Integração de refugiados
Integração de refugiados
Este Luso Fonias é dedicado à integração de refugiados no nosso país. Na próxima terça-feira assinala-se o Dia Mundial dos Refugiados, motivo para fazermos mais um balanço da resposta que Portugal tem dado à crise de refugiados na entrada da Europa. O nosso país que, aliás, tem sido reconhecido como um exemplo de boa integração das centenas de pessoas que foram acolhidas nos últimos anos. Procuramos conhecer o projeto ComPARtilha, que integrou vários estudantes da Síria e da Eritreia no Colégio de São João de Brito, em Lisboa, juntamente com as suas famílias. Para nos falar sobre este projeto contamos com o testemunho de Rosário Farmhouse, a coordenadora do ComPARtilha.
Na opinião do P. Tony Neves – ‘Parabéns PAR! Força!’
“Diz o papa Francisco que, com as mesmas pedras, podemos construir muros ou pontes: os muros separam e as pontes unem. Mas é bom dar ouvidos, sobre estes temas quentes a grandes especialistas como o sociólogo francês Dominique Wolton que disse há dias: ‘repelimos os refugiados com uma brutalidade oposta a todos os nossos valores europeus. Os europeus esqueceram tragicamente o que recorda o Papa Francisco: ‘somos todos refugiados’. (…). Ninguém pensaria que teríamos tantos muros’.
É verdade, somos uma sociedade medrosa e, por isso, fechamos portas a quem foge de situações de pobreza extrema, perseguição e outras formas de violência. São imensos os dramas vividos por quem tem de deixar a terra que o viu nascer. E tudo se complica mais quando, no ponto de chegada não há braços abertos para acolher, mas armas apontadas para obrigar a regressar.
A onda de refugiados vindos do mediterrâneo não pára de aumentar. Muitos cadáveres são ‘sepultados’, como lamenta o papa Francisco, no grande cemitério que é o mar. Vítimas de redes mafiosas que prometem o céu à chegada à Europa de todos os sonhos, os refugiados são metidos em cascas de nozes que, muitas vezes, não resistem à fúria das ondas e morrem em naufrágios atrás de naufrágios.
Mas nem tudo são espinhos nestas histórias de refugiados. Um pouco por todo o mundo nascem instituições que tentam remar contra a maré e ajudar a criar ambiente e condições de acolhimento fraterno a quem chega. É o caso da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR), fundada em Portugal, agrupando um grande número de outras instituições, congregações religiosas e associações da sociedade civil. Fico feliz com a atribuição, pelo Parlamento Europeu, do prémio “Cidadão Europeu 2017″ à PAR. Mais que um reconhecimento pelo trabalho já feito, é um estímulo ao muito que está ainda por fazer nesta missão tão humanitária como urgente, em que todos os braços são poucos para enfrentar tão grande desafio. Neste trabalho estão em causa e em jogo milhões de vidas e, por isso, é crime cruzar os braços e nada fazer.
O Parlamento Europeu considerou que a PAR se destacou “pelo apoio prestado aos refugiados num ambiente de crise na União Europeia, tendo lançado em 2015 uma plataforma que reúne 210 organizações, autoridades e famílias decididas a criar condições para acolher refugiados em Portugal’. A Caritas Portuguesa, um dos membros fundadores desta Plataforma, também veio a público explicar: ‘Este prémio, atribuído pelo Parlamento Europeu, reconhece pessoas e organizações com trabalhos que promovem a integração europeia e vem destacar, desta forma, a capacidade de resposta que foi dada pela sociedade civil portuguesa perante uma das maiores crises humanitárias que a Europa já enfrentou’.
De mãos dadas e corações aquecidos, vamos continuar a criar condições para que as guerras acabem, a pobreza se combata, a liberdade vença e nunca faltem braços e corações abertos para acolher quem nos bate à porta. Afinal de contas, somos todos irmãos e irmãs e a fraternidade tem direito a cobrar preços muito elevados!”


