Cultura i nô balur: artesãos por uma cultura em ação

3 Nov, 2017

“Esta é uma estátua bijagó. A primeira forma de representar a mulher na cultura bijagó, de a perpetuar”. Augusto é um escultor de Bubaque, arquipélago dos Bijagós, e sente muito do que fala, moldando com gestos as histórias por detrás das estátuas presentes no salão “Murialdo” do CIFAP, em Bissau. São escultores, pintores, criadores de moda. Artesãos que trazem nas mãos o mosaico cultural presente na Guiné-Bissau entre saberes ancestrais e um futuro por inventar. Mas a partilha foi a principal palavra de ordem no arranque do Djumbai de Artesanato, promovido no âmbito do projeto Cultura i nô balur, dia 28 de outubro.

Neste djumbai (pessoas reunidas para debater), 16 artesãos – com trabalho desenvolvido em Bissau – foram convidados pela equipa do Cultura i nô balur a embarcarem num compromisso de futuro: conhecerem-se melhor e darem-se a conhecer, ampliando os seus conhecimentos, aperfeiçoando as suas técnicas e ousando explorar diferentes canais para que mais pessoas cheguem aos seus produtos e fiquem a conhecer melhor uma Guiné-Bissau intercultural.

A formação artística e de consolidação de planos de negócio em sala a par de sessões de acompanhamento na conceção de novos produtos, entre 2017 e 2020, contempla, por um lado, a valorização dos participantes e das suas culturas, nas suas especificidades e no seu encontro. Por outro, visa o impulsionamento dos negócios dos artesãos mediante a criação de uma marca e a partilha de saberes e experiências num trabalho em rede, usando a internet para comunicar mais e promovendo mais divulgação em eventos e feiras.

Fábio Sousa, Adido de Cooperação da Embaixada de Portugal na Guiné-Bissau, falou da importância de se trabalhar “referências simbólicas” que estimulem a “vontade de pertença de uma comunidade a um lugar”. Já Chiara Guidetti, encarregada de Programas na Delegação da União Europeia na Guiné-Bissau, salientou a potencialidade da “identificação de forças” de cada um e de todos “para chegarem onde quiserem chegar”, num projeto facilitador desse processo. Para Duccio Ferraro, representante de país da ENGIM – parceira na área do empreendedorismo e plano de negócios – será crucial ajudar a estruturar as propostas dos artesãos e levá-las tanto para o mercado nacional como para aquele internacional.

O Djumbai de Artesanato insere-se no projeto Cultura i nô balur, que visa contribuir para a promoção do património cultural guineense de um modo inclusivo e sustentável, favorecendo o acesso da população guineense a bens e serviços culturais. Um projeto financiado pela União Europeia, pela Misereor e pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, promovido pela FEC em parceria com a ENGIM – Ente Nazionale Giuseppini del Murialdo, a Faculdade de Ciências de Educação da Universidade Católica da Guiné-Bissau, a Afectos com Letras, a Associação de Escritores da Guiné-Bissau e parceiros representantes de entidades governamentais e públicas como o Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, o Instituto Nacional para o Desenvolvimento da Educação e a Câmara Municipal de Bissau.

O debate contou ainda com a presença do cineasta guineense Flora Gomes que com o seu percurso inspira a uma criação livre e libertadora. Pensar no que queremos criar mas também em como dar forma ao que nos explode dentro, buscar referências… Reelaborar e adaptar o sonho à realidade. Tudo isso passou por aqui, e o djumbai ainda agora começou.

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