Dias da Ciência: pela primeira vez em Bissau, aproximando a Ciência dos estudantes do Ensino Secundário

3 Ago, 2018

Com stands experimentais, divulgação de instituições superiores, palestras, mesas redondas, feira do livro e jogos, os Dias da Ciência trouxeram ao Museu Etnográfico Nacional alunos do Ensino Secundário de diferentes liceus da capital guineense, que abraçaram com curiosidade e espírito crítico cada desafio proposto. Uma iniciativa pioneira na Guiné-Bissau – no âmbito das comemorações do Dia do Ressurgimento da Ciência Africana – realizada pelo Ministério da Educação, Ensino Superior, Juventude, Cultura e Desportos em parceria com a FEC – Fundação Fé e Cooperação, com o apoio da Cooperação Portuguesa, da União Europeia e da Universidade Lusófona da Guiné.

Ao longo dos dias 29 e 30 de junho, a Ciência e a Cultura deram mãos num movimento único, convidando os alunos a refletirem de forma diferente sobre as disciplinas que aprendem na escola, com base na experimentação bem como na demonstração de evidências. Damata, aluna do 12º ano do liceu Samora Moisés Machel, foi a vencedora do Quiz realizado pelos alunos que passaram pelos diferentes encontros e stands do evento – a Espionagem e a Matemática; Métodos não tradicionais de fazer contas, Consciência metalinguística, Línguas da Guiné-Bissau, Micromundo, O Fascínio das Plantas, Física, Visualização Molecular e Ilusão de Ótica. Na posse do passaporte da Ciência, onde as diferentes atividades realizadas por si ao longo dos dias foram sendo carimbadas, Damata partilha com entusiasmo: “Estou no último ano e quero seguir economia… nestes dois dias aprendi bastante porque, por exemplo, posso jurar que nunca assisti antes à matemática que tivemos aqui”, partilha. “Com os jogos matemáticos não tradicionais a matemática é afinal muito simples… vou poder levar isso para os meus colegas, mostrando-lhes métodos matemáticos muito simples de fazer os cálculos”, complementa o colega Emiliano, que nos deixa com a convicção de um dia vir a ser “um dos grandes economistas mundiais”.

Queremos ser cientistas!

Um dos aspetos mais interessantes da iniciativa foi a passagem de conhecimento entre os alunos dos diferentes liceus de Bissau que passaram pelo Museu Etnográfico e os alunos da Universidade Lusófona da Guiné (ULG), que dinamizaram os diferentes stands, juntamente com os Coordenadores Nacionais de Ensino Secundário e técnicos formadores da FEC de Português, Matemática, Biologia e Física. Um testemunho que alguns alunos da Licenciatura das Ciências do Mar e do Ambiente da ULG deixam à saída entre sorrisos cúmplices: “queremos ser cientistas, investigar…!”, afiança N’dei. “O quê?”, perguntam. “Queremos investigar as plantas, os animais!…”, responde Alívio. Sem pressas, N’dei despede-se com uma certeza: “aprendemos muito e também conseguimos mostrar o que aprendemos desde o primeiro ano até agora”.

Para Tcherno Djalo, professor de Educação Social e estagiário da Direção Geral da Cultura, “são fundamentais iniciativas que permitam à juventude guineense ser incorporada no mundo globalizado” de forma a “conhecer a evolução das tecnologias e os aspetos científicos que estão a ocorrer noutros continentes”. Contudo, para Alassana, também ele aluno da Licenciatura em Ciências do Mar e do Ambiente da ULG, ficou claro neste evento que na Guiné-Bissau “houve um despertar do interesse a respeito daquilo que é a Ciência por parte dos alunos” e que também “é possível fazer ciência”. Não só possível como desejável, num país onde a agricultura, a pecuária, a pesca e a exploração dos recursos naturais são áreas férteis para a investigação científica e tecnológica.

Os Dias da Ciência terminaram com improvisações dos alunos – entre declamação de poesia e canto – e uma emocionante apresentação do Ballet Nacional da Guiné-Bissau, de onde emergiu muita vontade de dar continuidade a um movimento que, coletivamente, nos convida a conhecermos melhor o mundo e a nós próprios.

Programa dos Dias da Ciência:

 

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