O número de refugiados e deslocados internos atingiu um valor recorde: 82,4 milhões
Pelo 9º ano consecutivo aumenta o número de refugiados e deslocados internos – após serem forçados a fugir das suas regiões devido a perseguições, conflitos, violência e violações dos direitos humanos – aumentou para 82,4 milhões no ano passado, segundo o último relatório Global Trends, do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR).
Entre aqueles que foram obrigados a fugir do seu país, os sírios continuam a ser o maior contingente, com cerca de 6,8 milhões de deslocados internacionais em resultado da guerra, seguidos pelos palestinianos, com cerca de 5,7 milhões.
Os venezuelanos constituem o terceiro maior grupo, com cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo os números do ACNUR.
Em termos de países de acolhimento, a Turquia continua a ser o ‘número um’, com quase quatro milhões de refugiados e requerentes de asilo, a maioria provenientes da Síria.
Aliás, a maioria dos refugiados em todo o mundo está abrigada em países de rendimento médio ou baixo que fazem fronteira com regiões em crise, sendo que os países menos desenvolvidos acolhem 27% de todos os refugiados.
O documento, divulgado no passado dia 18 de junho, pede uma reversão da tendência global de aumento dos deslocamentos e fugas, que já dura há quase uma década. Os dados revelam que, apesar da pandemia e de pedidos globais de cessar-fogo para que governos possam cuidar de doentes e feridos, os conflitos continuam a ser a maior causa dos deslocamentos.
Mas as pessoas não são números. O Alto-Comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, disse que por trás de cada um desses números está “uma pessoa deslocada de sua casa e uma história de fuga, desenraizamento e sofrimento”. “Cada indivíduo merece a nossa atenção e apoio, não apenas através de ajuda humanitária, mas na busca de soluções para pôr fim aos seus tormentos.”
Segundo o relatório, as crianças são, particularmente, as mais afetadas pelas crises de deslocamento, uma vez que 42% de todas as pessoas deslocadas no mundo têm menos de 18 anos de idade.
A ONU calcula que quase 1 milhão de crianças já nasceram como refugiadas entre 2018 e 2020.
O relatório conclui que um dos grandes desafios é assegurar as melhores condições para as crianças em risco, além daquelas que estão desacompanhadas ou separadas das suas famílias.
Este aumento é um sinal claro de que é necessário reforçar a adoção de políticas coerentes com os esforços de desenvolvimento. Face a uma securitização das migrações, é necessário reforçar o binómio migração-desenvolvimento, reconhecendo e incentivando o contributo dos migrantes para o desenvolvimento dos países de origem e de destino, através de políticas e medidas concretas, ao nível global, regional, nacional e local.
Para dar uma resposta assertiva e humana a este desafio e garantir políticas europeias justas e coerentes é necessário o compromisso global e, para isso, necessitamos de todas as pessoas para ativar a cidadania global.
Ative a sua cidadania e escreva aos nossos deputados nacionais e deputados ao Parlamento Europeu em: https://www.fecongd.org/coerencia/atividades/postais-digitais/
@ UNHCR / Saleh Bahulais
Últimas notícias…
Formadores do ensino primário do sul de angola reforçam competências pedagógicas em matemática e português
Vieram dos nove municípios da província do Namibe, no sul de Angola, para participar em duas semanas intensivas de formação de formadores de professores, organizadas pela FEC no âmbito do projeto Twetu. O objetivo é reforçar as competências científicas, pedagógicas e...
Relatório de Atividades 2025
2025 foi um ano de mudança e de desafios. Num contexto de maior conflitualidade e incerteza, mantivemos o nosso compromisso com a dignidade e a justiça. Com 18 projetos em curso, chegámos a 4 920 pessoas em ações formativas e a mais de 22 mil em campanhas de...

