As alterações climáticas não são “fake news”

6 Jun, 2017

Sejamos claros! As alterações climáticas têm um impacto decisivo no processo de Desenvolvimento. É um desafio universal, com impactos a nível local, regional, nacional e internacional. Podemos saber mais ou menos das especificidades técnicas e científicas quando se fala de alterações climáticas, mas sabemos desde já afetam todas as regiões do mundo. Em algumas regiões, os fenómenos meteorológicos extremos estão a tornar-se cada vez mais comuns e a pluviosidade está a aumentar, enquanto, noutras, as vagas de calor e as secas estão a agravar-se. As consequências são também elas universais, afetando claramente os países mais pobres e vulneráveis, uma vez que os seus habitantes estão muitas vezes dependentes do meio natural e dispõem de muito poucos recursos para fazer face às alterações climáticas. Mas os custos são também significativamente altos em termos de saúde, sociedade, economia, biodiversidade, entre outros. Podemos por isso afirmar, sem ser pessimistas, mas sim realistas, de que o equilíbrio da dimensão social, económica, ambiental e governativa do desenvolvimento sustentável está dependente dos efeitos das alterações climáticas.

O tão falado Acordo de Paris ambicioso, universal e dinâmico procura cimentar a cooperação internacional em relação às alterações climáticas. O acordo estabelece o caminho para limitar a subida da temperatura global a menos de 2ºC.  Apostando na mobilização tecnológica, financeira e capacitação institucional de tosos os países, e em particular dos países em desenvolvimento, procura-se alcançar um compromisso em que os esforços globais estejam focados na minimização das perdas e danos associados às alterações climáticas. Pela sua universalidade o Acordo é um passo firme na concretização da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Não nos esqueçamos que dos 17 ODS, 12 envolvem diretamente medidas de ação em prol do clima, sendo que os restantes estão interligados. É por acreditarmos num mundo, mais justo, mais inclusivo e mais digno, que a ameaça da Administração Trump de retirar os Estados Unidos da América do Acordo de Paris é preocupante pelo sinal negativo enviado aos outros 194 países que assinaram o Acordo. Não nos esqueçamos que os Estados Unidos foram, durante várias décadas, os principais emissores de CO2. Só recentemente é que o país foi ultrapassado pela China, que é responsável por 20,09% das emissões. Um estudo Climate Interactive refere que, com a saída dos norte-americanos, a temperatura global pode aumentar 0,3% em comparação com os valores que seriam registados se tivessem ficado. Também preocupante são os possíveis impactos desta saída a nível internacional. Apesar de muitos países signatários do Acordo reafirmarem o seu compromisso, a longo prazo a revisão das metas definidas ou até a novas saídas pode desequilibrar o entendimento sobre os impactos das alterações climáticas e fragilizar irremediavelmente o processo de Desenvolvimento.

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