Cabo Verde
Cabo Verde
Este Luso Fonias é dedicado a Cabo Verde, que no dia 5 de julho comemora 42 anos de independência. Daqui mandamos um abraço a todos os nossos irmãos cabo-verdianos que ouvem o Lusofonias através da Rádio Nova. Contamos com o testemunho do músico Carlão, que é filho de cabo-verdianos e que partilha connosco os seus trabalhos mais recentes e como se tem aproximado cada vez mais das suas raízes e da cultura do arquipélago de Cabo Verde.
Na opinião do P. Tony Neves – ‘Cabo Verde, terra de paz e gente boa’
“Cabo Verde, para mim, é sempre terra de gentes queridas. Posso dizer que conheci Cabo Verde fora de portas. Para ser mais claro, conheci o Cabo Verde da diáspora, pois encontrei os primeiros caboverdianos da minha vida nas lides pastorais por terras da Cruz Quebrada, nas periferias de Lisboa. Guardo ainda amigos desses velhos tempos de há 30 e tal anos, naquelas encostas do Alto de Santa Catarina. Ali, o povo vivia mal, mas mantinha o seu coração enorme e feliz, entre a cachupa que se confeccionava e as mornas e coladeiras que se dançavam a ritmos que só os corpos caboverdianos conseguem dançar a sério!
Muitos anos mais tarde, tive o privilégio de conhecer Cabo Verde em Cabo Verde. Desloquei-me a este país lusófono para coordenar o melhor possível um projeto de Voluntariado Missionário, a ‘Ponte 2002’, dos Jovens Sem Fronteiras. E como tinha Missionários Espiritanos nas Ilhas de Santiago, Maio e Santo Antão, visitei-os todos e fiz uma reportagem sobre a Missão Espiritana em Cabo Verde. Ali encontrei um povo feliz e hospitaleiro, sempre de braços abertos para acolher, apesar das reais dificuldades por que passam para viver o seu dia a dia com dignidade.
Uns meses mais tarde, acompanhei uma dúzia de Jovens Sem Fronteiras à Calheta de S. Miguel para o tal projeto ‘Ponte’. Foi um mês de sonho, na interação com crianças, jovens e adultos desta comunidade paroquial tão dinâmica. Os jovens portugueses vieram de lá com uma marca que não se apagou até hoje, ano em que os JSF regressam para outra experiência de Missão por terras da Calheta.
Fui, depois, a Cabo Verde várias vezes, sobretudo para orientar Retiros ou participar em Ordenações de Padres Espiritanos. A última visita foi em 2015 para moderar o I Capítulo do Grupo dos Espiritanos, entretanto tornado independente de Portugal. Voltei a encontrar uma Igreja forte e um povo lutador contra ventos e marés, a investir num desenvolvimento sustentado e na cimentação da democracia que se torna exemplo para muitos países da vizinhança continental.
Que este caminho já andado rumo à democracia plena e ao respeito integral pelos direitos humanos faça de Cabo Verde um modelo, uma referência.”


