FEC lança Curso de Complemento de Formação em Educação
Os professores do ensino superior guineense dispõem, desde janeiro de 2022, de uma formação avançada, financiada pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua [Camões, I.P.] e implementada pela Fundação Fé e Cooperação [FEC] em parceria com o Ministério do Ensino Superior e Investigação Científica, que lhes permitirá reforçar competências, aprofundar conhecimentos e obter o grau de licenciatura.
O novo curso, frequentado por professores das Escolas Superiores de Educação da Guiné-Bissau com o nível de bacharelato, das áreas das Ciências Naturais e Sociais (10), Matemática (10) e Expressões (10), começou a ser ministrado, em Bissau, no dia 31 de janeiro e terá a duração de um ano (750 horas).
Acreditada pela Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal, esta oferta formativa distingue-se por disponibilizar um modelo de ensino-aprendizagem híbrido, conjugando metodologias online e presenciais.
Para Tatiana Oriane Fernandes, professora na Escola Superior de Educação em Cacheu, esta experiência piloto “é uma oportunidade ímpar”, uma vez que “para ensinar a alunos com o bacharelato não é necessário fazer a licenciatura” e esta formação irá permitir “corrigir as lacunas atuais”. Por outro lado, o sonho de avançar para o mestrado é “agora mais real”.
A jovem de 25 anos assume que existem dificuldades no acesso dos professores universitários guineenses a computadores e potenciar o uso do digital na escola é de extrema importância.
Já Orlando da Silva, docente no Centro de Formação Domingos Ramos em Bafatá, há cerca de 13 anos, considera que este curso irá permitir-lhe “dar tudo de si em prol do país”.
O programa de estudos foi definido de modo a que os formandos aprofundem os seus conhecimentos em áreas disciplinares de Língua Portuguesa, Ciências da Educação, Tecnologias de Informação e Comunicação, Expressões, Didática das Ciências Naturais e Sociais, Didática da Matemática e Didática das Expressões.
Miguel Figueiredo integra a missão de professores da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal que se encontra atualmente em Bissau e não esconde o “enorme orgulho” que sente “por participar em projetos da Cooperação Portuguesa com países africanos no domínio da educação”.
“O fosso digital na educação é um dos fatores que conduz à desigualdade de oportunidades entre os diferentes povos”, reconhece o professor que ministra a área das Tecnologias de Informação e Comunicação, reiterando que “é urgente intervir na democratização do digital”.
Para Miguel Figueiredo, “a educação formal não pode continuar a ignorar a Internet enquanto fonte de aprendizagem”. “A Internet – desde que os conhecimentos na área da pesquisa estejam consolidados – permite ao professor criar um sem número de recursos educativos digitais, designadamente apresentações eletrónicas que neste contexto podem ajudar a fazer face à escassez de materiais educativos em suporte de papel”, justifica.
Entre as competências que serão reforçadas ao longo da frequência do Curso, destacam-se a autorreflexão crítica sobre a prática profissional, a aptidão para desenvolver e implementar didáticas e a melhoria dos conteúdos científicos das áreas disciplinares que lecionam.
Esta experiência piloto realiza-se no âmbito do PRECASE – Programa de Reforço de Capacidades do Sistema Educativo da Guiné-Bissau, um projeto financiado pelo Camões, I.P. e implementado pela FEC em parceria com o Ministério da Educação Nacional, a Escola Superior de Educação – Instituto Politécnico de Setúbal e o Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.
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