Os avós de hoje
Os avós de hoje
Este Luso Fonias é dedicado aos avós. O Dia dos Avós é assinalado no dia 26 de julho, dia de São Joaquim e Santa Ana, avós de Jesus. A propósito desta data procuramos analisar o papel dos avós nas famílias de hoje. Será que este papel se alterou muito nas últimas gerações? Para nos falar sobre este tema contamos com o testemunho da escritora e jornalista Isabel Stilwell, que partilhou recentemente a sua experiência de ser avó no livro “Crónicas de uma Avó Galinha”.
Na opinião do P. Tony Neves – ‘A Sabedoria dos Avós’
“Quando eu penso em avós cultos e sérios, vem-me muitas vezes à cabeça a grande figura do Professor Adriano Moreira. Junta sabedoria, lucidez, fé e humanidade. Olha longe porque tem raízes profundas que só o tempo ajuda a penetrar na história. Adriano Moreira escreveu um texto muito lúcido e corajoso sobre o G-20. Começou logo por dizer que o que nós temos é o G18+2 (pondo os EUA e a China noutro pacote). O G20 – é verdade – é um grupo que não foi escolhido por ninguém. Ou melhor, escolheram-se uns aos outros, mas a comunidade internacional organizada (ONU…) não teve palavra a dizer. Reúnem-se sempre envolvidos em grandes confusões (provocadas por grupos de resistência) e tentam entender-se sobre os grandes problemas / desafios da atualidade. Claro que o encontro de Hamburgo teria de enfrentar as novas posições de Trump, em ruptura aberta com as tomadas por Obama e assumidas, em grande parte, pelos restantes 19.
O papa Francisco, outro avô sábio, não quis ficar de fora e jogou por antecipação, como sempre bem sabe fazer, mandando uma mensagem a pedir, na política internacional ‘prioridade absoluta’ aos mais pobres e aos refugiados. O mundo inteiro recorda-se ainda do encontro de Francisco com Trump, quando o papa ofereceu a encíclica ecológica ‘Laudato Si’ ao presidente dos EUA. E o resultado também o conhecemos: Trump aboliu da política americana os pactos assinados em Paris sobre o clima, pondo em causa o futuro da humanidade.
O Papa, nesta mensagem enviada à presidente Merkel, como anfitriã, evoca a trágica situação no Sudão do Sul, de outras regiões africanas e do Iémen, “onde há cerca de 30 milhões de pessoas que não têm comida nem água”. Denuncia a corrida aos armamentos e pede que o encontro do G20 abra caminho a uma nova era de desenvolvimento inovador, interligado, sustentável, respeitador do ambiente e inclusivo de todos os povos.
As preocupações do papa Francisco caíram todas em saco roto. O encontro foi mais falado pela violência extrema dos manifestantes que pela ousadia profética dos líderes destes 20 países. Torna-se voz corrente apresentar o papa Francisco como uma das raras vozes lúcidas do nosso tempo. Todos gostam de ir até ao Vaticano e mostrar-se ao mundo ao lado deste Papa latino-americano. Mas a verdade é que as suas ideias e ideais colidem com interesses instalados, com negócios de muitos milhões que acabam por marcar os destinos dos povos.
E termino com um aviso dado á navegação pelo Professor Adriano Moreira, um avô digno de netos com sentido de humanidade. Ele recordou a nossa fraca memória histórica, pois os mais velhos ainda se lembram da II Grande Guerra Mundial que começou pela aceitação da ideologia nazi e acabou com a barbárie que foi o lançamento de bombas atómicas no Japão. Perguntem lá aos vossos avós se eles não se lembram e se eles gostariam que nós, hoje, passássemos por ali…”


