Ciclone Idai: depois da tempestade, a dimensão da catástrofe vai sendo conhecida
O Ciclone Idai pode ser uma das maiores catástrofes meteorológicas que alguma vez atingiram o hemisfério sul. À medida que as águas baixam e as equipas de socorro avançam no terreno, vai-se conhecendo as consequências do ciclone e preparam-se respostas para tentar repor a normalidade do quotidiano das populações afetadas. Tiago Coucelo, Coordenador da FEC em Moçambique, fala à e-NCONTROS sobre a situação no país e do que se pode fazer para ajudar as comunidades afetadas.
NASA WORLDVIEW
Passados cerca de dez dias da passagem do Ciclone Idai, a dimensão da tragédia vai sendo conhecida em Moçambique, no Zimbabwe e no Malawi. De acordo com o jornal inglês The Guardian, numa notícia de 24 de março, o Idai provocou até ao momento mais de 750 vítimas mortais, 446 só em Moçambique, números que devem aumentar à medida que o tempo passa.
Para Tiago Coucelo, Coordenador da FEC naquele país, trata-se de uma situação dramática: “a maioria dos edifícios ficou sem telhado, muitos ficaram destruídos, a eletricidade e as comunicações foram afetadas. Desde o dia do ciclone que não há abastecimento de água. As estradas e pontes estão cortadas. À medida que as equipas de salvação vão avançando no terreno, vão-se descobrir mais mortos. Fala-se de aldeias totalmente submersas.” Também a maioria dos campos de cultivo na zona afetada ficaram debaixo das águas e as estruturas de educação foram destruídas ou muito danificadas.
Ainda de acordo com o Coordenador da FEC, o Governo moçambicano, as Agências especializadas das Nações Unidas e os Parceiros de Cooperação estão no terreno, e a ajuda chega por diferentes vias, contrariando os obstáculos existentes. “Está-se a assistir a uma onda de solidariedade muito interessante. As pessoas em Maputo e noutras cidades do país estão-se a juntar, estão a tentar mandar contentores com produtos e isso é uma parte muito interessante”. Tenta-se que o trabalho seja concertado numa situação de elevada complexidade, e as condições atmosféricas na província de Sofala são agora mais favoráveis. Apesar disso, todos os meios são poucos face à dimensão da tragédia, e as dificuldades de acesso no terreno dificultam as operações de socorro.
ARQUIDIOCESE DA BEIRA
“Vai demorar muito tempo até as pessoas poderem voltar à normalidade”, refere Tiago Coucelo. Para projetar esse retorno, a FEC está a trabalhar em rede com a FGS – Fundação Gonçalo da Silveira e a ONG VIDA, em estreita articulação com a Cooperação Portuguesa, para atuar no âmbito da educação em contexto de pós-emergência. Depois de uma fase de diagnóstico, a proposta passa por criar espaços de acolhimento, intervindo na reabilitação de escolas, no acesso a materiais pedagógicos e na criação de espaços de apoio psicológico para os estudantes. Trata-se de uma intervenção pós-emergência pensada para um período de cinco anos, com um desenho flexível de forma a adequar-se a uma situação de contornos ainda muito imprecisos.
O Ciclone Idai atingiu a costa de Moçambique no dia 14 de março, deixando um rasto de destruição cujas consequências ainda estão longe ser ser conhecidas na totalidade. De acordo com as Nações Unidas, o Idai pode ser uma das maiores catástrofes meteorológicas que alguma vez atingiram o hemisfério sul.
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