento médio ou baixo que fazem fronteira com regiões em crise, sendo que os países menos desenvolvidos acolhem 27% de todos os refugiados.

O documento, divulgado no passado dia 18 de junho, pede uma reversão da tendência global de aumento dos deslocamentos e fugas, que já dura há quase uma década. Os dados revelam que, apesar da pandemia e de pedidos globais de cessar-fogo para que governos possam cuidar de doentes e feridos, os conflitos continuam a ser a maior causa dos deslocamentos.

Mas as pessoas não são números. O Alto-Comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, disse que por trás de cada um desses números está “uma pessoa deslocada de sua casa e uma história de fuga, desenraizamento e sofrimento”. “Cada indivíduo merece a nossa atenção e apoio, não apenas através de ajuda humanitária, mas na busca de soluções para pôr fim aos seus tormentos.”

Segundo o relatório, as crianças são, particularmente, as mais afetadas pelas crises de deslocamento, uma vez que 42% de todas as pessoas deslocadas no mundo têm menos de 18 anos de idade.

A ONU calcula que quase 1 milhão de crianças já nasceram como refugiadas entre 2018 e 2020.

O relatório conclui que um dos grandes desafios é assegurar as melhores condições para as crianças em risco, além daquelas que estão desacompanhadas ou separadas das suas famílias.

Este aumento é um sinal claro de que é necessário reforçar a adoção de políticas coerentes com os esforços de desenvolvimento. Face a uma securitização das migrações, é necessário reforçar o binómio migração-desenvolvimento, reconhecendo e incentivando o contributo dos migrantes para o desenvolvimento dos países de origem e de destino, através de políticas e medidas concretas, ao nível global, regional, nacional e local.

Para dar uma resposta assertiva e humana a este desafio e garantir políticas europeias justas e coerentes é necessário o compromisso global e, para isso, necessitamos de todas as pessoas para ativar a cidadania global.

Ative a sua cidadania e escreva aos nossos deputados nacionais e deputados ao Parlamento Europeu em: https://www.fecongd.org/coerencia/atividades/postais-digitais/

@ UNHCR / Saleh Bahulais

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