Percurso do Advento 2016
Chegámos ao Advento, começando um novo ano litúrgico, o Ano A, que nos inspira a propor um novo Percurso dos 4 A do Desenvolvimento Sustentável: Atenção, Acolhimento, Adesão e Abertura. Este ano a FEC tem tido a oportunidade de testemunhar diferentes histórias de vida no âmbito do projeto Juntos pela Mudança – ação conjunta por estilos de vida sustentáveis. Percursos de mudança que inspiram estilos de vida mais sustentáveis a partir de diferentes realidades, geografias, áreas, que nos mostram que a sustentabilidade ecológica diz respeito a todos. E o que é afinal um estilo de vida sustentável? Cada um terá a sua resposta, mas todas terão pontos comuns: vidas atentas ao que nos rodeia, que acolhem os outros, que aderem e se comprometem por um mundo mais justo, abrindo passagem à participação de todos. É uma sustentabilidade ecológica, enraizada nas virtudes do Cuidado, da Paciência, da Bondade, que constroem uma Casa Comum. A grande mudança de que necessitamos, que dá resposta ao colapso ambiental e social que testemunhamos, faz-se de concertação de políticas, mas estas só podem nascer a partir de pessoas e comunidades mais unidas, conscientes e ativas, que testemunham caminhos alternativos de vida mais simples e partilhada. A Mudança acontece na integração de todas as pequenas mudanças de cada um. Para os cristãos, esta mudança enraíza-se na Grande História de Mudança do Antes para o Depois de Cristo. Na verdade, a História de Jesus inspira todos os homens e mulheres de boa vontade, crentes e não crentes. É uma História de Verdade, Justiça e Alegria, acessível a todos e que todos podem viver, que nos transforma e nos torna transformadores, geradores de Luz e Vida. A agenda do desenvolvimento sustentável precisa desta Raíz e desta Luz, precisa deste Advento. A Luz surge nas Trevas, da nossa vida, das nossas casas, das nossas comunidades, da nossa Sociedade. Ponto de Luz que inspira pontos de Luz que se espalham, contagiam e dão força e luz para ir à procura e trazer para o centro quem permanece insistentemente esquecido nas trevas.
Tornar o desenvolvimento sustentável não consiste tanto em prolongar as nossas aquisições, mas antes em prolongar a nossa capacidade criadora. Tornar o desenvolvimento sustentável implica portanto, a cada pessoa presente e futura, não os bens necessários para viver mas antes a possibilidade de participar na sua produção. Tornar o desenvolvimento sustentável não consiste em prolongar a duração do modelo atual, mas antes de inventar outro modelo de desenvolvimento, um desenvolvimento pensado a partir do lugar que cada pessoa ocupa nele, mais do que da sua capacidade de aceder aos bens necessários. (Elena Lasida, O sentido do outro, Ed. Paulinas,2013)
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