“Todos precisamos de todos”
ALICE VIEIRA SOBRE A CAMPANHA PRESENTES SOLIDÁRIOS
Com a chegada da época natalícia, a Campanha Presentes Solidários está em ação, uma vez mais, para melhorar a vida de pessoas e comunidades nos países lusófonos. São onze os presentes disponíveis até ao dia 6 de janeiro, numa iniciativa em que a oferta de um presente de Natal simbólico – um postal – significa a aquisição de equipamentos ou serviços necessários em comunidades onde a FEC desenvolve projetos de desenvolvimento. Alice Vieira, jornalista e escritora, entusiasta dos Presentes Solidários, conversou com a e-NCONTROS sobre solidariedade e a forma como vive a iniciativa.
Não me lembro exactamente como cheguei ao conhecimento dos Presentes Solidários,mas tenho ideia que foi quando eu estava a trabalhar nuns manuais de instrução moral e religiosa e ia às vezes ao Patriarcado [de Lisboa]. Um dia chamaram-me para me darem conhecimento da iniciativa e aderi imediamente. Lembro-me de ter ido então, com um elemento da FEC, a escolas e a igrejas explicar o que era a campanha e como se devia proceder.
e-NCONTROS – O que a leva a escolher Presentes Solidários em vez dos presentes vulgares de consumo, tão comuns na época natalícia?
Quando se pode dar um presente que é, ao mesmo tempo, original e solidário, acho que é o ideal. Por vezes, damos um brinquedo a uma criança e no dia seguinte já está posto de lado; ou não sabemos o que dar a amigos e vamos repetindo presentes sem graça. E, para além disso, assim não vamos aumentar a correria das compras nos centros comerciais. Outro elemento interessante é que podemos ir seguindo o caminho dos nossos presentes até chegarem ao seu destino.
e-NCONTROS – A quem oferece Presentes Solidários?
Desde o primeiro ano que os principais destinatários dos Presentes Solidários são os meus quatro netos, que estão sempre à espera deles. E procuro dar-lhes, tanto quanto possível, presentes que tenham que ver com eles. Lembro-me, por exemplo, que num ano em que a minha neta mais velha ia fazer trabalho voluntário para Timor, lhe dei uma bolsa de voluntariado. Presentes relacionados com construção de equipamentos vão mais para o meu neto que está em Engenharia, etc. E para além deles, dou presentes aos meus filhos, às minhas tias velhotas, a amigas, a vizinhas.
e-NCONTROS – Acha que Portugal tem falta de solidariedade? As pessoas podiam ser mais solidárias? Como?
Um pouco mais de solidariedade faz sempre bem a toda a gente. Às vezes somos muito solidários “da boca para fora” e mais nada. Todos precisamos de todos. E todos aprendemos com todos. Na Universidade de Glasgow (e não sei se noutras universidades do Reino Unido), logo nas férias de verão a seguir ao 1º ano, todos os alunos recebem uma carta a mostrar-lhes como seria útil para as suas vidas se utilizassem essas férias para irem fazer trabalho voluntário. Não seria uma ideia a aproveitar por cá?
e-NCONTROS – Oferecer um Presente Solidário é trazer à conversa problemas que afetam o desenvolvimento de comunidades em países longínquos, situações que são muitas vezes distantes do dia-a-dia da maioria dos portugueses. Acha que a consciência de que partilhamos todos o mesmo mundo e por ele somos responsáveis é suficientemente incentivada no espaço público?
Claro que não. É ver o que se passa no Brasil, com a Amazónia… Ou as terríveis cheias em África provocadas pelos distúrbios climáticos. Mas as pessoas pensam, “ah, isso é tão longe…”
e-NCONTROS – Pode deixar uma mensagem de Natal para os nossos leitores?
Espero que este ano os Presentes Solidários entrem mesmo bem no coração das pessoas e que todos nos esforcemos por levar cada vez mas sorrisos àqueles que esperam por nós.
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