COP26: A FEC em Glasgow para dar voz aos países mais pobres

8 Nov, 2021

Catarina António e Teresa Rebelo de Andrade, Gestoras de Projeto no departamento de Educação para o Desenvolvimento e Advocacia Social da FEC, estão já em Glasgow onde decorre a Cimeira do Clima, para levar à COP26 a voz dos países mais pobres.

Participam até 12 de novembro na 26.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26) mais de 120 líderes políticos e milhares de especialistas, ativistas e decisores públicos para atualizar os contributos dos países para a redução das emissões de gases com efeito de estufa até 2030.

A COP26 decorre seis anos após o Acordo de Paris, que estabeleceu como meta limitar o aumento da temperatura média global do planeta a entre 1,5 e 2 graus celsius acima dos valores da época pré-industrial.

No âmbito da sua participação na Conferência, Catarina António e Teresa Rebelo de Andrade, foram entrevistadas pela Ecclesia e afirmaram a importância de assumir compromissos.

“Nós acompanhamos os efeitos dramáticos que têm as alterações climáticas”. Catarina António lamenta que o Acordo de Paris não esteja a ser cumprido, mas manifesta “esperança” de que se cumpram as promessas, em particular por parte dos países mais ricos. “Trata-se de uma questão de justiça, não só climática, mas também social”, indica.

A responsável diz que as organizações dedicadas à cooperação internacional vivem sempre entre “a inquietação e a esperança”.

“Nós acreditamos que ainda é possível, é este o momento de assumir verdadeiramente os compromissos feitos”, aponta. “Felizmente” tem havido uma mudança nas organizações católicas no que respeita à ligação entre o cuidado da natureza e o cuidado com as pessoas, considerando a encíclica ecológica e social ‘Laudato Si’ (2015), do Papa Francisco, como um “ponto de viragem”

 

“Todos somos corresponsáveis por aquilo que está a acontecer”, sustenta.

Teresa Rebelo de Andrade, por sua vez, está a integrar a delegação da CIDSE, aliança internacional das agências de desenvolvimento pela justiça global, “com um impacto forte na advocacia social das alterações climáticas”

“Um dos grandes trabalhos da FEC é dar voz aos países em vias de desenvolvimento, ao sul global, que são os que menos contribuem para as alterações climáticas, mas são os que mais sofrem”, indica, a respeito da sua participação na COP26.

A Cimeira do Clima quer rever e operacionalizar o mecanismo que visa tentar compensar estas nações, com uma ajuda internacional “forte e bem estruturada”. Teresa Rebelo de Andrade considera que a crise climática é uma preocupação de todos, não só dos jovens ou das instâncias políticas, rejeitando as críticas de quem fala em excesso de “alarmismo”.

“Não há nada mais alarmista, neste momento, do que a inação política relativamente às alterações climáticas e ao aquecimento global”.

A COP26, acrescenta, representa a “derradeira” oportunidade para mudar o futuro da humanidade, uma “questão ética e moral”.

“A lógica das relações internacionais tem de mudar”, assinala. Esta é uma oportunidade de recomeçar e alterar o sistema económico, para que seja “mais sustentável, mais justo, tendo em conta as pessoas e não meramente o lucro”.

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