Capacitar Para Fazer Face às Alterações Climáticas: “Antes do Ekevelo Não Havia Trabalho Nem Aprendizagem”
Paula António, membro do Grupo de Apoio Multissectorial à Comunidade (GAMC) do Kuiti Kuiti, município do Virei, na província do Namibe, é uma das facilitadoras locais. A sua missão é garantir que a informação sobre as acções de capacitação do Projecto Ekevelo chega à sua comunidade. Alimentação e nutrição, irrigação e utilização sustentável de água e conservação de sementes são alguns dos temas abordados para promover uma agricultura mais resiliente face às abruptas alterações climáticas que se fazem sentir na província. Paula refere que é desta forma que “aprendemos a semear, a regar as plantas, a utilizar o furo e o tanque de água”.
Com 38 anos, Paula António tem seis filhos e vive no Kuiti Kuiti, uma das quatro comunidades beneficiárias do Ekevelo – Esperança na Resiliência: Reforço da Segurança Alimentar e Nutricional das Comunidades no Município do Virei. O projecto, implementado pela FEC – Fundação Fé e Cooperação e pela Caritas de Angola, é subvencionado pelo Camões, I.P., inserido no Programa FRESAN.
Paula é oriunda dos Mucubais, grupo étnico seminómada do Sul de Angola cujas economia familiar e organização social assentam na pastorícia e na transumância. Os bovinos são a sua maior riqueza e meio de subsistência – a comercialização permite que adquiram bens alimentares, agrícolas, entre outros. Devido à escassez de água e de pasto para os animais, a população é obrigada a percorrer grandes distâncias à procura de melhores condições para o gado e a transumância. Este factor dificulta o investimento na produção agrícola familiar, incompatível com o nomadismo vivido pela maioria das famílias do Kuiti Kuiti.
Para colmatar a insuficiente produção agrícola, o Ekevelo criou e dinamizou campos de experimentação agrícola que possibilitam uma aprendizagem prática na terra – uma actividade nova para a maioria das pessoas da comunidade. Paula António explica que “antes do Ekevelo não havia trabalho nem aprendizagem”, acrescentando que o projecto trouxe dinamização e capacitação agrícola, para as quais a comunidade está mobilizada e comprometida.
Acesso a água para pessoas e animais
O acesso a água é um factor determinante na capacidade de resiliência das comunidades rurais, bem como para a sua segurança alimentar e nutricional. Num contexto de secas recorrentes, esta é uma dimensão estrutural do Programa FRESAN, com um orçamento previsto de mais de 10 milhões de euros.
O FRESAN/Camões, I.P., em parceria com as organizações não governamentais (ONG) subvencionadas, está a construir e a reabilitar infra-estruturas para captação e retenção de água para consumo humano, abeberamento de animais e produção agrícola. As estruturas são adaptadas às zonas de intervenção e às necessidades específicas das várias comunidades. É o caso da comunidade Kuiti Kuiti, onde, apesar das dificuldades no acesso a água pela fraca disponibilidade no subsolo e a existência de solos argilosos, foi instalado um furo industrial de energia solar com 100 metros que possibilitou a construção de uma lavandaria com quatro tanques, um chafariz com duas bicas de água para consumo humano, e um bebedouro para o gado.
Em termos de irrigação, a comunidade de Kuiti Kuiti conta com um sistema adaptado e implementado pelo projecto. Este sistema é indispensável para a rega de abóbora e de batata-doce, alimentos altamente nutritivos que ajudam a combater a desnutrição que assola estas comunidades.
Paula António refere que, antes do Ekevelo, as famílias passavam fome. A sua comunidade – ciente da importância do acesso a água –, reconhece a importância da instalação do furo e de tanques junto ao campo, sem os quais seria impossível a produção agrícola ou ter água para consumo. Além do acesso a este recurso fundamental, os kits agrícolas compostos por utensílios e sementes, e as cestas básicas constituídas por óleo, arroz, sal, feijão, fuba e outros bens alimentares, são exemplos dos incentivos que o projecto tem disponibilizado às 160 famílias beneficiárias.
Ao fim de dois anos, o trabalho de proximidade e de capacitação dos GAMC tem gerado um efeito de multiplicação para os 160 agregados familiares acompanhados pelo Ekevelo – visível na forma como gerem as suas lavras familiares e o gado, bem como nos seus hábitos e costumes alimentares.
Esta notícia foi replicada após a sua divulgação no website do Programa FRESAN – Fortalecimento da Resiliência e da Segurança Alimentar e Nutricional em Angola.
O Projeto Ekevelo é implementado pela FEC, Caritas de Angola, Catholic Relief Services, Veterinários sem Fronteiras Portugal e Instituto Superior Politécnico Tundavala, em articulação com a Administração Municipal do Virei e Governo Provincial do Namibe, subvencionado pelo programa FRESAN – Fortalecimento da Resiliência e da Segurança Alimentar e Nutricional em Angola, financiado pela União Europeia, gerido parcialmente e co-financiado pela Cooperação Portuguesa – Camões, I.P.
Últimas notícias…
Formadores do ensino primário do sul de angola reforçam competências pedagógicas em matemática e português
Vieram dos nove municípios da província do Namibe, no sul de Angola, para participar em duas semanas intensivas de formação de formadores de professores, organizadas pela FEC no âmbito do projeto Twetu. O objetivo é reforçar as competências científicas, pedagógicas e...
Relatório de Atividades 2025
2025 foi um ano de mudança e de desafios. Num contexto de maior conflitualidade e incerteza, mantivemos o nosso compromisso com a dignidade e a justiça. Com 18 projetos em curso, chegámos a 4 920 pessoas em ações formativas e a mais de 22 mil em campanhas de...

