Pelos 168 milhões de crianças obrigadas a trabalhar

12 Jun, 2017

12 de Junho é o Dia Mundial contra o Trabalho Infantil.

No mundo, 168 milhões de crianças são obrigadas a trabalhar, sendo que metade destas trabalha em condições difíceis, na agricultura, construção ou minas. Um número significativo destas crianças encontra-se em países afetados por conflitos, onde as crianças são especialmente afetadas por as escolas terem sido destruídas, por não existirem serviços sociais de qualidade e por terem frequentemente de abandonar as suas casas, tornando-se particularmente vulneráveis ao tráfico humano e ao trabalho infantil. Nesses trabalhos, os seus direitos mais básicos são muitas vezes violados, pondo em risco a sua segurança e saúde.

A pobreza é uma causa e uma consequência. As crianças encontram-se presas num círculo vicioso da pobreza, uma vez que têm de contribuir para a sobrevivência das suas famílias mas são impedidas de ir à escola e de melhorarem a suas competências, o que lhes permitiria ter instrumentos e meios para conseguirem melhores empregos e condições de subsistência durante a sua vida adulta.

 

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA

Princípio IX – Direito a ser protegido contra o abandono e a exploração no trabalho

“A criança deve ser protegida contra toda a forma de abandono, crueldade e exploração. Não será objeto de nenhum tipo de tráfico. Não de deverá permitir que a criança trabalhe antes de uma idade mínima adequada”

 

Um caminho importante foi já percorrido, uma vez que o número de crianças que trabalham era superior a 246 milhões no ano 2000. No entanto, é preciso ir mais além – e a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável estabelece objetivos globais ambiciosos. Uma das metas do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 8 –  Promover o crescimento económico inclusivo e sustentável, o emprego pleno e produtivo e o trabalho digno para todos visa eliminar todas as formas de trabalho infantil até 2025. Foi constituída uma aliança internacional para a implementação desta meta do ODS 8.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) tem também desenvolvido legislação fundamental (como a Convenção n.º 138 sobre a idade mínima de trabalho ou a Convenção n.º 182 sobre as priores formas de trabalho infantil) e várias iniciativas para proteger as crianças e combater o trabalho infantil, alertando para a necessidade de se abordarem as causas dessa realidade.  A IV Conferência Global sobre a Erradicação do Trabalho Infantil terá lugar na Argentina, a 14-16 de novembro de 2017.

Para implementar estas metas e compromissos globais, é necessário aumentar os esforços conjuntos de organizações internacionais e regionais, governos, organizações da sociedade civil e setor privado para que a erradicação do trabalho infantil se torne uma realidade. É também preciso trabalhar mais com aqueles que asseguram a aplicação efetiva dos direitos fundamentais da criança e dos direitos no trabalho – tribunais, magistrados, inspetores de trabalho, forças policiais, instituições de apoio à criança, etc.

A União Europeia aprovou recentemente uma revisão das Diretrizes para a Promoção e Proteção dos Direitos da Criança, na qual se estabelece que deverá incluir estes direitos em todas as suas intervenções, incluindo na ação externa. No entanto, a maior parte do trabalho forçado e sem condições mínimas de segurança e proteção social é imposta pelas empresas privadas, que se deslocalizam para países em desenvolvimento onde o trabalho infantil é menos regulado e monitorizado.  A regulação da atuação das empresas e multinacionais europeias e a promoção da responsabilidade social do setor privado são, assim, assuntos fundamentais para a erradicação do trabalho infantil, incluindo através da inclusão destas questões nos acordos de cooperação da União Europeia com os países em desenvolvimento.

Últimas notícias…

Relatório de Atividades 2025

Relatório de Atividades 2025

2025 foi um ano de mudança e de desafios. Num contexto de maior conflitualidade e incerteza, mantivemos o nosso compromisso com a dignidade e a justiça. Com 18 projetos em curso, chegámos a 4 920 pessoas em ações formativas e a mais de 22 mil em campanhas de...

read more