Ciclone Idai: depois da tempestade, a dimensão da catástrofe vai sendo conhecida

27 Mar, 2019

O Ciclone Idai pode ser uma das maiores catástrofes meteorológicas que alguma vez atingiram o hemisfério sul. À medida que as águas baixam e as equipas de socorro avançam no terreno, vai-se conhecendo as consequências do ciclone e preparam-se respostas para tentar repor a normalidade do quotidiano das populações afetadas. Tiago Coucelo, Coordenador da FEC em Moçambique, fala à e-NCONTROS sobre a situação no país e do que se pode fazer para ajudar as comunidades afetadas.

NASA WORLDVIEW

 

Passados cerca de dez dias da passagem do Ciclone Idai, a dimensão da tragédia vai sendo conhecida em Moçambique, no Zimbabwe e no Malawi. De acordo com o jornal inglês The Guardian, numa notícia de 24 de março, o Idai provocou até ao momento mais de 750 vítimas mortais, 446 só em Moçambique, números que devem aumentar à medida que o tempo passa.

Para Tiago Coucelo, Coordenador da FEC naquele país, trata-se de uma situação dramática: “a maioria dos edifícios ficou sem telhado, muitos ficaram destruídos, a eletricidade e as comunicações foram afetadas. Desde o dia do ciclone que não há abastecimento de água. As estradas e pontes estão cortadas. À medida que as equipas de salvação vão avançando no terreno, vão-se descobrir mais mortos. Fala-se de aldeias totalmente submersas.” Também a maioria dos campos de cultivo na zona afetada ficaram debaixo das águas e as estruturas de educação foram destruídas ou muito danificadas.

Ainda de acordo com o Coordenador da FEC, o Governo moçambicano, as Agências especializadas das Nações Unidas e os Parceiros de Cooperação estão no terreno, e a ajuda chega por diferentes vias, contrariando os obstáculos existentes. “Está-se a assistir a uma onda de solidariedade muito interessante. As pessoas em Maputo e noutras cidades do país estão-se a juntar, estão a tentar mandar contentores com produtos e isso é uma parte muito interessante”. Tenta-se que o trabalho seja concertado numa situação de elevada complexidade, e as condições atmosféricas na província de Sofala são agora mais favoráveis. Apesar disso, todos os meios são poucos face à dimensão da tragédia, e as dificuldades de acesso no terreno dificultam as operações de socorro.

ARQUIDIOCESE DA BEIRA

 

“Vai demorar muito tempo até as pessoas poderem voltar à normalidade”, refere Tiago Coucelo. Para projetar esse retorno, a FEC está a trabalhar em rede com a FGS – Fundação Gonçalo da Silveira e a ONG VIDA, em estreita articulação com a Cooperação Portuguesa, para atuar no âmbito da educação em contexto de pós-emergência. Depois de uma fase de diagnóstico, a proposta passa por criar espaços de acolhimento, intervindo na reabilitação de escolas, no acesso a materiais pedagógicos e na criação de espaços de apoio psicológico para os estudantes. Trata-se de uma intervenção pós-emergência pensada para um período de cinco anos, com um desenho flexível de forma a adequar-se a uma situação de contornos ainda muito imprecisos.

O Ciclone Idai atingiu a costa de Moçambique no dia 14 de março, deixando um rasto de destruição cujas consequências ainda estão longe ser ser conhecidas na totalidade. De acordo com as Nações Unidas, o Idai pode ser uma das maiores catástrofes meteorológicas que alguma vez atingiram o hemisfério sul. 

 

Últimas notícias…

Nota de pesar pelo falecimento de Eugénio José da Cruz Fonseca

Nota de pesar pelo falecimento de Eugénio José da Cruz Fonseca

Nota de pesar pelo falecimento de Eugénio José da Cruz Fonseca Foi com profunda tristeza que a FEC recebeu a notícia do falecimento de Eugénio Fonseca, nosso querido parceiro e amigo. Ao longo dos anos, cruzámo-nos em diversos espaços de encontro, reflexão e trabalho...

read more