Fátima no Mundo
Fátima no Mundo
Quando estamos a menos de três meses da grande comemoração do centenário das Aparições de Fátima, em que teremos a visita do Papa Francisco ao Santuário, o Luso Fonias vai dedicar alguns programas a compreender o fenómeno de Fátima e a sua importância, que ultrapassa as fronteiras de Portugal. Neste programa contamos com o testemunho do casal Cristina e Manuel Arouca, autores do documentário “Fátima no Mundo”, que agora foi publicado em livro. Eles andaram por todo o mundo, durante quatro anos, a visitar lugares onde existem santuários e procissões em honra de Nossa Senhora de Fátima. Hoje vão-nos contar algumas das histórias que encontraram em lugares como Moçambique, Goa ou Londres.
Na opinião do P. Tony Neves – ‘Fátima no planalto central e Angola’
“Cheguei a Angola no auge da guerra civil que dizimava o povo, sobretudo no interior do país. As cidades tinham sido mais ou menos poupadas até à minha chegada. A destruição veio depois.
O Kuito-Bié (antiga cidade de Silva Porto) foi a minha primeira Missão, naquele ano em que caiu o muro de Berlim: 1989. Só se chegava ali de avião, em descida em espiral que metia medo. Uma vez aterrados, bastou vir a primeira noite para ouvir o festival de tiros que acompanhava os ataques da UNITA para se abastecer nos armazéns da cidade e dizer que estávamos em guerra! O centro da pequena cidade era um modesto oásis de calma no coração de uma guerra fratricida e cruel.
Fui enviado para o Kuito, antes de mais e acima de tudo, para uma experiência de imersão na cultura e na língua deste povo. Mas os compromissos pastorais tomaram logo conta de minha agenda e, para surpresa, foi-me confiada a Paróquia da Fátima, fundada nas periferias da cidade por missionários espiritanos portugueses. Lá havia uma leprosaria que tinha uma capela, mas a Igreja Paroquial funcionava numas oficinas de carpintaria e serração. Durante um ano, ali celebrei quase diariamente e ali rezávamos a Nossa Senhora de Fátima que trouxesse a paz a este povo.
Há quatro anos, voltei, mais uma vez ao Kuito e fiquei emocionado quando pude visitar uma enorme Igreja em construção, dedicada a Nossa Senhora de Fátima. Será a futura Igreja Paroquial. E mais: no Chinguar, a meio caminho entre o Huambo e Kuito, o P. Agostinho Loureiro, espiritano de Barcelos, construiu um santuário belíssimo no cimo do Monte Chibango. Falarei deste santuário noutro comentário.
Do Kuito segui para o Huambo, onde os Seminários esperavam por mim. Ali encontrei logo a grande Igreja de Nossa Senhora de Fátima, um santuário enorme, no coração da cidade, fundado pelo P. Manuel Moutinho, espiritano, com uma enorme devoção a Nossa Senhora de Fátima. Ainda no tempo colonial, este espiritano lançou-se na aventura da construção da Igreja e de um centro social e pastoral para a evangelização e o apoio aos pobres. Celebrei muitas vezes nesta Igreja e senti-me sempre em casa.
Em Março passado estive no Huambo. Celebrei, no Domingo de Ramos, na minha comunidade de periferia (a Tchiva que foi erigida como Paróquia no domingo de Páscoa!). Mas não pude deixar de participar na Via-Sacra que concluiu na Igreja de Nossa Senhora de Fátima.
Fátima conta muito para os católicos do planalto central de Angola. É grande a devoção deste povo que foi confiando, ano após ano, a paz aos cuidados de Nossa Senhora.
Quando lá vou, muitas pessoas me perguntam: o Padre não trouxe um terço de Fátima para mim? Tenho levado muitos terços, pagelas e medalhas, mas o mais importante já está no coração deste povo: uma devoção enorme à Senhora que veio à Cova da Iria explicar os caminhos da Paz.”


