Saúde em Moçambique

30 Jun, 2018

Este Luso Fonias é dedicado à Saúde em Moçambique. Na semana em que o país celebra o aniversário da sua independência, Carla Rêgo, presidente da Health4Moz, dá-nos a conhecer o trabalho desta associação sem fins lucrativos, que trabalha sobretudo nas áreas da saúde e do ensino em Moçambique. Carla Rêgo é médica há 34 anos e há cinco sentiu que devia voltar à terra que a viu nascer —Moçambique –, por achar que podia ser mais útil lá do que cá. Estes últimos anos têm sido assim: ora cá, ora lá.

Na opinião do P. Tony Neves – ‘Missão num Moçambique a Mudar’

“Maputo, Beira, Chimoio, Nampula, Nacala…eis as terras por onde passei nesta visita guiada à Missão Espiritana por terras de Moçambique. Para os Espiritanos, tudo começou em 1996, quando seis Padres foram nomeados por Roma. Três chegaram a Inhazónia, no Chimoio, quase na fronteira com o Zimbabwé. Outros tantos foram para Netia, no interior pobre e abandonado da Diocese de Nacala. A guerra, terminada oficialmente em 1992, ainda ‘mandava’ naquelas paragens, por onde passou com muita violência. O abandono religioso, a que a revolução da independência votou os moçambicanos do interior, fez destas Missões espaços de primeira evangelização, ou quase!

O país cresce, como quase todos, a diversas velocidades. Os centros das cidades (Maputo, Beira, Nampula…) aceleram o desenvolvimento com novas e modernas construções de bancos, empresas, centros comerciais, hotéis… As estradas que ligam as grandes cidades estão bem e a melhorar, regra geral, como acontece na ligação rodoviária entre a Beira e o Chimoio, dando ligação para o Malawi e o Zimbabwé. Mas as periferias continuam pobres e abandonadas e o interior passa quase ao lado do progresso, sem estradas, escolas, hospitais que valham ao povo simples que ali mora.

Há empreendimentos agrícolas em curso que podem desenvolver o país, é certo, mas que tiram aos pobres agricultores os seus cantinhos de terra. O agronegócio está a ser muito contestado pela Igreja, por causa dos danos colaterais que vitimam as pessoas mais frágeis. A doença do Panamá deu cabo da produção de bananas. As chuvas intensas do início do ano destruíram casas, caminhos e culturas, sobretudo no norte e centro.

A liberdade, nas suas várias expressões, deixa ainda muito a desejar. O norte está a ser flagelado por ataques de grupos armados que matam e semeiam o pânico entre as populações. Há muitos postos de recenseamento eleitoral, mas desconfia-se sempre dos resultados das eleições. O mundo da política está envolto em suspeitas graves por causa das ‘dívidas ocultas’ do governo que ninguém quer assumir nem pagar, embora os credores internacionais ameacem.

20 anos depois, o panorama está muito mudado, é verdade. Os Missionários Espiritanos mantêm-se em Inhazónia e mudaram de Netia para Itoculo. Foram abertas comunidades em Nampula e na Beira. Sempre com os mais pobres, nas periferias. Tive a oportunidade de visitar as quatro comunidades, encontrar os Espiritanos e Espiritanas que, por terras de Moçambique, partilham o dia a dia sofrido dos povos com quem vivem. Regressei de coração cheio,convencido de que ali se escrevem grandes páginas de Evangelho no meio de enormes dificuldades, mas muitas alegrias. O futuro dos Espiritanos em Moçambique está a gritar por mais presença, mais investimento, mais Missão. Este país lusófono precisa e o seu povo merece.”

Tony Neves

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